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Falta médico para paciente do Baeta


Fabio Leite
Especial para o Diário

17/01/2006 | 08:19


Eram 11h e a lista de pacientes que tinham desistido da consulta no Pronto-Socorro Dr. Helio Motta Souza, no bairro Baeta Neves, em São Bernardo, já chegava ao décimo nome. Não por menos. Durante toda a manhã desta segunda, apenas um clínico-geral dava plantão na unidade, que recebe uma média diária de 150 pacientes. Por conta disso, os atendimentos de rotina ficaram suspensos e só foram normalizados às 13h, com a chegada de outro médico plantonista.

Aqueles que não eram considerados casos emergenciais e decidiram esperar pela consulta tomaram um chá de cadeira. Foi assim com o ajudante de lavanderia Nilson de Lima. Desde as 8h sentado no saguão de espera do PS com dor nas costas, Lima estava indignado com a demora. “Fiz a ficha e a mulher mandou esperar. Depois falou que só estavam atendendo emergência e que médico só depois das 13h. Isso é uma falta de respeito”, contou.

Já a diarista Lúcia Maria Alves de Oliveira, que aguardava há mais de duas horas a chegada do clínico-geral para descobrir do que se tratava um caroço que havia surgido no seu braço há alguns dias, foi mais além. “Eles dizem que só tem médico para emergência. Mas se você vem ao Pronto-Socorro é porque já é uma emergência”, revoltou-se.

A mesma indignação compartilhava a desempregada Valdeluce da Silva Alves. Com o joelho machucado por uma queda, ela e a filha de 14 anos, com renite alérgica, já esperavam pela consulta desde as 9h. “Você vem aqui e nunca tem médico. É sempre assim”, afirmou. “Não é a primeira vez”, completa o serrador Fabio Marcolino, que havia abandonado o trabalho com dor de estômago pela manhã e ainda não havia sido atendido ao meio-dia.

Até o único médico de plantão estava incoformado com o problema no atendimento. “Estamos desde às 7h só atendendo casos emergenciais. Mas mais da metade dos pacientes é consulta de rotina. Eles estão tendo que esperar. Muita gente já foi embora”, contou o clínico-geral Nelson Nisenbaum.

Problema antigo – “Você está fazendo reportagem do atendimento qua a gente tem aqui?”. A resposta positiva à pergunta da enfermeira aposentada Benedita Ferrari na entrada do PS do Baeta Neves foi a brecha que ela encontrou para desabafar. “Oito dias atrás eu estava com pneumonia e não fui atendida porque não tinha médico. Me mandaram para o PS do Rudge Ramos e depois para o Central”, relatou.

De acordo com a Diretoria do Departamento de Atenção Primária à Saúde de São Bernardo, a falta de um clínico-geral ocorreu devido a uma licença de saúde não comunicada previamente. Segundo o órgão, assim que foi constatada a ausência do médico foi feito remanejamento para que a unidade voltasse a trabalhar com o quadro completo.

O diretor do Hospital Municipal e do PS Central, Walter Cordone, indicado pela Prefeitura para comentar o caso, conta que problemas como esse no PS do Baeta Neves são reflexos de uma má gerência da diretoria passada. “O número de férias que deram aos médicos excedeu a necessidade de serviço”, explicou. Segundo ele, a nova gestão, que assumiu no dia 11 de janeiro, está implantando uma nova filosofia de trabalho. “Já diminuímos em 50% o número de encaminhamento dos pacientes das unidades periféricas para o PS Central”, afirmou.



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Falta médico para paciente do Baeta

Fabio Leite
Especial para o Diário

17/01/2006 | 08:19


Eram 11h e a lista de pacientes que tinham desistido da consulta no Pronto-Socorro Dr. Helio Motta Souza, no bairro Baeta Neves, em São Bernardo, já chegava ao décimo nome. Não por menos. Durante toda a manhã desta segunda, apenas um clínico-geral dava plantão na unidade, que recebe uma média diária de 150 pacientes. Por conta disso, os atendimentos de rotina ficaram suspensos e só foram normalizados às 13h, com a chegada de outro médico plantonista.

Aqueles que não eram considerados casos emergenciais e decidiram esperar pela consulta tomaram um chá de cadeira. Foi assim com o ajudante de lavanderia Nilson de Lima. Desde as 8h sentado no saguão de espera do PS com dor nas costas, Lima estava indignado com a demora. “Fiz a ficha e a mulher mandou esperar. Depois falou que só estavam atendendo emergência e que médico só depois das 13h. Isso é uma falta de respeito”, contou.

Já a diarista Lúcia Maria Alves de Oliveira, que aguardava há mais de duas horas a chegada do clínico-geral para descobrir do que se tratava um caroço que havia surgido no seu braço há alguns dias, foi mais além. “Eles dizem que só tem médico para emergência. Mas se você vem ao Pronto-Socorro é porque já é uma emergência”, revoltou-se.

A mesma indignação compartilhava a desempregada Valdeluce da Silva Alves. Com o joelho machucado por uma queda, ela e a filha de 14 anos, com renite alérgica, já esperavam pela consulta desde as 9h. “Você vem aqui e nunca tem médico. É sempre assim”, afirmou. “Não é a primeira vez”, completa o serrador Fabio Marcolino, que havia abandonado o trabalho com dor de estômago pela manhã e ainda não havia sido atendido ao meio-dia.

Até o único médico de plantão estava incoformado com o problema no atendimento. “Estamos desde às 7h só atendendo casos emergenciais. Mas mais da metade dos pacientes é consulta de rotina. Eles estão tendo que esperar. Muita gente já foi embora”, contou o clínico-geral Nelson Nisenbaum.

Problema antigo – “Você está fazendo reportagem do atendimento qua a gente tem aqui?”. A resposta positiva à pergunta da enfermeira aposentada Benedita Ferrari na entrada do PS do Baeta Neves foi a brecha que ela encontrou para desabafar. “Oito dias atrás eu estava com pneumonia e não fui atendida porque não tinha médico. Me mandaram para o PS do Rudge Ramos e depois para o Central”, relatou.

De acordo com a Diretoria do Departamento de Atenção Primária à Saúde de São Bernardo, a falta de um clínico-geral ocorreu devido a uma licença de saúde não comunicada previamente. Segundo o órgão, assim que foi constatada a ausência do médico foi feito remanejamento para que a unidade voltasse a trabalhar com o quadro completo.

O diretor do Hospital Municipal e do PS Central, Walter Cordone, indicado pela Prefeitura para comentar o caso, conta que problemas como esse no PS do Baeta Neves são reflexos de uma má gerência da diretoria passada. “O número de férias que deram aos médicos excedeu a necessidade de serviço”, explicou. Segundo ele, a nova gestão, que assumiu no dia 11 de janeiro, está implantando uma nova filosofia de trabalho. “Já diminuímos em 50% o número de encaminhamento dos pacientes das unidades periféricas para o PS Central”, afirmou.

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