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Museu Paulista, monumento à Independência, tem edifício em análise para início de reforma


Miriam Gimenes

23/09/2018 | 07:00


O Império português já estava com os dias contados no Brasil quando Dom Pedro II teve a ideia de construir um monumento à Independência, proclamada pelo seu pai, Dom Pedro I, em 1822. Sua vontade foi realizada entre os anos de 1885-1890 na forma de edifício, projetado pelo arquiteto e engenheiro italiano Tommaso Gaudenzio Bezzi, e nasceu assim o Museu Paulista, conhecido popularmente como Ipiranga, às margens do rio em que foi dado o famigerado ‘grito’.

Não à toa, assim que se pisa na entrada principal do espaço, a estátua de bronze de Dom Pedro I com o braço em riste dá as boas-vindas, cena que pode ser vista, pelo menos por enquanto, por poucas pessoas. É que o museu, fechado desde 2013 para reforma, recebe vez por outra visitas guiadas de modo a dar transparência ao que está sendo feito no local, que deve ser reaberto no ano do bicentenário da independência, em 2022.

O Diário acompanhou na última semana essa incursão ao monumento, acompanhado de um grupo de cerca de 25 pessoas e da arquiteta e responsável pela caminhada, Fabiola Zambrano, especialista em conservação de acervos.

A equipe de reportagem encontrou os chãos forrados de papel, a maioria das obras retirada das paredes e um trabalho incessante a fim de descobrir o que terá de ser feito no prédio para que seja entregue em perfeitas condições na data prevista. “A visita apresenta alguns detalhes construtivos do edifício. Conhecemos os materiais, as técnicas construtivas, a configuração da edificação, de estilo neoclássico eclético, e os danos ao longo de todo esse tempo, que também foram os motivos pelos quais o museu fechou”, explica Fabiola.

Segundo ela, embora tenham tido diversas críticas à época do fechamento  – após laudo apontar risco de desabamento do forro –, a iniciativa se fez necessária para preservar não só o acervo como também os visitantes do espaço. “Por conta de desprendimentos de revestimentos, que, às vezes, com a queda na altura poderia provocar acidentes, foi uma decisão muito acertada, até para podermos olhar para o prédio para ver como estava se comportando, os problemas que existiam e como agir.” Para tanto, já foram realizados dois diagnósticos, de fachada e estrutural, que apontaram que o edifício está em ótimas condições e só precisa de restauro e adaptações, como acessibilidade, por exemplo, já que data do século 19.

Os estudos a que ela se refere foram notados durante a visita guiada: no teto partes foram descascadas para análise do revestimento; diversas trincas, identificadas e numeradas, análise do piso (de madeiras maciças, metais e ladrilho), entre outras intervenções.

PROTAGONISTA
A surpresa se deu, no entanto, ao subir a majestosa escada de mármore italiano maciço, que dá de frente para o Salão Nobre. É que o protagonista do espaço, o quadro de Pedro Américo, Independência ou Morte, ainda está lá. “Não vai ser retirado durante a reforma, porque não passa pelas janelas e não pode ser enrolado”, explica a arquiteta. Com 7,60 m de largura e 4,15 m de altura, ele chegou ao museu em 1894, às vésperas da inauguração, e de lá nunca mais saiu. Deve ser também restaurado.

Quanto ao acervo, já foram realocados mais de 50% dos cerca de 400 mil itens – 200 peças podem ser vistas no Palácio dos Bandeirantes –, e o restante, principalmente os têxteis e as indumentárias, deve estar abrigado fora do museu até abril.

A boa notícia é que o projeto de restauro, idealizada pelo escritório H+F Arquitetos, se captado o financiamento – cerca de R$ 80 milhões –, deve começar logo em seguida. Além de mais áreas expositivas, ele permitirá que os visitantes subam até o topo do museu, mais precisamente em um mirante, prática que era comum à época da inauguração.

A ideia, acrescenta a arquiteta, é que nos próximos quatro anos sejam seguidas todas as normas a fim de que o AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros) seja conquistado, bem como todas as outras adaptações às necessidades do edifício. “Além de se modernizar e seguir as normas, a reforma é também um restauro, porque é um patrimônio histórico. Não é um processo simples, não pode ser feito a toque de caixa, tem de ser muito bem pensado e requer investimento grande para que tudo isso aconteça”, finaliza Fabiola. Novas visitas devem ser marcadas e o anúncio será feito nas redes sociais do museu. 



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