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Caio Blat recusou comédia por papel de idealista


Adriana Baffa
Da TV Press

11/05/2006 | 07:59


Caio Blat se cansou de ser moderninho. Tanto que recusou um papel cômico na contemporânea Cobras & Lagartos, novela das sete da Globo, para entrar na pele do abolicionista Mário, em Sinhá Moça. Preferiu a seriedade da novela de época, ainda mais após ter feito bastante sucesso no papel do maquiador Abelardo Sardinha, de Da Cor do Pecado, de João Emanuel Carneiro, autor também de Cobras. “Queria resgatar um pouco um certo comportamento de época e acabei ficando em Sinhá Moça”, explica. Desde o ano 2000, em Esplendor, novela das seis ambientada nos anos 50, na qual fazia um vilão rebelde no gênero James Dean, Caio só fez comédias em histórias atuais. “É muito arriscado fazer várias novelas e ficar com aquela mesma cara desgastada. Foi uma variação muito legal que eu pude fazer”, argumenta.

Esta situação profissional de Caio, que pode até escolher o papel que vai fazer, é singular para um ator tão jovem. Mas neste caso, os 25 anos de idade não expressam com exatidão sua experiência. “Comecei menino, mas confesso que nem levava isso muito a sério”, diz. Paulistano, começou a carreira em sua cidade natal, trabalhando na TV Cultura, com 12 anos. Aos 14, vieram as novelas no SBT: Éramos Seis, As Pupilas do Senhor Reitor e Fascinação. Aos 18, quando ele pensava em prestar vestibular, surgiu o convite para ir para a Globo com a minissérie Chiquinha Gonzaga. “Posso dizer que isso determinou a minha carreira. Porque, até então, eu estava pensando em estudar Direito”, conta.

Ele até chegou a fazer a faculdade de Direito por um ano. E conta que ter estudado na tradicional Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, no Largo de São Francisco, ajudou muito a compor o personagem Mário, de Sinhá Moça. Filho do fazendeiro Everaldo, papel de Chico Anysio, Mário é abolicionista e estuda Direito na capital, na mesma faculdade que Caio estudou. “Conheci bem a experiência daquele ambiente acadêmico e pude ver como são esses jovens idealistas, interessados na reforma do país”, afirma sobre a faculdade que mantém as tradições da época até hoje. “Até os trotes são tradicionais”.

Para Caio, o mais importante do personagem, no remake de Benedito Ruy Barbosa, é a característica de ousadia e idealismo que carrega. O ator cita um episódio recente na política brasileira, quando o senador cassado Roberto Jefferson levou uma laranjada de alguns estudantes. O cenário: o auditório da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. “Esse clima de desafiar, de idealismo me vem mais forte para compor o Mário”, explica. Segundo ele, nessa época, os jovens idealistas desafiavam uma força ainda muito arcaica, que era a dos senhores de engenho. “E contra essa força brutal, de chicote e facão, eles respondiam com o verbo. Os jovens dessa época usavam a palavra como faca e é por aí que eu venho buscando dar força ao Mário”.

Ligado em questões políticas, Caio Blat diz que procura fazer a sua parte. “Acho que estamos em um momento, no Brasil, em que temos de reinventar a política”. Em 2001, enquanto fazia a novela Um Anjo Caiu do Céu, o ator chegou a se mudar para a favela do Vidigal, Zona Sul do Rio, para ficar mais perto da realidade da comunidade. Foi lá que deu início à uma parceria com o grupo teatral Nós do Morro. Na época, selecionava atores da comunidade para o elenco da peça Êxtase, escrita por Walcyr Carrasco e dirigida por ele. O espetáculo contava a história de dois jovens de classe média que se prostituíam para comprar drogas.


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Caio Blat recusou comédia por papel de idealista

Adriana Baffa
Da TV Press

11/05/2006 | 07:59


Caio Blat se cansou de ser moderninho. Tanto que recusou um papel cômico na contemporânea Cobras & Lagartos, novela das sete da Globo, para entrar na pele do abolicionista Mário, em Sinhá Moça. Preferiu a seriedade da novela de época, ainda mais após ter feito bastante sucesso no papel do maquiador Abelardo Sardinha, de Da Cor do Pecado, de João Emanuel Carneiro, autor também de Cobras. “Queria resgatar um pouco um certo comportamento de época e acabei ficando em Sinhá Moça”, explica. Desde o ano 2000, em Esplendor, novela das seis ambientada nos anos 50, na qual fazia um vilão rebelde no gênero James Dean, Caio só fez comédias em histórias atuais. “É muito arriscado fazer várias novelas e ficar com aquela mesma cara desgastada. Foi uma variação muito legal que eu pude fazer”, argumenta.

Esta situação profissional de Caio, que pode até escolher o papel que vai fazer, é singular para um ator tão jovem. Mas neste caso, os 25 anos de idade não expressam com exatidão sua experiência. “Comecei menino, mas confesso que nem levava isso muito a sério”, diz. Paulistano, começou a carreira em sua cidade natal, trabalhando na TV Cultura, com 12 anos. Aos 14, vieram as novelas no SBT: Éramos Seis, As Pupilas do Senhor Reitor e Fascinação. Aos 18, quando ele pensava em prestar vestibular, surgiu o convite para ir para a Globo com a minissérie Chiquinha Gonzaga. “Posso dizer que isso determinou a minha carreira. Porque, até então, eu estava pensando em estudar Direito”, conta.

Ele até chegou a fazer a faculdade de Direito por um ano. E conta que ter estudado na tradicional Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, no Largo de São Francisco, ajudou muito a compor o personagem Mário, de Sinhá Moça. Filho do fazendeiro Everaldo, papel de Chico Anysio, Mário é abolicionista e estuda Direito na capital, na mesma faculdade que Caio estudou. “Conheci bem a experiência daquele ambiente acadêmico e pude ver como são esses jovens idealistas, interessados na reforma do país”, afirma sobre a faculdade que mantém as tradições da época até hoje. “Até os trotes são tradicionais”.

Para Caio, o mais importante do personagem, no remake de Benedito Ruy Barbosa, é a característica de ousadia e idealismo que carrega. O ator cita um episódio recente na política brasileira, quando o senador cassado Roberto Jefferson levou uma laranjada de alguns estudantes. O cenário: o auditório da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. “Esse clima de desafiar, de idealismo me vem mais forte para compor o Mário”, explica. Segundo ele, nessa época, os jovens idealistas desafiavam uma força ainda muito arcaica, que era a dos senhores de engenho. “E contra essa força brutal, de chicote e facão, eles respondiam com o verbo. Os jovens dessa época usavam a palavra como faca e é por aí que eu venho buscando dar força ao Mário”.

Ligado em questões políticas, Caio Blat diz que procura fazer a sua parte. “Acho que estamos em um momento, no Brasil, em que temos de reinventar a política”. Em 2001, enquanto fazia a novela Um Anjo Caiu do Céu, o ator chegou a se mudar para a favela do Vidigal, Zona Sul do Rio, para ficar mais perto da realidade da comunidade. Foi lá que deu início à uma parceria com o grupo teatral Nós do Morro. Na época, selecionava atores da comunidade para o elenco da peça Êxtase, escrita por Walcyr Carrasco e dirigida por ele. O espetáculo contava a história de dois jovens de classe média que se prostituíam para comprar drogas.

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