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Atila usa cores do governo em patrimônio histórico

Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Cruzeiro Sagrado Coração de Jesus, inaugurado em 1959 no Jardim Itapark, foi pintado de azul e amarelo


Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

19/09/2020 | 00:01


A Prefeitura de Mauá, sob comando do prefeito Atila Jacomussi (PSB), pintou de azul e amarelo – as cores do seu governo – o Cruzeiro Sagrado Coração de Jesus, patrimônio histórico tombado inaugurado em 1959, que fica no Jardim Itapark. As tintas utilizadas não são das cores originais, azul, branco e vermelho, as mesmas usadas nos símbolos do Sagrado Coração de Jesus, importante simbologia da Igreja Católica. A administração não consultou o Condephaat-MA (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Artístico, Arqueológico e Turístico de Mauá) antes da intervenção.

Segundo consta no site da Prefeitura, o Cruzeiro Sagrado Coração de Jesus retrata a religiosidade e o saber fazer dos cortadores de pedra ou canteiros. Por iniciativa destes trabalhadores, o Cruzeiro tem sua história registrada, cujo manuscrito indica o histórico da construção, a arrecadação de fundos e o processo de confecção. Autor de diversos livros sobre a memória da cidade, o historiador do Condephaat-MA William Puntschart afirmou que o local pode ser recuperado, com a remoção da tinta que foi feita sobre os ladrilhos originais, sem prejuízos à estrutura física. “O prejuízo é o desrespeito ao bem público”, ponderou.

O historiador afirmou que, assim como outros bens tombados da cidade, falta mais zelo com o monumento do Cruzeiro, desde uma placa informativa para que as pessoas saibam do que se trata, até estruturas que pudessem protegê-lo tanto da ação do tempo quanto de vândalos. “A área no entorno do Cruzeiro foi ocupada irregularmente e já há algum tempo a convivência com a própria vizinhança, de maioria evangélica, tem sido conflituosa”, afirmou. “Falta as pessoas entenderem o valor dos bens históricos”, completou.

Puntschart também lamentou que a intervenção, ainda que tenha sido feita com a intenção de recuperação, não tenha seguido orientações do conselho do patrimônio. “Deveriam ter consultado para saber qual a melhor forma de recuperar o bem”, concluiu. Jornalista e historiador do Diário, Ademir Medici classificou o episódio como “um crime contra a memória da cidade.” A presidente do Condephaat-MA, Simone Bello Gimenez, não quis comentar o episódio e informou que o conselho enviou à administração municipal uma nota. Pintar bens públicos com cores de partidos políticos ou das administrações pode caracterizar crime de improbidade administrativa.

Questionada, a Prefeitura de Mauá informou que uma conselheira solicitou, em junho, à administração, vistoria técnica no Cruzeiro, pois estava sendo projetada a colocação de uma redoma para proteger o bem, que estava sofrendo com depredações e com a colocação de entulhos em seu entorno. Após a retirada do lixo e limpeza, optou-se por pintar o monumento, sem consulta ao Condephaat-MA sobre quais cores usar. “Houve um equívoco e o mesmo acabou recebendo as cores amarelo e azul”, explicou a nota.

Ainda segundo o comunicado, em 19 de agosto, a conselheira Sylmara Jacob e a presidente do conselho conversaram com o secretário de Serviços Urbanos, Clovis Cirilo Bosquetti, e entregaram o material informativo sobre o conselho, quais os bens tombados e em estudo de tombamento.

Como houve a pintura dos ladrilhos na base do Cruzeiro, deverá ser passado um produto especial de remoção (removedor multifunção) e refazer a pintura com as cores originais, ou seja, as do Sagrado Coração de Jesus. “Após este problema foi emitido um documento de orientação aos funcionários da secretaria e nos próximos dias o equívoco será sanado”, concluiu o comunicado. 



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Atila usa cores do governo em patrimônio histórico

Cruzeiro Sagrado Coração de Jesus, inaugurado em 1959 no Jardim Itapark, foi pintado de azul e amarelo

Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

19/09/2020 | 00:01


A Prefeitura de Mauá, sob comando do prefeito Atila Jacomussi (PSB), pintou de azul e amarelo – as cores do seu governo – o Cruzeiro Sagrado Coração de Jesus, patrimônio histórico tombado inaugurado em 1959, que fica no Jardim Itapark. As tintas utilizadas não são das cores originais, azul, branco e vermelho, as mesmas usadas nos símbolos do Sagrado Coração de Jesus, importante simbologia da Igreja Católica. A administração não consultou o Condephaat-MA (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Artístico, Arqueológico e Turístico de Mauá) antes da intervenção.

Segundo consta no site da Prefeitura, o Cruzeiro Sagrado Coração de Jesus retrata a religiosidade e o saber fazer dos cortadores de pedra ou canteiros. Por iniciativa destes trabalhadores, o Cruzeiro tem sua história registrada, cujo manuscrito indica o histórico da construção, a arrecadação de fundos e o processo de confecção. Autor de diversos livros sobre a memória da cidade, o historiador do Condephaat-MA William Puntschart afirmou que o local pode ser recuperado, com a remoção da tinta que foi feita sobre os ladrilhos originais, sem prejuízos à estrutura física. “O prejuízo é o desrespeito ao bem público”, ponderou.

O historiador afirmou que, assim como outros bens tombados da cidade, falta mais zelo com o monumento do Cruzeiro, desde uma placa informativa para que as pessoas saibam do que se trata, até estruturas que pudessem protegê-lo tanto da ação do tempo quanto de vândalos. “A área no entorno do Cruzeiro foi ocupada irregularmente e já há algum tempo a convivência com a própria vizinhança, de maioria evangélica, tem sido conflituosa”, afirmou. “Falta as pessoas entenderem o valor dos bens históricos”, completou.

Puntschart também lamentou que a intervenção, ainda que tenha sido feita com a intenção de recuperação, não tenha seguido orientações do conselho do patrimônio. “Deveriam ter consultado para saber qual a melhor forma de recuperar o bem”, concluiu. Jornalista e historiador do Diário, Ademir Medici classificou o episódio como “um crime contra a memória da cidade.” A presidente do Condephaat-MA, Simone Bello Gimenez, não quis comentar o episódio e informou que o conselho enviou à administração municipal uma nota. Pintar bens públicos com cores de partidos políticos ou das administrações pode caracterizar crime de improbidade administrativa.

Questionada, a Prefeitura de Mauá informou que uma conselheira solicitou, em junho, à administração, vistoria técnica no Cruzeiro, pois estava sendo projetada a colocação de uma redoma para proteger o bem, que estava sofrendo com depredações e com a colocação de entulhos em seu entorno. Após a retirada do lixo e limpeza, optou-se por pintar o monumento, sem consulta ao Condephaat-MA sobre quais cores usar. “Houve um equívoco e o mesmo acabou recebendo as cores amarelo e azul”, explicou a nota.

Ainda segundo o comunicado, em 19 de agosto, a conselheira Sylmara Jacob e a presidente do conselho conversaram com o secretário de Serviços Urbanos, Clovis Cirilo Bosquetti, e entregaram o material informativo sobre o conselho, quais os bens tombados e em estudo de tombamento.

Como houve a pintura dos ladrilhos na base do Cruzeiro, deverá ser passado um produto especial de remoção (removedor multifunção) e refazer a pintura com as cores originais, ou seja, as do Sagrado Coração de Jesus. “Após este problema foi emitido um documento de orientação aos funcionários da secretaria e nos próximos dias o equívoco será sanado”, concluiu o comunicado. 

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