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César e Pedro Camargo Mariano lançam CD


Gislaine Gutierre
Do Diário do Grande ABC

07/09/2003 | 16:40


Há sete anos eles “ensaiavam” esse encontro. César Camargo Mariano, o pianista e arranjador que acompanhou os mais consagrados nomes da MPB, e seu filho, Pedro Mariano, finalmente puseram em prática o velho plano de um dia gravarem juntos. O resultado é o disco Piano & Voz (Trama, R$ 25 em média), que chega às lojas em uma primeira tiragem de luxo e limitada a 10 mil exemplares.

Essa idéia surgiu em 1996, no Festival de Jazz de Montreaux, na Suíça. “Eu me apresentaria com um quinteto e convidei o Pedro para participar. No meio do show, surgiu um piano e voz. Foi aí que começou a dar a ‘coceira’ na gente”, disse César Camargo. Nesse meio tempo, ele foi co-produtor e arranjador de dois discos do filho que tem oito anos de carreira: Voz no Ouvido (2000) e Intuição (2002).

Piano & Voz foi gravado da forma mais familiar e intimista possível. Pai e filho passaram 15 dias no estúdio para gravar dez faixas. “Fizemos esse disco sem nenhuma pressa”, afirmou Pedro. Segundo César Camargo, as idéias apareceram na base da conversa, quase sempre regada a café. Durante a gravação, era comum o olho no olho para buscar o entendimento. E tinha outro reforço familiar: João Marcello Bôscoli, irmão de Pedro e co-produtor. “O Marcello foi como a gente ouvindo a gente. Tem os mesmos critérios, conhece nosso jeito de trabalhar. Foi o mais coerente”, afirmou o irmão.

A escolha do repertório teve, segundo César Camargo, critérios bem subjetivos. “Esse disco traz muitas coisas que fazem parte da história de nossas vidas. No carro, por exemplo, a gente ouvia Lulu Santos. Se ele (Marcello) gostava, pedia para aumentar”, disse o pianista e arranjador. Entrou, portanto, Tudo Bem. “Na verdade, eu queria gravar outra, mas ele me disse, ‘não sei quanto a você, mas eu vou gravar Tudo Bem (risos)’”, afirmou Pedro.

A tarefa de incluir a maior parte das canções contemporâneas no CD coube, obviamente, a Pedro. É o caso de Papo de Psicólogo, do colega Jair Oliveira (mais informações nesta página). Mas foi ele, também, quem elegeu a mais antiga de todas, Tarzan, o Filho do Alfaiate, de Vadico e Noel Rosa.

Entraram ainda Acaso (Abel Silva e Ivan Lins), Caso Sério (Rita Lee e Roberto de Carvalho), Dupla Traição (Djavan), Caminhos Cruzados (Tom Jobim e Newton Mendonça) e outras. Não faltou também Se Eu Quiser Falar com Deus, que foi cantada em Montreaux e que sempre era tocada quando pai e filho se encontravam no palco. “Virou nossa trilha sonora”, disse Pedro.

Segundo César Camargo, um projeto dessa natureza é delicado, porque há uma exposição muito grande dos dois: “Não há outros elementos de apoio. E isso requer sintonia e muito trabalho”. Mas o filho queria mais: “O que me levou a esse disco foi a prova dos 9. É um desafio estar ao lado de um pianista dessa envergadura. Tive de engolir em seco e ter a cara-de-pau de fazer”.

Pedro, aliás, enfrentou um desafio duplo, já que as comparações com sua mãe, Elis Regina, não têm fim: “Para mim, o parentesco significa ter de matar um leão por dia. Não há um santo dia que eu não tenho de falar nisso. E se eu canto bem, as pessoas acham que é óbvio, pelos pais que tenho. Mas se, por outro lado, canto mal, não chego aos pés”.

O pai, por sua vez, não esconde a orgulho: “Você está cantando pacas!”. César Camargo garante que gosta de deixar os filhos livres: “Só fico em casa com band-aid e mercúrio cromo, no caso de algum tombo”.

Interação – O logotipo da capa do CD – dois círculos com um campo de intersecção – é a síntese visual desse trabalho. Piano & Voz é resultado de um ponto de convergência, de um acordo tácito em que cada um preservou sua individualidade, mas com flexibilidade suficiente para criar algo comum.

Enquanto Pedro comparece com o frescor da contemporaneidade, agregando compositores de sua geração ao repertório, César Camargo reveste a obra com a sabedoria de quem há décadas é amigo íntimo de timbres, ritmos, acordes e harmonias.

Pedro segue a linha racional. Faz uma interpretação muito boa do ponto de vista técnico, mas que ainda carece de alma. Potencial, Pedro tem. A faixa Se Eu Quiser Falar com Deus (Gilberto Gil) é a prova. Nela, o intérprete está indiscutivelmente mais solto, mais seguro. E soa bem mais verdadeiro.

César Camargo, cuja bagagem dispensa qualquer preocupação em termos de qualidade técnica, parece estabelecer o sentimento como norte na busca de seus arranjos. No fim, o encontro de pai e filho foi muito feliz.

O pianista não comete exageros nem vai ao extremo do minimalismo. Suinga quando é preciso e cria um clima mais introvertido quando a música exige. E, principalmente, complementa e embala com suavidade precisa a voz de Pedro. E esse equilíbrio é o grande mérito do CD.



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