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Crise nuclear não faz Japão entrar na corrida armamentista


da AFP

14/01/2003 | 11:18


Embora a Coréia do Norte continue desenvolvendo seu arsenal nuclear, o Japão, único país a ter sofrido um ataque nuclear, não tem intenções de produzir armas atômicas, destacaram analistas esta terça-feira.

"Política, econômica, estratégica e tecnologicamente, há muitos mais motivos para que o Japão não possua armas nucleares do que para ter um importante programa militar nuclear", ressaltou Matake Kamiya, professor de política internacional da Academia de Defesa Nacional nipônica.

"O Japão não quer fazê-lo, não está interessado nem é capaz de realizá-lo", disse Kamiya, cujo estudo sobre a possibilidade de o Japão se tornar uma potência nuclear foi publicado na atual edição do Washington Quaterly.

O regime norte-coreano anunciou na última sexta-feira sua retirada do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP) e no sábado ameaçou reiniciar suas provas de mísseis balísticos.

O Japão pediu esta terça-feira à Coréia do Norte que respeite sua moratória sobre os disparos de testes de mísseis, cuja prorrogação indefinida, além de 2003, anunciou em setembro passado.

A Coréia do Norte "deve fazer tudo o que estiver a seu alcance para não violar a declaração Japão-Coréia do Norte", declarou à imprensa o primeiro-ministro Junichiro Koizumi, ao ser questionado sobre as ameaças norte-coreanas de retomar os testes de mísseis.

Em 1998, a Coréia do Norte realizou um teste com o míssil balístico Taepodong, que sobrevoou o Nordeste do Japão, caindo no Oceano Pacífico. A partir de então, o Japão compreendeu que seu território está no raio de ação de Pyongyang.

Mas como é o único país a ter sido atacado com armas nucleares, os analistas afirmam com unanimidade que uma corrida armamentista na Península Coreana não modificaria a política não nuclear nipônica.

O Japão adotou os três princípios não nucleares de "não produzir, não possuir e não permitir a entrada de armas nucleares no país", em 1971.

Durante várias décadas, as pesquisas mostraram o intenso sentimento antinuclear do povo japonês, acrescentou Kamiya, afirmando que qualquer decisão para iniciar um programa de armas nucleares afetaria consideravelmente o Governo.

Alexander Chieh-cheng Huang, um especialista em Coréia do Norte, membro do Grupo de Estudos Estratégicos da Universidade Tamkang, de Taiwan, está de acordo com essa análise.

"É muito difícil que o Japão desenvolva um programa nuclear, devido aos problemas políticos. O Japão não possui a vontade política, nem o apoio público para uma iniciativa semelhante", disse Huang.

Também é improvável que os Estados Unidos, que têm 47 mil militares acantonados no Japão, transfiram parte de suas armas nucleares para esse país.

"Não, eles (os japoneses) não permitirão que os Estados Unidos mantenham armas nucleares em seu território. A opinião pública não toleraria isso e não é necessário", afirmou Joseph Cheng, um analista político da Universidade de Hong Kong.

"Uma mudança semelhante afetaria economicamente o Japão, que se tornou uma superpotência econômica graças ao comércio", disse, acrescentando que o Japão continua se apoiando nas importações para a maior parte de suas necessidades energéticas, assim como para boa parte de seus alimentos.



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Crise nuclear não faz Japão entrar na corrida armamentista

da AFP

14/01/2003 | 11:18


Embora a Coréia do Norte continue desenvolvendo seu arsenal nuclear, o Japão, único país a ter sofrido um ataque nuclear, não tem intenções de produzir armas atômicas, destacaram analistas esta terça-feira.

"Política, econômica, estratégica e tecnologicamente, há muitos mais motivos para que o Japão não possua armas nucleares do que para ter um importante programa militar nuclear", ressaltou Matake Kamiya, professor de política internacional da Academia de Defesa Nacional nipônica.

"O Japão não quer fazê-lo, não está interessado nem é capaz de realizá-lo", disse Kamiya, cujo estudo sobre a possibilidade de o Japão se tornar uma potência nuclear foi publicado na atual edição do Washington Quaterly.

O regime norte-coreano anunciou na última sexta-feira sua retirada do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP) e no sábado ameaçou reiniciar suas provas de mísseis balísticos.

O Japão pediu esta terça-feira à Coréia do Norte que respeite sua moratória sobre os disparos de testes de mísseis, cuja prorrogação indefinida, além de 2003, anunciou em setembro passado.

A Coréia do Norte "deve fazer tudo o que estiver a seu alcance para não violar a declaração Japão-Coréia do Norte", declarou à imprensa o primeiro-ministro Junichiro Koizumi, ao ser questionado sobre as ameaças norte-coreanas de retomar os testes de mísseis.

Em 1998, a Coréia do Norte realizou um teste com o míssil balístico Taepodong, que sobrevoou o Nordeste do Japão, caindo no Oceano Pacífico. A partir de então, o Japão compreendeu que seu território está no raio de ação de Pyongyang.

Mas como é o único país a ter sido atacado com armas nucleares, os analistas afirmam com unanimidade que uma corrida armamentista na Península Coreana não modificaria a política não nuclear nipônica.

O Japão adotou os três princípios não nucleares de "não produzir, não possuir e não permitir a entrada de armas nucleares no país", em 1971.

Durante várias décadas, as pesquisas mostraram o intenso sentimento antinuclear do povo japonês, acrescentou Kamiya, afirmando que qualquer decisão para iniciar um programa de armas nucleares afetaria consideravelmente o Governo.

Alexander Chieh-cheng Huang, um especialista em Coréia do Norte, membro do Grupo de Estudos Estratégicos da Universidade Tamkang, de Taiwan, está de acordo com essa análise.

"É muito difícil que o Japão desenvolva um programa nuclear, devido aos problemas políticos. O Japão não possui a vontade política, nem o apoio público para uma iniciativa semelhante", disse Huang.

Também é improvável que os Estados Unidos, que têm 47 mil militares acantonados no Japão, transfiram parte de suas armas nucleares para esse país.

"Não, eles (os japoneses) não permitirão que os Estados Unidos mantenham armas nucleares em seu território. A opinião pública não toleraria isso e não é necessário", afirmou Joseph Cheng, um analista político da Universidade de Hong Kong.

"Uma mudança semelhante afetaria economicamente o Japão, que se tornou uma superpotência econômica graças ao comércio", disse, acrescentando que o Japão continua se apoiando nas importações para a maior parte de suas necessidades energéticas, assim como para boa parte de seus alimentos.

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