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Bob Dylan e o Nobel: para ficar na história

Divulgação  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Compositor norte-americano Bob Dylan
vence maior prêmio de literatura este ano


Vinícius Castelli

14/10/2016 | 07:00


 Por meio de canções sua poesia tem influenciado gerações desde os anos 1960. Não faltam categorias para se referir a Bob Dylan. Cantor, compositor, poeta e pintor, o norte-americano de 75 anos, que despertou profundo interesse em figuras como o guitarrista Jimi Hendrix (1942-1970), foi escolhido o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 2016.

O anúncio foi feito ontem em Estocolmo, por Sara Danius, secretária permanente da Academia Real da Suécia, responsável por escolher o ganhador. Esta é a primeira vez que um compositor leva a premiação. Nascido em 1941, Dylan, que já soma mais de cinco décadas no universo musical – o álbum de estreia saiu em 1962 –, também escreveu livros, como Tarântula e Writings and Drawings.

O anúncio foi recebido na Suécia entre gritos e palmas. Segundo Sara, a escolha de um músico foi por Dylan “criar novas expressões poéticas dentro da grande tradição da música norte-americana.” Além do Nobel de Literatura, Dylan soma Grammys, Globo de Ouro, Oscar (por Things Have Changed, tema do filme Garotos Incríveis) e até um Pulitzer, além de um Príncipe das Astúrias das Artes.

Fabiano Calixto, poeta e escritor de Santo André, acha a premiação do compositor válida “pelo conjunto de sua obra, que é um patrimônio poético da humanidade”. Segundo ele, é “o ‘cara’ que guiou gerações com sua poesia (cantada, sim, e daí?), um dos nomes fortes da grande contracultura norte-americana que ajudou a fazer deste mundo um lugar menos insuportável para se viver. E, ainda, é a premiação da poesia – e sua vingança, de algum modo –, que fica sempre relegada à turma do fundão”, diz.

Segundo Ana Maria, coordenadora da Academia Popular de Letras de São Caetano, a notícia do nome do compositor é interessante. Ela diz que não se pode falar que Dylan não tenha produção rica. “O conteúdo retrata gerações”, explica. Ana diz ainda que “o fato de ter sido um artista com foco na música pode gerar controvérsias, mas o compositor não deixa de ser um poeta. Esse prêmio é bom, vai gerar discussões, vai somar”, reflete.

O poeta e escritor andreense Helio Neri também vê com bons olhos a nomeação de Dylan. “Penso até que sai um pouco dos padrões para premiações tipo Nobel”, explica. Ele acredita que, pelo fato de o ganhador ter sido um compositor, talvez seja chance de “abranger uma literatura menos cheia de regras e mais composta de vida”.

Quem levou o prêmio em 2015 foi a autora e jornalista da Bielorrússia Svetlana Alexievich, com críticas no regime da União Soviética e agora ao governo russo. Em 2014, o nomeado foi o francês Patrick Modiano.



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Bob Dylan e o Nobel: para ficar na história

Compositor norte-americano Bob Dylan
vence maior prêmio de literatura este ano

Vinícius Castelli

14/10/2016 | 07:00


 Por meio de canções sua poesia tem influenciado gerações desde os anos 1960. Não faltam categorias para se referir a Bob Dylan. Cantor, compositor, poeta e pintor, o norte-americano de 75 anos, que despertou profundo interesse em figuras como o guitarrista Jimi Hendrix (1942-1970), foi escolhido o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 2016.

O anúncio foi feito ontem em Estocolmo, por Sara Danius, secretária permanente da Academia Real da Suécia, responsável por escolher o ganhador. Esta é a primeira vez que um compositor leva a premiação. Nascido em 1941, Dylan, que já soma mais de cinco décadas no universo musical – o álbum de estreia saiu em 1962 –, também escreveu livros, como Tarântula e Writings and Drawings.

O anúncio foi recebido na Suécia entre gritos e palmas. Segundo Sara, a escolha de um músico foi por Dylan “criar novas expressões poéticas dentro da grande tradição da música norte-americana.” Além do Nobel de Literatura, Dylan soma Grammys, Globo de Ouro, Oscar (por Things Have Changed, tema do filme Garotos Incríveis) e até um Pulitzer, além de um Príncipe das Astúrias das Artes.

Fabiano Calixto, poeta e escritor de Santo André, acha a premiação do compositor válida “pelo conjunto de sua obra, que é um patrimônio poético da humanidade”. Segundo ele, é “o ‘cara’ que guiou gerações com sua poesia (cantada, sim, e daí?), um dos nomes fortes da grande contracultura norte-americana que ajudou a fazer deste mundo um lugar menos insuportável para se viver. E, ainda, é a premiação da poesia – e sua vingança, de algum modo –, que fica sempre relegada à turma do fundão”, diz.

Segundo Ana Maria, coordenadora da Academia Popular de Letras de São Caetano, a notícia do nome do compositor é interessante. Ela diz que não se pode falar que Dylan não tenha produção rica. “O conteúdo retrata gerações”, explica. Ana diz ainda que “o fato de ter sido um artista com foco na música pode gerar controvérsias, mas o compositor não deixa de ser um poeta. Esse prêmio é bom, vai gerar discussões, vai somar”, reflete.

O poeta e escritor andreense Helio Neri também vê com bons olhos a nomeação de Dylan. “Penso até que sai um pouco dos padrões para premiações tipo Nobel”, explica. Ele acredita que, pelo fato de o ganhador ter sido um compositor, talvez seja chance de “abranger uma literatura menos cheia de regras e mais composta de vida”.

Quem levou o prêmio em 2015 foi a autora e jornalista da Bielorrússia Svetlana Alexievich, com críticas no regime da União Soviética e agora ao governo russo. Em 2014, o nomeado foi o francês Patrick Modiano.

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