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São Caetano comemora 68 anos de autonomia administrativa

Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Nelson Donato
Especial para o Diário

16/10/2016 | 07:00


 Outubro é um mês de festa para São Caetano. Isso porque, no dia 24 de outubro, a cidade comemora 68 anos de autonomia administrativa. O feito foi conquistado graças à luta de grupo de 95 pessoas que, durante dois anos, trabalhou incansavelmente para trazer melhorias ao então subdistrito de Santo André.

Um dos maiores articuladores na luta para a conquista da autonomia foi Mário Porfírio Rodrigues, 90 anos – completará 91 na próxima semana. Ele chegou à cidade em 1930 aos 4 anos, vindo da cidade de Ribeirão Claro, no Paraná. “Naquela época, São Caetano era basicamente industrial. Não tinha hospitais ou escolas. A italianada, que trabalhava nas fábricas, veio de regiões muito pobres e se contentava em ter o seu vinho, a sua macarronada e o seu futebol de várzea. Não tinha pretensões”, relembra o aposentado.

Para mudar a realidade, Rodrigues, ao lado de amigos, matriculou-se em curso de contabilidade no Brás, na Capital. Durante o trajeto de trem diário, a turma discutia temas pertinentes a São Caetano, como a arrecadação, e comparava com os demais municípios da região. “O lucro da cidade, na época, era igual ao de todos os outros municípios juntos. Mas isso não se refletia em melhorias para os moradores.”

A indignação dos jovens da época fez com que eles fundassem o Jornal de São Caetano, em 1947. A ideia do grupo, formado por 95 colaboradores, era elencar os desejos da população da cidade. “Nossa enquete constatou que as pessoas queriam hospital, já que não tinha nem postos de Saúde. Iniciamos contatos com os moradores mais influentes e, em 1948, inauguramos o Hospital Beneficente São Caetano, na Rua Espírito Santo.”

A chegada do equipamento de Saúde fez com que o movimento autonomista ganhasse força. Com isso, os integrantes do grupo iniciaram a captação de assinaturas para requerer, junto à assembleia andreense, autorização para começar o processo de desligamento de Santo André. “Na época, era necessário apoio de 10% da população. Conseguimos 5.197 assinaturas, todas em papel timbrado, o que representava 12,7% de todos os moradores”, detalha Rodrigues.

O próximo passo foi travar batalha com o então prefeito andreense, Antônio Flaquer, que se posicionou contra a emancipação. “Era filho do senador Flaquer. Usou toda a influência da família para desacreditar nosso movimento”.

Apesar dos enfrentamentos políticos, o plebiscito que determinaria o futuro do subdistrito foi realizado no dia 24 de outubro de 1948. Os moradores tiveram de escolher entre a “chapa preta”, que significava voto contra a autonomia, e a “chapa branca”, que garantia o ‘sim’. Os emancipadores receberam 8.463 votos, contra 1.029.

“Fizemos carreata, que passou por toda a cidade. Fico muito feliz em ver que nosso esforço deu certo. Quase 70 anos depois, São Caetano tem o melhor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do País. É um orgulho fazer parte dessa história”, afirma o aposentado, hoje um dos seis autonomistas ainda vivos.



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