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Balança comercial da região atinge maior saldo positivo desde 2012

Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Apesar do resultado, tanto volumes de exportações quanto de importações apresentaram quedas


Gabriel Russini
Especial para o Diário

04/02/2017 | 07:23


A balança comercial do Grande ABC atingiu, pelo segundo ano consecutivo, saldo positivo – isso ocorre quando o volume exportado supera o montante importado. Em 2016, as empresas instaladas na região venderam a outros países o total de US$ 4,569 bilhões, e compraram o equivalente a US$ 3,237 bilhões. Assim, as movimentações geraram superavit de US$ 1,331 bilhão, o maior saldo em cinco anos. O volume supera os montantes registrados de 2012 para cá e encosta no de 2011, com US$ 1,420 bilhão.

Em 2015, a balança ficou positiva em R$ 824,1 milhões. O levantamento foi realizado pelo Diário com base em dados do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio).

Apesar de o resultado ser positivo, não há muito o que comemorar, pois tanto as exportações como as importações caíram, 7,1% e 21%, respectivamente, em relação a 2015. “O número de exportações só foi maior do que o de importações porque o consumo interno diminuiu. Na atual conjuntura, nossa economia está desaquecida. Nossa indústria caiu e, consequentemente, o desemprego aumentou”, explica o diretor do departamento de comércio exterior do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) de São Bernardo, José Rufino. “A situação está longe de ser boa.”

Para o economista Ricardo Balistiero, coordenador do curso de Administração do Instituto Mauá de Tecnologia, a redução nos valores é reflexo direto das turbulências política e econômica. “Em tempos de recessão, a ordem é economizar. Se as pessoas consomem menos, o patrão também terá que apertar os cintos, reduzir custos, cortar funcionários e, obviamente, comprar menos produtos no Exterior.”

Balistiero destaca, entretanto, que apesar da recessão, a indústria automobilística é responsável por grande parte do volume exportado. Na crise, as montadoras buscam redirecionar seus produtos ao mercado externo, na tentativa de compensar a desaceleração do consumo interno. “Por sediar muitas empresas do ramo, o volume de exportações da região costuma ser alto, mas a situação já foi melhor.”

O Grande ABC possui seis montadoras, sendo cinco em São Bernardo (Ford, Mercedes-Benz, Volkswagen, Toyota e Scania) e uma em São Caetano (General Motors).

O que evidencia o cenário de crise é a corrente de comércio, formada pela soma do valor das exportações e importações. No ano passado, houve queda de 13,37% ante 2015, ao passar de US$ 9,010 bilhões para US$ 7,806 bilhões.

Ao analisar as sete cidades da região, apenas Santo André, São Bernardo e Ribeirão Pires fecharam 2016 com superavit. Nas demais, as compras de outros países superaram as vendas ao Exterior.

IMPORTAÇÕES - A Alemanha continua sendo o País que mais vende para o Grande ABC. Entretanto, o valor pago pelas empresas da região aos alemães caiu pelo segundo ano consecutivo. Em 2015, houve queda de 38,9% nas compras do país, e o montante passou de US$ 1,052 bilhão para US$ 643 milhões. No ano passado, houve retração menor, de 13,19%.

Em segundo lugar no ranking das exportações estão os Estados Unidos, que em 2016 arrecadaram US$ 489,9 milhões com os pedidos da região, valor 19,65% menor do que o registrado em 2015, quando os norte-americanos receberam US$ 609,7 milhões.

Assim como em 2015, a China aparece na terceira colocação, com US$ 407,5 bilhões, quantia 21,13% menor da captada em 2015: US$ 516 bilhões.


México alça a posto de 2º maior cliente

Um dos principais parceiros comerciais do Brasil no Exterior, o México, ampliou sua participação no mercado de compradores internacionais do Grande ABC. Pelo segundo ano consecutivo, as exportações feitas por empresas da região a esse país cresceram.

De 2015 para 2016, houve crescimento de 4,19% no valor pago pelos mexicanos, de US$ 393,5 milhões para US$ 410 milhões. A continuidade desse crescimento, porém, pode estar em risco com a posse do republicano Donald Trump, eleito presidente dos Estados Unidos no fim de 2016.

Trump afirmou diversas vezes, em entrevistas coletivas, que pretende aumentar a taxa para os produtos mexicanos entrarem em solo norte-americano, e tal medida pode influenciar negativamente as venda do Brasil, grande parceiro comercial dos mexicanos.

“Ainda é uma incógnita, mas acho que, em caso de protecionismo na economia norte-americana, isso pode se tornar algo positivo, porque outros países estão dispostos a estreitar mais relações conosco, como a China, e até o próprio México. Então ficamos menos dependentes dos Estados Unidos”, comenta o economista Ricardo Balistiero.

O México não só comprou mais das sete cidades como passou os Estados Unidos no ranking de principais parceiros comerciais, e se tornou o segundo país que mais importa do Brasil.

Pelo segundo ano consecutivo, a propósito, o valor desembolsado pelas companhias ianques diminuiu. Em 2014, o montante pago pelos norte-americanos foi de US$ 508,1 milhões. Já em 2015, atingiu US$ 408,6 milhões e, no ano passado, caiu mais ainda, para US$ 277,6 milhões.

Outra nação que também diminuiu o valor gasto com exportações de produtos da região foi a Argentina, que em 2016, pagou US$ 1,824 bilhão para as empresas do Grande ABC e, em 2015, havia desembolsado US$ 2,122 bilhões.

Para Balistiero, a eleição de Mauricio Macri para presidente em 2015 fez com que os investidores argentinos passassem a consumir mais localmente. “Macri estimulou a economia interna, fazendo com que os hermanos comprassem mais dentro de casa, o que consequentemente fez com que eles importassem menos do Brasil.” 



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