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Arma de choque foi usada
só três vezes em Diadema

Cidade é a única da região que tem esse tipo de equipamento,
que foi doado pela Secretaria Nacional de Segurança Pública


Cadu Proieti
Do Diário do Grande ABC

26/03/2012 | 07:00


Após cerca de 11 meses de utilização dos 25, armas de choque que imobilizam a partir de descarga elétrica, a GCM (Guarda Civil Municipal) de Diadema utilizou o equipamento apenas três vezes.

Os armamentos foram doados pela Secretaria Nacional de Segurança Pública, do Ministério da Justiça, e teve custo estimado em cerca de R$ 1.200 cada. A cidade, que recebeu 25 unidades, é a única da região a utilizar este tipo de equipamento.

 

O uso incorreto e abusivo da arma de choque levou à morte um jovem brasileiro que vivia na Austrália. O incidente levantou debates sobre os perigos do armamento, classificado pela ONU (Organização das Nações Unidas) como não letal (leia na reportagem abaixo).

Em Diadema, em duas ocasiões, os tasers foram utilizados por guardas que faziam segurança em hospital e tiveram de conter paciente agressivos com problemas psiquiátricos. Na terceira vez em que a arma de choque foi acionada, uma mulher estava sendo espancada no bairro Campanário porque roubou um carro. A GCM chegou para resolver a situação e utilizou o choque para conter o marido dela, que também estava presente na confusão e, totalmente descontrolado, agrediu um dos guardas.

 

Apesar de pouco utilizada, o comandante da GCM Emílio D’Angelo vê como positivo o uso dos tasers até o momento. “Em algumas situações em que as pessoas estão fora de controle, com extremo nervosismo ou sob o efeito de drogas ou álcool, conseguimos minimizar a ocorrência. É importante para coibirmos o uso da arma de fogo, considerado recurso extremo da força pela área de segurança pública”, afirmou.

 

Segundo D’Angelo, houve situação em que só a presença do taser evitou o suicídio de um rapaz. “Na primeira vez que levamos a arma para rua, um dependente químico estava alterado por causa da droga e queria se matar. Chegamos no local, ele estava com uma faca no pescoço. Abrimos negociação para ele se entregar e isso durou 30 minutos. Os guardas viram que a ação poderia se agravar e pediram que trouxessem o taser. Quando viu a arma, jogou a faca no chão e disse que não iria tomar choque”, relatou.

 

FALTA INTERESSE

Na região, apenas a Prefeitura de Mauá demonstrou interesse na utilização desse tipo de armamento, mas não há prazo para a aquisição dos equipamentos.

 

São Bernardo informou que no início da atual gestão, em 2009, havia projeto da administração anterior para adquirir 60 tasers. Entretanto, foi solicitado à Secretaria Nacional de Segurança Pública que substituísse as armas por coletes à prova de bala.

 

 

Termo ‘não letal’ precisa ser revisto

A morte do estudante brasileiro Roberto Curti, de 21 anos, por disparos de armas de choque, em Sidney, Austrália, gerou discussão sobre a utilização do equipamento. Para o especialista em segurança pública José Vicente da Silva Filho, não é correto utilizar o termo não letal para este tipo de armamento.

“As políticas internacionais de segurança entendem que o taser é menos letal, porque qualquer arma pode matar, dependendo a forma como é utilizada”, explicou.

 

Para José Vicente, é necessário treinamento e adequação ao uso da arma, para não acontecer tragédias como a do jovem morto na Austrália. “A utilização indevida pode ser letal. No caso do brasileiro, quatro pessoas atiraram ao mesmo tempo. Com apenas um disparo, a possibilidade de morte é rara.”

 

As armas usadas em Diadema possuem carga de 50 mil volts e amperagem de 0,36 miliamperes. “É baixa, semelhante a você colocar o dedo na tomada”, disse o especialista.

 

A carga de choque tem duração de por quatro segundos a cada disparo. A arma funciona de duas maneiras: pelo contato ou por dardos que criam corrente elétrica e são lançados a longa distância. Ao ser atingida, a pessoa tem o sistema nervoso central afetado, impedindo as funções voluntárias, que são movimentos de braços e pernas. As características vitais como sistema cardíaco, respiratório e mental, são preservados.

 

Existem várias restrições ao uso do equipamento, que são passadas por técnicos autorizados em treinamentos antes da utilização da arma.

“Na função de conter e dominar uma pessoa, o uso deste tipo de armamento é o mais seguro”, afirmou José Vicente.



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Arma de choque foi usada
só três vezes em Diadema

Cidade é a única da região que tem esse tipo de equipamento,
que foi doado pela Secretaria Nacional de Segurança Pública

Cadu Proieti
Do Diário do Grande ABC

26/03/2012 | 07:00


Após cerca de 11 meses de utilização dos 25, armas de choque que imobilizam a partir de descarga elétrica, a GCM (Guarda Civil Municipal) de Diadema utilizou o equipamento apenas três vezes.

Os armamentos foram doados pela Secretaria Nacional de Segurança Pública, do Ministério da Justiça, e teve custo estimado em cerca de R$ 1.200 cada. A cidade, que recebeu 25 unidades, é a única da região a utilizar este tipo de equipamento.

 

O uso incorreto e abusivo da arma de choque levou à morte um jovem brasileiro que vivia na Austrália. O incidente levantou debates sobre os perigos do armamento, classificado pela ONU (Organização das Nações Unidas) como não letal (leia na reportagem abaixo).

Em Diadema, em duas ocasiões, os tasers foram utilizados por guardas que faziam segurança em hospital e tiveram de conter paciente agressivos com problemas psiquiátricos. Na terceira vez em que a arma de choque foi acionada, uma mulher estava sendo espancada no bairro Campanário porque roubou um carro. A GCM chegou para resolver a situação e utilizou o choque para conter o marido dela, que também estava presente na confusão e, totalmente descontrolado, agrediu um dos guardas.

 

Apesar de pouco utilizada, o comandante da GCM Emílio D’Angelo vê como positivo o uso dos tasers até o momento. “Em algumas situações em que as pessoas estão fora de controle, com extremo nervosismo ou sob o efeito de drogas ou álcool, conseguimos minimizar a ocorrência. É importante para coibirmos o uso da arma de fogo, considerado recurso extremo da força pela área de segurança pública”, afirmou.

 

Segundo D’Angelo, houve situação em que só a presença do taser evitou o suicídio de um rapaz. “Na primeira vez que levamos a arma para rua, um dependente químico estava alterado por causa da droga e queria se matar. Chegamos no local, ele estava com uma faca no pescoço. Abrimos negociação para ele se entregar e isso durou 30 minutos. Os guardas viram que a ação poderia se agravar e pediram que trouxessem o taser. Quando viu a arma, jogou a faca no chão e disse que não iria tomar choque”, relatou.

 

FALTA INTERESSE

Na região, apenas a Prefeitura de Mauá demonstrou interesse na utilização desse tipo de armamento, mas não há prazo para a aquisição dos equipamentos.

 

São Bernardo informou que no início da atual gestão, em 2009, havia projeto da administração anterior para adquirir 60 tasers. Entretanto, foi solicitado à Secretaria Nacional de Segurança Pública que substituísse as armas por coletes à prova de bala.

 

 

Termo ‘não letal’ precisa ser revisto

A morte do estudante brasileiro Roberto Curti, de 21 anos, por disparos de armas de choque, em Sidney, Austrália, gerou discussão sobre a utilização do equipamento. Para o especialista em segurança pública José Vicente da Silva Filho, não é correto utilizar o termo não letal para este tipo de armamento.

“As políticas internacionais de segurança entendem que o taser é menos letal, porque qualquer arma pode matar, dependendo a forma como é utilizada”, explicou.

 

Para José Vicente, é necessário treinamento e adequação ao uso da arma, para não acontecer tragédias como a do jovem morto na Austrália. “A utilização indevida pode ser letal. No caso do brasileiro, quatro pessoas atiraram ao mesmo tempo. Com apenas um disparo, a possibilidade de morte é rara.”

 

As armas usadas em Diadema possuem carga de 50 mil volts e amperagem de 0,36 miliamperes. “É baixa, semelhante a você colocar o dedo na tomada”, disse o especialista.

 

A carga de choque tem duração de por quatro segundos a cada disparo. A arma funciona de duas maneiras: pelo contato ou por dardos que criam corrente elétrica e são lançados a longa distância. Ao ser atingida, a pessoa tem o sistema nervoso central afetado, impedindo as funções voluntárias, que são movimentos de braços e pernas. As características vitais como sistema cardíaco, respiratório e mental, são preservados.

 

Existem várias restrições ao uso do equipamento, que são passadas por técnicos autorizados em treinamentos antes da utilização da arma.

“Na função de conter e dominar uma pessoa, o uso deste tipo de armamento é o mais seguro”, afirmou José Vicente.

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