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Teatro revela ator de Diadema


Rení Tognoni
Da Redaçao

06/09/1999 | 22:23


O jovem ator Ruben Espinoza, de Diadema, faz sua estréia profissional no palco nesta terça, no Centro Cultural Sao Paulo, com a peça Desamparo. Ao lado do experiente ator Antônio de Andrade - que, em 30 anos de carreira, acumula no currículo peças premiadas como Macunaíma, de Antunes Filho, e Santidade, de José Vicente -, Espinoza promete levar o público às lágrimas com uma história de desafeto paternal, a qual se confunde com a sua própria trajetória.

No palco, ele vive Ciço, um rapaz adotivo do sertao nordestino, que trava um duelo verbal com o pai enquanto ambos esperam a passagem da vítima de uma tocaia, preparada por eles. O conflito entre pai e filho gera tensao e suspense, que se prolongam por todo o espetáculo, fazendo com que a vítima do crime se alterne a todo momento.

Para compor o personagem, definido por Espinoza como "carente", ele diz ter se baseado na sua própria vida. O ator, 22 anos, trocou a cidade de Santos há cerca de dois anos para se instalar em Diadema, em busca da realizaçao do sonho de se dedicar ao teatro. A família, porém, nao o apoiou: "Assim como o personagem, também tive problemas com meu pai, que nao queria que eu fizesse teatro. Vim para Diadema sozinho, sem ajuda nenhuma, com apenas R$ 10 no bolso", conta.

A experiência, porém, o ajudou na criaçao do seu primeiro personagem. "Vi muito de mim no Ciço, porque ele é desamparado e seu maior desejo é apenas um abraço do pai. A dor dele, a carência, cresce durante a peça até ficar insuportável. Me emocionei quando li o texto e estou me entregando de corpo e alma à peça", diz.

A direçao do espetáculo é assinada pela crítica de teatro Maria Lúcia Pereira, professora e principal incentivadora do trabalho de Espinoza. Para ela, o jovem ator é uma revelaçao. "Ele tem um talento fantástico e uma intuiçao dramática fora do comum. Aceitei dirigir a peça por causa do Antônio (Andrade), um homem de teatro que sempre lutou pela categoria, e pela oportunidade de lançar o Ruben na profissao", afirma.

Apesar de realizado com a estréia no palco, Espinoza ainda lamenta ter de dividir o seu tempo entre um emprego de auxiliar de escritório em Sao Paulo, durante o dia, e o trabalho teatral, à noite.

O início da carreira, porém, foi bem pior. Para conseguir o registro profissional de trabalho, DRT, fornecido pelo Sindicato dos Artistas do Estado de Sao Paulo, ele passou a freqüentar aulas particulares de interpretaçao com Maria Lúcia. Com um salário insuficiente para cobrir gastos pessoais, como aluguel, alimentaçao etc., e as aulas (R$ 10 cada), Espinoza passou a colar cartazes pelas ruas de Diadema durante a madrugada. "Deixava até de almoçar para pagar as aulas, apesar da Maria Lúcia nao querer receber. Ela é uma mae para mim", diz.

O resultado de seu esforço veio em março passado, quando foi considerado "brilhante" pela banca examinadora do Sindicato dos Artistas, que lhe concedeu o DRT. Atualmente, além de Desamparo, ele também faz uma pequena participaçao no excelente espetáculo Barrela, de Plínio Marcos (em cartaz no Teatro de Arena Eugênio Kusnet, em Sao Paulo), no qual também contracena com Antônio de Andrade. "Sou um cara premiado por trabalhar com pessoas tao maravilhosas, como o Tonhao (Andrade) e a Maria Lúcia. Hoje vejo que todo meu esforço valeu a pena."

Desamparo - Peça de Marcos Cesana. Dir.: Maria Lúcia Pereira. Com Antônio de Andrade e Ruben Espinoza. Estréia terça, às 21h30. No Centro Cultural Sao Paulo (sala Paulo Emílio Sales) - r. Vergueiro, 1000. Tel.: 3277-3611. De terça a quinta, às 21h30. Ingr.: R$ 12. Até 7 de outubro.



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Teatro revela ator de Diadema

Rení Tognoni
Da Redaçao

06/09/1999 | 22:23


O jovem ator Ruben Espinoza, de Diadema, faz sua estréia profissional no palco nesta terça, no Centro Cultural Sao Paulo, com a peça Desamparo. Ao lado do experiente ator Antônio de Andrade - que, em 30 anos de carreira, acumula no currículo peças premiadas como Macunaíma, de Antunes Filho, e Santidade, de José Vicente -, Espinoza promete levar o público às lágrimas com uma história de desafeto paternal, a qual se confunde com a sua própria trajetória.

No palco, ele vive Ciço, um rapaz adotivo do sertao nordestino, que trava um duelo verbal com o pai enquanto ambos esperam a passagem da vítima de uma tocaia, preparada por eles. O conflito entre pai e filho gera tensao e suspense, que se prolongam por todo o espetáculo, fazendo com que a vítima do crime se alterne a todo momento.

Para compor o personagem, definido por Espinoza como "carente", ele diz ter se baseado na sua própria vida. O ator, 22 anos, trocou a cidade de Santos há cerca de dois anos para se instalar em Diadema, em busca da realizaçao do sonho de se dedicar ao teatro. A família, porém, nao o apoiou: "Assim como o personagem, também tive problemas com meu pai, que nao queria que eu fizesse teatro. Vim para Diadema sozinho, sem ajuda nenhuma, com apenas R$ 10 no bolso", conta.

A experiência, porém, o ajudou na criaçao do seu primeiro personagem. "Vi muito de mim no Ciço, porque ele é desamparado e seu maior desejo é apenas um abraço do pai. A dor dele, a carência, cresce durante a peça até ficar insuportável. Me emocionei quando li o texto e estou me entregando de corpo e alma à peça", diz.

A direçao do espetáculo é assinada pela crítica de teatro Maria Lúcia Pereira, professora e principal incentivadora do trabalho de Espinoza. Para ela, o jovem ator é uma revelaçao. "Ele tem um talento fantástico e uma intuiçao dramática fora do comum. Aceitei dirigir a peça por causa do Antônio (Andrade), um homem de teatro que sempre lutou pela categoria, e pela oportunidade de lançar o Ruben na profissao", afirma.

Apesar de realizado com a estréia no palco, Espinoza ainda lamenta ter de dividir o seu tempo entre um emprego de auxiliar de escritório em Sao Paulo, durante o dia, e o trabalho teatral, à noite.

O início da carreira, porém, foi bem pior. Para conseguir o registro profissional de trabalho, DRT, fornecido pelo Sindicato dos Artistas do Estado de Sao Paulo, ele passou a freqüentar aulas particulares de interpretaçao com Maria Lúcia. Com um salário insuficiente para cobrir gastos pessoais, como aluguel, alimentaçao etc., e as aulas (R$ 10 cada), Espinoza passou a colar cartazes pelas ruas de Diadema durante a madrugada. "Deixava até de almoçar para pagar as aulas, apesar da Maria Lúcia nao querer receber. Ela é uma mae para mim", diz.

O resultado de seu esforço veio em março passado, quando foi considerado "brilhante" pela banca examinadora do Sindicato dos Artistas, que lhe concedeu o DRT. Atualmente, além de Desamparo, ele também faz uma pequena participaçao no excelente espetáculo Barrela, de Plínio Marcos (em cartaz no Teatro de Arena Eugênio Kusnet, em Sao Paulo), no qual também contracena com Antônio de Andrade. "Sou um cara premiado por trabalhar com pessoas tao maravilhosas, como o Tonhao (Andrade) e a Maria Lúcia. Hoje vejo que todo meu esforço valeu a pena."

Desamparo - Peça de Marcos Cesana. Dir.: Maria Lúcia Pereira. Com Antônio de Andrade e Ruben Espinoza. Estréia terça, às 21h30. No Centro Cultural Sao Paulo (sala Paulo Emílio Sales) - r. Vergueiro, 1000. Tel.: 3277-3611. De terça a quinta, às 21h30. Ingr.: R$ 12. Até 7 de outubro.

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