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Economia

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Leone Farias, o repórter camaleão


Soraia Abreu Pedrozo
Do Diário do Grande ABC

09/01/2016 | 07:05


Leone Farias fazia de tudo um pouco na editoria. Discorria por todos os temas com sabedoria, como ninguém. Embora especializado na cobertura dos setores automotivo e petroquímico, além de contar histórias de sucesso de empresas da região e escrever com maestria sobre emprego e questões sindicais, era muito querido pelos empresários do Grande ABC, que sempre elogiavam suas matérias e perguntavam por ele quando não participava de alguma cobertura. Era muito estimado pelos assessores de imprensa também, justamente por ser uma pessoa tão correta e profissional exemplar. Sua última grande cobertura foi no México, em novembro, em que merecidamente foi escolhido pelo jornal para representá-lo, a convite da Braskem, e conhecer as novas instalações da gigante brasileira. De lá, Leone surpreendeu a todos, e recebeu muitas congratulações por isso. Ele conseguiu furo de reportagem que rendeu manchete extremamente comentada, de que a petroquímica poderia fechar as portas no Grande ABC caso o acordo de fornecimento de nafta com a Petrobras não fosse renovado. Destaque também para entrevista exclusiva que fez em setembro com o presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos), Luiz Moan, aqui no Diário. Isso é para poucos e respeitados profissionais. Um dos termos que mais gostava que ele usasse, que deixava a reportagem saborosa, era “a indústria automobilística vê o ano passado (por exemplo) pelo retrovisor, sem saudade”, referindo-se ao fato de que aquele período tinha sido ruim. Neste caso, inverto a relação da expressão, pois nós veremos pelo retrovisor muitos dos momentos inesquecíveis que vivemos com ele na Redação, e com muita, mas muita saudade.


Homenagem dos ilustradores Seri e Fernandes

 

Sua calma e voz baixa farão muita falta 

Quando cheguei à Redação do Diário, em junho de 2005, como um novato e nervoso repórter de Política, ele já estava lá, como uma referência na editoria de Economia. Ele era uma daquelas unanimidades quando havia qualquer assunto sobre sua área. Unanimidade também como ser humano, pela sua retidão e caráter. Seu jeito pacato e de voz baixa rendia momentos de descontração na nossa Redação. Com frequência, arrancava dele alguma gargalhada quando, ao passar por sua mesa, perguntava como conseguia ser tão calmo mesmo naquela agitação do fechamento. Eu dizia que o mundo poderia cair à sua volta e ele permaneceria ali, intacto. E ele se divertia muito com isso. Sua calma fará falta. Obrigado por tudo, Leone.

(Sérgio Vieira, diretor de Redação, trabalhou dez anos e meio com o Leone)


Competente, divertido e inteligente, ele era a enciclopédia e o alicerce da editoria de Economia

Pense em uma pessoa muito do bem, que sempre estava sorrindo, de fala bem mansa, pronto a jogar uma conversa fora a qualquer hora do dia para descontrair, além de ser extremamente competente, inteligente e companheiro. Assim era o repórter Leone Farias, o melhor colega que pude ter no Diário do Grande ABC. Desde o dia em que comecei no jornal, em agosto de 2008, me sentei ao lado dele e, de lá para cá, nas tantas mudanças físicas pelas quais a Redação passou, sempre nos mantiveram lado a lado. Ele bem mais experiente do que eu, com seus 40 e poucos anos, eu com 20 e poucos. Ele já superconhecido e admirado no jornalismo do Grande ABC, tanto por fontes quanto por colegas, e eu novata na região, vinda de São Paulo. Não bobeei. Absorvi tudo o que podia em conhecimento generosamente repassado pelo Leone. Profissionalmente, ele foi a pessoa que mais me ajudou desde que entrei no Diário. Me apresentou todas as suas fontes, ajudou com o tom e a linguagem das matérias e ensinou a fazer os tão temidos indicadores econômicos – o que ele fazia com todos que entravam, sem exceção, E sempre mostrávamos um para o outro antes os títulos dos textos antes de liberarmos ao editor. Sarrista, Leone me chamava de setorista do Impostômetro, que cobria sempre. E, nesses sete anos, parei de me assustar com os espirros superaltos que ele dava. Me acostumei.

Tanta convivência fez com que desenvolvêssemos laço de amizade que ultrapassava os assuntos jornalísticos. Conversávamos diariamente sobre questões pessoais, familiares, sobre notícias absurdas que eram publicadas na internet. Falávamos sobre receitas – ele sempre cozinhava muito em sua casa e inovava com ingredientes naturebas, já eu, ainda com repertório bem mais simples, contava feliz os pratos que fazia; sobre o Lucas, seu filho – suas evoluções na escola, seu crescimento, o drama do vídeogame e o sonho de ter uma cachorrinha – e enteadas – assim como ele tem a Carol, eu tenho a Alícia; sobre sempre estar sem grana e como tudo custa muito caro; sobre nossos irmãos ‘bem-sucedidos’; sobre nossas avós estarem velinhas, e nosso amor por elas; sobre os planos de viagens de férias – férias, aliás, que ele gozava agora neste mês, e nos próximos dias iria para Maragogi (Alagoas) com a família.

Dávamos risada das coisas realmente engraçadas e também das tristezas, a fim de amenizá-las. Era um combustível para o dia a dia. Sempre falávamos: “Não é fácil, não”, e ríamos em seguida. Às vezes escandalosamente. Às vezes brigávamos também, “normal”, como dizia ele. Mas logo nos desculpávamos e voltávamos a conversar.

Leone era dedicado em tudo o que fazia. E tinha um texto exemplar. Todos os editores que tivemos o adoravam, por seu profissionalismo e competência. Mesmo nós, colegas, sempre dizíamos no plantão: “Editar texto do Leone é um presente, uma maravilha”, pois raramente tinha erros e eram extremamente bem escritos. Quando assumi Economia, em 2013, ele ainda seguiu me ajudando, pois eu sabia ser repórter, não editora. Conversávamos sobre a relevância das matérias no caderno e o melhor enfoque para elas. Cometi alguns escorregões em que ele me puxou a orelha, com razão. A experiência do Leone sempre foi o alicerce da nossa editoria. Os dias que virão não serão nada fáceis, mas vamos fazer jus ao legado que ele tão brevemente nos deixou.

Hoje, a mais absurda das notícias está sendo publicada nas páginas em que o Leone escreveu melhor que ninguém por quase 18 anos, que seriam completados em abril. Uma morte tão cruel para uma pessoa tão maravilhosa. Incompreensível. E a fatalidade se deu enquanto ele praticava um de seus hobbies favoritos, pedalar. Desde que sofreu infarto há quase três anos, ele mudou seu estilo de vida e passou a praticar esportes, como o ciclismo e a natação. E contava com alegria cada novo acessório que comprava para usar com sua bike.

Prefiro lembrar dele como essa pessoa iluminada, alegre e companheira. Meu consolo é que o céu está em festa. E, apesar da tragédia que o levou, certamente ele propagará o bem e seu bom humor onde estiver.

(Soraia Abreu Pedrozo, editora de Economia, trabalhou sete anos com o Leone)


Nos jantares no jornal, mostrava seu lado B

A primeira vez que coloquei meus pés na Redação do Diário, em 2006, me deparei com grandes profissionais na editoria de Economia, da qual fiz parte por seis anos. Entre eles, Leone Farias. Desde o primeiro momento, ele sempre estendeu as mãos e me ajudou em diferentes matérias, revisava minhas contas e tabelas, com muito bom humor. Nunca deixou de passar uma fonte de sua agenda para ajudar os colegas na apuração dos fatos. Nunca negou espalhar seu conhecimento. Ao longo dos anos em que trabalhamos juntos, Leone se tornou meu amigo. Desses que ligam ou mandam mensagem apenas para saber como eu estava. Entre tantas vezes que almoçamos ou jantamos juntos, ele sempre mostrou o seu lado B, de pai amoroso, marido atencioso e desbravador de receitas na cozinha de sua casa. As experiências eram compartilhadas com alegria entre seus amigos. A partir de hoje a Redação perde um pouco do seu brilho, mas perdemos muito mais em relação ao amigo. Ele era e continua sendo exemplo de profissional e pessoa. Sentirei falta de suas risadas gostosas no meio da tarde, da sua amizade. Vá em paz, companheiro.

(Tauana Marin, hoje repórter do Diarinho, trabalhou seis anos com o Leone)


Prestativo, paciente, bom amigo e ouvinte

Nos pouco mais de cinco anos de trabalho no Diário, este é um dos textos mais difíceis que já escrevi. É difícil e doloroso escrever sobre a partida precoce e trágica de um nobre colega. Mais que isso, um amigo. Um jornalista respeitável, prestativo e com grande paciência e experiência para ensinar os mais jovens, como eu.

Como pessoa, o Leone – ou Leônidas, como eu o chamava carinhosamente – era igualmente valioso. Bom amigo e ouvinte, sempre com uma dica positiva para situações corriqueiras. Fazia os problemas parecerem pequenos, ainda que fossem desesperadores em um primeiro momento.

Com seu jeito tímido, cativou a todos. Uma das últimas vezes em que estivemos juntos foi em uma confraternização de Natal, onde esteve acompanhado da família. Um momento feliz e com boas risadas. E é assim que devemos lembrar dele. Sempre com a leveza e o sorriso que lhe eram característicos.

(Fábio Munhoz, repórter de Economia, trabalhou quase um ano com o Leone)


Amigo e companheiro das coletivas da Anfavea

Toda vez que nos encontrávamos era a mesma coisa. Aquele sorriso de lado, que só ele tinha. Seguido de vagaroso e calmo cumprimento. Lado a lado, acompanhávamos a tradicional coletiva da Anfavea. Todo começo de mês, religiosamente. Ele comia quase todo o potinho de balas que ficava em cima da mesa, reclamava da demora para chegar a hora do almoço e fazia duas perguntas na coletiva. Sempre. As perguntas normalmente eram parecidas e tinham de encaixar o Grande ABC de alguma forma naquele contexto de vendas de veículos. Depois do ritual, íamos comer. Nos entendíamos no olhar quando alguém que não simpatizávamos muito sentava à mesa conosco e ríamos baixinho. Sempre contava das tiradas do Lucas e das mudanças na vida da Carol, seus amados filhos. Falava da Silvia, de como ela trabalhava muito. Dizia que estava aprimorando o inglês e que queria falar outras línguas. Oras, para quê? Se ele sempre foi o melhor em se fazer entender sem sequer pronunciar uma palavra, só com o olhar. Ele me ouvia reclamar e dava com os ombros. Ria e dizia: a vida é assim mesmo, mas sempre há fins de semana sem plantão. Pois foi numa sexta-feira que ele nos deixou. Aproveite o fim de semana de folga, meu amigo.

(Michele Loureiro, ex-repórter de Economia do Diário, trabalhou quatro anos com o Leone)
 



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Leone Farias, o repórter camaleão

Soraia Abreu Pedrozo
Do Diário do Grande ABC

09/01/2016 | 07:05


Leone Farias fazia de tudo um pouco na editoria. Discorria por todos os temas com sabedoria, como ninguém. Embora especializado na cobertura dos setores automotivo e petroquímico, além de contar histórias de sucesso de empresas da região e escrever com maestria sobre emprego e questões sindicais, era muito querido pelos empresários do Grande ABC, que sempre elogiavam suas matérias e perguntavam por ele quando não participava de alguma cobertura. Era muito estimado pelos assessores de imprensa também, justamente por ser uma pessoa tão correta e profissional exemplar. Sua última grande cobertura foi no México, em novembro, em que merecidamente foi escolhido pelo jornal para representá-lo, a convite da Braskem, e conhecer as novas instalações da gigante brasileira. De lá, Leone surpreendeu a todos, e recebeu muitas congratulações por isso. Ele conseguiu furo de reportagem que rendeu manchete extremamente comentada, de que a petroquímica poderia fechar as portas no Grande ABC caso o acordo de fornecimento de nafta com a Petrobras não fosse renovado. Destaque também para entrevista exclusiva que fez em setembro com o presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos), Luiz Moan, aqui no Diário. Isso é para poucos e respeitados profissionais. Um dos termos que mais gostava que ele usasse, que deixava a reportagem saborosa, era “a indústria automobilística vê o ano passado (por exemplo) pelo retrovisor, sem saudade”, referindo-se ao fato de que aquele período tinha sido ruim. Neste caso, inverto a relação da expressão, pois nós veremos pelo retrovisor muitos dos momentos inesquecíveis que vivemos com ele na Redação, e com muita, mas muita saudade.


Homenagem dos ilustradores Seri e Fernandes

 

Sua calma e voz baixa farão muita falta 

Quando cheguei à Redação do Diário, em junho de 2005, como um novato e nervoso repórter de Política, ele já estava lá, como uma referência na editoria de Economia. Ele era uma daquelas unanimidades quando havia qualquer assunto sobre sua área. Unanimidade também como ser humano, pela sua retidão e caráter. Seu jeito pacato e de voz baixa rendia momentos de descontração na nossa Redação. Com frequência, arrancava dele alguma gargalhada quando, ao passar por sua mesa, perguntava como conseguia ser tão calmo mesmo naquela agitação do fechamento. Eu dizia que o mundo poderia cair à sua volta e ele permaneceria ali, intacto. E ele se divertia muito com isso. Sua calma fará falta. Obrigado por tudo, Leone.

(Sérgio Vieira, diretor de Redação, trabalhou dez anos e meio com o Leone)


Competente, divertido e inteligente, ele era a enciclopédia e o alicerce da editoria de Economia

Pense em uma pessoa muito do bem, que sempre estava sorrindo, de fala bem mansa, pronto a jogar uma conversa fora a qualquer hora do dia para descontrair, além de ser extremamente competente, inteligente e companheiro. Assim era o repórter Leone Farias, o melhor colega que pude ter no Diário do Grande ABC. Desde o dia em que comecei no jornal, em agosto de 2008, me sentei ao lado dele e, de lá para cá, nas tantas mudanças físicas pelas quais a Redação passou, sempre nos mantiveram lado a lado. Ele bem mais experiente do que eu, com seus 40 e poucos anos, eu com 20 e poucos. Ele já superconhecido e admirado no jornalismo do Grande ABC, tanto por fontes quanto por colegas, e eu novata na região, vinda de São Paulo. Não bobeei. Absorvi tudo o que podia em conhecimento generosamente repassado pelo Leone. Profissionalmente, ele foi a pessoa que mais me ajudou desde que entrei no Diário. Me apresentou todas as suas fontes, ajudou com o tom e a linguagem das matérias e ensinou a fazer os tão temidos indicadores econômicos – o que ele fazia com todos que entravam, sem exceção, E sempre mostrávamos um para o outro antes os títulos dos textos antes de liberarmos ao editor. Sarrista, Leone me chamava de setorista do Impostômetro, que cobria sempre. E, nesses sete anos, parei de me assustar com os espirros superaltos que ele dava. Me acostumei.

Tanta convivência fez com que desenvolvêssemos laço de amizade que ultrapassava os assuntos jornalísticos. Conversávamos diariamente sobre questões pessoais, familiares, sobre notícias absurdas que eram publicadas na internet. Falávamos sobre receitas – ele sempre cozinhava muito em sua casa e inovava com ingredientes naturebas, já eu, ainda com repertório bem mais simples, contava feliz os pratos que fazia; sobre o Lucas, seu filho – suas evoluções na escola, seu crescimento, o drama do vídeogame e o sonho de ter uma cachorrinha – e enteadas – assim como ele tem a Carol, eu tenho a Alícia; sobre sempre estar sem grana e como tudo custa muito caro; sobre nossos irmãos ‘bem-sucedidos’; sobre nossas avós estarem velinhas, e nosso amor por elas; sobre os planos de viagens de férias – férias, aliás, que ele gozava agora neste mês, e nos próximos dias iria para Maragogi (Alagoas) com a família.

Dávamos risada das coisas realmente engraçadas e também das tristezas, a fim de amenizá-las. Era um combustível para o dia a dia. Sempre falávamos: “Não é fácil, não”, e ríamos em seguida. Às vezes escandalosamente. Às vezes brigávamos também, “normal”, como dizia ele. Mas logo nos desculpávamos e voltávamos a conversar.

Leone era dedicado em tudo o que fazia. E tinha um texto exemplar. Todos os editores que tivemos o adoravam, por seu profissionalismo e competência. Mesmo nós, colegas, sempre dizíamos no plantão: “Editar texto do Leone é um presente, uma maravilha”, pois raramente tinha erros e eram extremamente bem escritos. Quando assumi Economia, em 2013, ele ainda seguiu me ajudando, pois eu sabia ser repórter, não editora. Conversávamos sobre a relevância das matérias no caderno e o melhor enfoque para elas. Cometi alguns escorregões em que ele me puxou a orelha, com razão. A experiência do Leone sempre foi o alicerce da nossa editoria. Os dias que virão não serão nada fáceis, mas vamos fazer jus ao legado que ele tão brevemente nos deixou.

Hoje, a mais absurda das notícias está sendo publicada nas páginas em que o Leone escreveu melhor que ninguém por quase 18 anos, que seriam completados em abril. Uma morte tão cruel para uma pessoa tão maravilhosa. Incompreensível. E a fatalidade se deu enquanto ele praticava um de seus hobbies favoritos, pedalar. Desde que sofreu infarto há quase três anos, ele mudou seu estilo de vida e passou a praticar esportes, como o ciclismo e a natação. E contava com alegria cada novo acessório que comprava para usar com sua bike.

Prefiro lembrar dele como essa pessoa iluminada, alegre e companheira. Meu consolo é que o céu está em festa. E, apesar da tragédia que o levou, certamente ele propagará o bem e seu bom humor onde estiver.

(Soraia Abreu Pedrozo, editora de Economia, trabalhou sete anos com o Leone)


Nos jantares no jornal, mostrava seu lado B

A primeira vez que coloquei meus pés na Redação do Diário, em 2006, me deparei com grandes profissionais na editoria de Economia, da qual fiz parte por seis anos. Entre eles, Leone Farias. Desde o primeiro momento, ele sempre estendeu as mãos e me ajudou em diferentes matérias, revisava minhas contas e tabelas, com muito bom humor. Nunca deixou de passar uma fonte de sua agenda para ajudar os colegas na apuração dos fatos. Nunca negou espalhar seu conhecimento. Ao longo dos anos em que trabalhamos juntos, Leone se tornou meu amigo. Desses que ligam ou mandam mensagem apenas para saber como eu estava. Entre tantas vezes que almoçamos ou jantamos juntos, ele sempre mostrou o seu lado B, de pai amoroso, marido atencioso e desbravador de receitas na cozinha de sua casa. As experiências eram compartilhadas com alegria entre seus amigos. A partir de hoje a Redação perde um pouco do seu brilho, mas perdemos muito mais em relação ao amigo. Ele era e continua sendo exemplo de profissional e pessoa. Sentirei falta de suas risadas gostosas no meio da tarde, da sua amizade. Vá em paz, companheiro.

(Tauana Marin, hoje repórter do Diarinho, trabalhou seis anos com o Leone)


Prestativo, paciente, bom amigo e ouvinte

Nos pouco mais de cinco anos de trabalho no Diário, este é um dos textos mais difíceis que já escrevi. É difícil e doloroso escrever sobre a partida precoce e trágica de um nobre colega. Mais que isso, um amigo. Um jornalista respeitável, prestativo e com grande paciência e experiência para ensinar os mais jovens, como eu.

Como pessoa, o Leone – ou Leônidas, como eu o chamava carinhosamente – era igualmente valioso. Bom amigo e ouvinte, sempre com uma dica positiva para situações corriqueiras. Fazia os problemas parecerem pequenos, ainda que fossem desesperadores em um primeiro momento.

Com seu jeito tímido, cativou a todos. Uma das últimas vezes em que estivemos juntos foi em uma confraternização de Natal, onde esteve acompanhado da família. Um momento feliz e com boas risadas. E é assim que devemos lembrar dele. Sempre com a leveza e o sorriso que lhe eram característicos.

(Fábio Munhoz, repórter de Economia, trabalhou quase um ano com o Leone)


Amigo e companheiro das coletivas da Anfavea

Toda vez que nos encontrávamos era a mesma coisa. Aquele sorriso de lado, que só ele tinha. Seguido de vagaroso e calmo cumprimento. Lado a lado, acompanhávamos a tradicional coletiva da Anfavea. Todo começo de mês, religiosamente. Ele comia quase todo o potinho de balas que ficava em cima da mesa, reclamava da demora para chegar a hora do almoço e fazia duas perguntas na coletiva. Sempre. As perguntas normalmente eram parecidas e tinham de encaixar o Grande ABC de alguma forma naquele contexto de vendas de veículos. Depois do ritual, íamos comer. Nos entendíamos no olhar quando alguém que não simpatizávamos muito sentava à mesa conosco e ríamos baixinho. Sempre contava das tiradas do Lucas e das mudanças na vida da Carol, seus amados filhos. Falava da Silvia, de como ela trabalhava muito. Dizia que estava aprimorando o inglês e que queria falar outras línguas. Oras, para quê? Se ele sempre foi o melhor em se fazer entender sem sequer pronunciar uma palavra, só com o olhar. Ele me ouvia reclamar e dava com os ombros. Ria e dizia: a vida é assim mesmo, mas sempre há fins de semana sem plantão. Pois foi numa sexta-feira que ele nos deixou. Aproveite o fim de semana de folga, meu amigo.

(Michele Loureiro, ex-repórter de Economia do Diário, trabalhou quatro anos com o Leone)
 

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