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Venda de fatia da Petrobras na Braskem é bem recebida na região

Claudinei Plaza/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Para prefeito de Mauá, alteração societária
dará mais autonomia para os investimentos


Fábio Munhoz
Do Diário do Grande ABC

14/01/2016 | 07:00


A notícia de que a Petrobras estaria interessada em vender sua participação no controle acionário da Braskem foi bem recebida na região. A informação sobre a transação, que ainda não teve confirmação oficial, foi publicada ontem pelo jornal Folha de S.Paulo. A empresa é a principal integrante do Polo Petroquímico de Capuava, responsável por cerca de 60% da arrecadação tributária de Mauá e 30% da de Santo André.

A Petrobras possui aproximadamente 36% das ações da Braskem, o equivalente a R$ 5,8 bilhões do total. Hoje, o valor de mercado da petroquímica é de quase R$ 16,2 bilhões. A transação teria como objetivo levantar recursos para a estatal, que está com a arrecadação comprometida em razão da queda no preço do barril de petróleo, de quase 80% desde junho de 2008, quando era vendido por US$ 140,31. Atualmente, a commodity está cotada em US$ 30,21.

Presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC e prefeito de Mauá, Donisete Braga (PT) considera a notícia como positiva. “Vai ser um fato importante, porque a empresa terá independência e vai consolidar os negócios dela na nossa cidade.” O chefe do Executivo avalia que, com a confirmação da venda, “os executivos (da Braskem) vão traçar plano de expansão, investimento e consolidação”.

Donisete considera que a decisão, se concretizada, pode atrair mais aportes para a Braskem, principalmente pela desvinculação à imagem da Petrobras, o que pode inclusive, gerar mais empregos. A estatal está no centro das investigações da Operação Lava Jato e, desde 2010, teve desvalorização superior a 80% nas ações da BM&FBovespa em seis anos. Um dos papéis preferenciais (PETR4) chegou a ser cotado a R$ 31,66 em janeiro de 2010. Ontem, era negociado por R$ 5,70 – 82% a menos.

O problema, entretanto, é que outra acionista da Braskem é a Odebrecht – empresa que também está envolvida na Lava Jato e cujo dono, Marcelo Odebrecht, está preso na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba (Paraná). O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) também possui fatia da Braskem e, por ser uma empresa pública, sofre com os cortes no orçamento provocados pelo ajuste fiscal.

Não se sabe ainda quem deve ficar com a parte da Petrobras. Especula-se que a canadense gestora de recursos Brookfield, que já possui atuação no segmento em outros países, estaria interessada.

O economista Agostinho Pascalicchio, professor da Universidade Mackenzie e doutorando na área de Energia, também considera que a mudança na estrutura societária da Braskem é positiva. “Principalmente para a Petrobras, que está em processo de reestruturação de caixa e tem compromissos (financeiros) muito grandes, que envolvem, inclusive, mudança na distribuição dos royalties (do petróleo). Isso significa alterar um pouco a origem dos lucros e, portanto, concentrar o caixa estritamente na sua atividade (principal).” Ao mesmo tempo, acrescenta o especialista, a estatal “obtém recursos para fazer frente a este ano” e evitar que suas ações caiam ainda mais.

Em relação à Braskem, especificamente, Pascalicchio avalia, a princípio, a transação como “indiferente”. “O mercado deles está garantido. O planejamento e o plano de negócios da empresa estão muito bem e eles conhecem plenamente o mercado em que atuam. Não deve surtir efeito negativo.” Ele acrescenta que a alteração societária deverá ser supervisionada pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e que, por esse motivo, será feita de maneira transparente.

O presidente do Sindicato dos Químicos do ABC, Raimundo Suzart, segue a mesma linha, de que a região não deverá ser afetada negativamente pelas mudanças. “Essas especulações vêm desde o ano passado. Como não se trata de uma alteração no controle majoritário, acredito que não há riscos para os trabalhadores”, opina.

Procuradas pelo Diário, Braskem e Petrobras disseram que não iriam se manifestar.

ACORDO

Após quase três anos de negociação, as duas empresas assinaram em dezembro acordo para o fornecimento de nafta – matéria-prima básica utilizada na produção da Braskem. O contrato tem validade de cinco anos e garante a continuidade do polo do Grande ABC.

Caso não fosse renovado, estariam ameaçados 31 mil empregos na região, com o fechamento das fábricas da petroquímica.   



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Venda de fatia da Petrobras na Braskem é bem recebida na região

Para prefeito de Mauá, alteração societária
dará mais autonomia para os investimentos

Fábio Munhoz
Do Diário do Grande ABC

14/01/2016 | 07:00


A notícia de que a Petrobras estaria interessada em vender sua participação no controle acionário da Braskem foi bem recebida na região. A informação sobre a transação, que ainda não teve confirmação oficial, foi publicada ontem pelo jornal Folha de S.Paulo. A empresa é a principal integrante do Polo Petroquímico de Capuava, responsável por cerca de 60% da arrecadação tributária de Mauá e 30% da de Santo André.

A Petrobras possui aproximadamente 36% das ações da Braskem, o equivalente a R$ 5,8 bilhões do total. Hoje, o valor de mercado da petroquímica é de quase R$ 16,2 bilhões. A transação teria como objetivo levantar recursos para a estatal, que está com a arrecadação comprometida em razão da queda no preço do barril de petróleo, de quase 80% desde junho de 2008, quando era vendido por US$ 140,31. Atualmente, a commodity está cotada em US$ 30,21.

Presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC e prefeito de Mauá, Donisete Braga (PT) considera a notícia como positiva. “Vai ser um fato importante, porque a empresa terá independência e vai consolidar os negócios dela na nossa cidade.” O chefe do Executivo avalia que, com a confirmação da venda, “os executivos (da Braskem) vão traçar plano de expansão, investimento e consolidação”.

Donisete considera que a decisão, se concretizada, pode atrair mais aportes para a Braskem, principalmente pela desvinculação à imagem da Petrobras, o que pode inclusive, gerar mais empregos. A estatal está no centro das investigações da Operação Lava Jato e, desde 2010, teve desvalorização superior a 80% nas ações da BM&FBovespa em seis anos. Um dos papéis preferenciais (PETR4) chegou a ser cotado a R$ 31,66 em janeiro de 2010. Ontem, era negociado por R$ 5,70 – 82% a menos.

O problema, entretanto, é que outra acionista da Braskem é a Odebrecht – empresa que também está envolvida na Lava Jato e cujo dono, Marcelo Odebrecht, está preso na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba (Paraná). O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) também possui fatia da Braskem e, por ser uma empresa pública, sofre com os cortes no orçamento provocados pelo ajuste fiscal.

Não se sabe ainda quem deve ficar com a parte da Petrobras. Especula-se que a canadense gestora de recursos Brookfield, que já possui atuação no segmento em outros países, estaria interessada.

O economista Agostinho Pascalicchio, professor da Universidade Mackenzie e doutorando na área de Energia, também considera que a mudança na estrutura societária da Braskem é positiva. “Principalmente para a Petrobras, que está em processo de reestruturação de caixa e tem compromissos (financeiros) muito grandes, que envolvem, inclusive, mudança na distribuição dos royalties (do petróleo). Isso significa alterar um pouco a origem dos lucros e, portanto, concentrar o caixa estritamente na sua atividade (principal).” Ao mesmo tempo, acrescenta o especialista, a estatal “obtém recursos para fazer frente a este ano” e evitar que suas ações caiam ainda mais.

Em relação à Braskem, especificamente, Pascalicchio avalia, a princípio, a transação como “indiferente”. “O mercado deles está garantido. O planejamento e o plano de negócios da empresa estão muito bem e eles conhecem plenamente o mercado em que atuam. Não deve surtir efeito negativo.” Ele acrescenta que a alteração societária deverá ser supervisionada pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e que, por esse motivo, será feita de maneira transparente.

O presidente do Sindicato dos Químicos do ABC, Raimundo Suzart, segue a mesma linha, de que a região não deverá ser afetada negativamente pelas mudanças. “Essas especulações vêm desde o ano passado. Como não se trata de uma alteração no controle majoritário, acredito que não há riscos para os trabalhadores”, opina.

Procuradas pelo Diário, Braskem e Petrobras disseram que não iriam se manifestar.

ACORDO

Após quase três anos de negociação, as duas empresas assinaram em dezembro acordo para o fornecimento de nafta – matéria-prima básica utilizada na produção da Braskem. O contrato tem validade de cinco anos e garante a continuidade do polo do Grande ABC.

Caso não fosse renovado, estariam ameaçados 31 mil empregos na região, com o fechamento das fábricas da petroquímica.   

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