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Chineses lamentam preconceito e dizem confiar na Coronavac

Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Moradores do país asiático afirmam que vacina da Sinovac repercute por lá e que baixo preço da dose exportada para São Paulo é motivo de discussão


Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

27/10/2020 | 00:01


Enquanto no Brasil os governos federal e estadual travam briga política sobre a compra e aplicação da Coronavac – vacina chinesa contra o novo coronavírus –, da China, o imunizante criado pela farmacêutica Sinovac Life Science, do grupo Sinovac Biotech, ganha projeção e a confiança da população asiática, que lamenta o preconceito dos brasileiros quanto à vacina, que tem o aval do Instituto Butantan, localizado na Capital, e aguarda pelos testes da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) antes de ser disponibilizada ao público em geral.

O Diário ouviu funcionária de agência governamental chinesa, que, com medo de represálias do governo local, preferiu não se identificar, sobre a repercussão do tema no país asiático. Ela explicou que a Coronavac tem sido divulgada também na China e que, inclusive, a compra de 46 milhões de doses pelo Estado de São Paulo por R$ 507 milhões (US$ 90 milhões), o que equivale a R$ 11 por dose, causou desconforto nos chineses, que consideraram que o custo para exportação está “bem abaixo do preço chinês”.

Para ela, o embate político não deveria ser pauta em momento de pandemia. “Comprar a dose chinesa vai depender dos resultados e efeitos da vacina. A questão é científica e não política. Além do Sinovac Biotech, tem outros dois laboratórios desenvolvendo vacinas aqui na China, sendo que também estão com parcerias com o Oriente Médio e o Paraná, no Brasil, que são a CNBG e a empresa Cansinotech”, explicou.

Ela lamentou o preconceito com que a imunização vem sendo tratada pelos brasileiros e que deveriam estar no foco os benefícios do imunizante e não quem o produziu. “Hoje em dia ninguém consegue evitar o ‘made in china’ por causa da globalização comercial. Algumas questões políticas estão desafiando a compra de vacina contra a Covid com empresas chinesas”, opinou.

Segundo ela, que trabalha com comércio exterior, a população local não está tão ansiosa pela vacina como os brasileiros, sobretudo porque as atividades sociais e econômicas já foram retomas no país asiático. “Temos de usar máscaras em ambientes públicos, mas tudo já voltou a funcionar normalmente, até mesmo festas. Aqui os profissionais de saúde foram vacinados, assim como pessoas que tiveram de viajar a trabalho para outros Estados internos e países. Isso também nos trará um Norte sobre a eficácia da vacina, ainda mais que as pessoas que viajam, normalmente por empresas grandes, estão em contato com países em crise sanitária”, contou.

A mesa-tenista Gui Lin, chinesa naturalizada brasileira e que viveu 14 anos em São Bernardo, retornou ao país natal no ano passado e contou que os chineses estão confiantes em relação às vacinas, apesar de se limitar a falar com medo do rigor do governo local. “Aqui a população está bem confiante em relação à vacina. Não vejo tanto preconceito dos brasileiros com os (outros) produtos chineses”, afirmou.

SEGURA
Diretor da SBIM (Sociedade Brasileira de Imunizações), Renato Kfouri pontuou que o processo de registro da vacina, seja no Brasil ou em qualquer outro país, obedece critérios técnicos e científicos, regulamentados por protocolos de boas práticas em pesquisa clínica em humanos e, portanto, uma dose só será autorizada se cumprir o que se pede. “O critério é técnico, não é político. Não há nenhum receio de que a vacina, quer seja da Rússia, Estados Unidos ou China, seja melhor ou pior. Todas elas tem de cumprir o mesmo rigor”, explicou, pontuando que os princípios se referem a questões de segurança e eficácia. “Esses são os resultados que a fase três (teste em humanos) tem de demonstrar, e não haverá nenhum grau de favorecimento entre  laboratório ou outro em detrimento de seu país de origem”, afirmou.

EM CURSO
O governador João Doria (PSDB) afirmou ontem que 6 milhões de doses da Coronavac, da compra de 46 milhões, chegam ao Brasil, até segunda-feira e devem ficar a espera da autorização da Anvisa para que sejam aplicadas em profissionais da área da saúde, que seriam os primeiros beneficiados, o que deve ocorrer até dezembro.

Imunizante chinês é ignorado ao redor do mundo

A discussão sobre a chegada de vacina eficaz contra a Covid é tema em todos os países, porém, a expectativa entre os territórios muda diante da situação viral de cada localidade. Já o preconceito com a dose chinesa é mais latente, sobretudo porque poucos contam com a possibilidade da imunização asiática.
O Diário ouviu pessoas do Grande ABC que moram em várias partes do mundo para saber como as populações estão se comportando diante dos avanços científicos da vacina.

Ex-moradora de São Caetano, Marla Stern, 38 anos, contou que em Detroit, nos Estados Unidos, a expectativa pela vacina é até maior do que no Brasil, sobretudo pelo período de eleições presidenciais. “O presidente Donald Trump está usando muito essa história da vacina para sua possível reeleição”, contou. “Sequer escuto falar em vacina chinesa. Não existe nem a possibilidade de alguém aqui tomar dose que venha da China. Alguns laboratórios nacionais estão trabalhando em vacina e aqui se fala somente desses estudos locais”, pontuou.

Também moradora dos Estados Unidos, Gabriela Barcelos Oliveira, 27, ressaltou que, em Orlando, as pessoas “estão muito ansiosas” para que as vacinas entrem em circulação. “Sinto que estão nessa expectativa, ainda mais porque aqui é uma cidade turística, e com as fronteiras fechadas não recebe visitas. Tem a questão econômica envolvida para que as coisas possam voltar ao normal”, contou a ex-moradora de São Caetano.

A ansiedade por vacinas aprovadas também está em pauta na Irlanda, porém, não por doses asiáticas. Ana Clara da Rosa Santos, 30, mora em Limerick há 18 meses e ressaltou que lá não se fala em vacina chinesa. “As notícias da Coronavac são somente relacionadas ao Brasil, aqui divulgam as imunizações desenvolvidas pelo laboratório Pfizer, e parcerias com a Alemanha e Estados Unidos”, contou a ex-andreense.

Vivendo em Sydney, na Austrália, Bruna Cordeiro, 30, ressaltou que muitos chineses moram no país e, por isso, o preconceito já é instalado por lá. “Existe a expectativa de ter vacina para que as pessoas possam viajar, porém, é muito maior o preconceito”, afirmou a ex-moradora de Mauá.

Já o Japão, que tem controle da pandemia em estágio avançado, não têm como tema central vacinas contra a Covid. Cristiane Murata Ramos Keiller, 40, mora em Gifu Ken há cinco anos. Ex-moradora de Diadema, ela contou que não existe ansiedade e, sim, receio. “O governo daqui foca mais na prevenção. Todos os dias os cuidados que precisam ser tomados são reforçados nas fábricas e em alto-falantes nas cidades. Sei que tem vacinas em teste, daqui, companhia farmacêuticas nacionais. E o país já disse que terá vacina gratuita para a população”, explicou, dizendo que também não se divulga estudos da China no território japonês.  



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Chineses lamentam preconceito e dizem confiar na Coronavac

Moradores do país asiático afirmam que vacina da Sinovac repercute por lá e que baixo preço da dose exportada para São Paulo é motivo de discussão

Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

27/10/2020 | 00:01


Enquanto no Brasil os governos federal e estadual travam briga política sobre a compra e aplicação da Coronavac – vacina chinesa contra o novo coronavírus –, da China, o imunizante criado pela farmacêutica Sinovac Life Science, do grupo Sinovac Biotech, ganha projeção e a confiança da população asiática, que lamenta o preconceito dos brasileiros quanto à vacina, que tem o aval do Instituto Butantan, localizado na Capital, e aguarda pelos testes da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) antes de ser disponibilizada ao público em geral.

O Diário ouviu funcionária de agência governamental chinesa, que, com medo de represálias do governo local, preferiu não se identificar, sobre a repercussão do tema no país asiático. Ela explicou que a Coronavac tem sido divulgada também na China e que, inclusive, a compra de 46 milhões de doses pelo Estado de São Paulo por R$ 507 milhões (US$ 90 milhões), o que equivale a R$ 11 por dose, causou desconforto nos chineses, que consideraram que o custo para exportação está “bem abaixo do preço chinês”.

Para ela, o embate político não deveria ser pauta em momento de pandemia. “Comprar a dose chinesa vai depender dos resultados e efeitos da vacina. A questão é científica e não política. Além do Sinovac Biotech, tem outros dois laboratórios desenvolvendo vacinas aqui na China, sendo que também estão com parcerias com o Oriente Médio e o Paraná, no Brasil, que são a CNBG e a empresa Cansinotech”, explicou.

Ela lamentou o preconceito com que a imunização vem sendo tratada pelos brasileiros e que deveriam estar no foco os benefícios do imunizante e não quem o produziu. “Hoje em dia ninguém consegue evitar o ‘made in china’ por causa da globalização comercial. Algumas questões políticas estão desafiando a compra de vacina contra a Covid com empresas chinesas”, opinou.

Segundo ela, que trabalha com comércio exterior, a população local não está tão ansiosa pela vacina como os brasileiros, sobretudo porque as atividades sociais e econômicas já foram retomas no país asiático. “Temos de usar máscaras em ambientes públicos, mas tudo já voltou a funcionar normalmente, até mesmo festas. Aqui os profissionais de saúde foram vacinados, assim como pessoas que tiveram de viajar a trabalho para outros Estados internos e países. Isso também nos trará um Norte sobre a eficácia da vacina, ainda mais que as pessoas que viajam, normalmente por empresas grandes, estão em contato com países em crise sanitária”, contou.

A mesa-tenista Gui Lin, chinesa naturalizada brasileira e que viveu 14 anos em São Bernardo, retornou ao país natal no ano passado e contou que os chineses estão confiantes em relação às vacinas, apesar de se limitar a falar com medo do rigor do governo local. “Aqui a população está bem confiante em relação à vacina. Não vejo tanto preconceito dos brasileiros com os (outros) produtos chineses”, afirmou.

SEGURA
Diretor da SBIM (Sociedade Brasileira de Imunizações), Renato Kfouri pontuou que o processo de registro da vacina, seja no Brasil ou em qualquer outro país, obedece critérios técnicos e científicos, regulamentados por protocolos de boas práticas em pesquisa clínica em humanos e, portanto, uma dose só será autorizada se cumprir o que se pede. “O critério é técnico, não é político. Não há nenhum receio de que a vacina, quer seja da Rússia, Estados Unidos ou China, seja melhor ou pior. Todas elas tem de cumprir o mesmo rigor”, explicou, pontuando que os princípios se referem a questões de segurança e eficácia. “Esses são os resultados que a fase três (teste em humanos) tem de demonstrar, e não haverá nenhum grau de favorecimento entre  laboratório ou outro em detrimento de seu país de origem”, afirmou.

EM CURSO
O governador João Doria (PSDB) afirmou ontem que 6 milhões de doses da Coronavac, da compra de 46 milhões, chegam ao Brasil, até segunda-feira e devem ficar a espera da autorização da Anvisa para que sejam aplicadas em profissionais da área da saúde, que seriam os primeiros beneficiados, o que deve ocorrer até dezembro.

Imunizante chinês é ignorado ao redor do mundo

A discussão sobre a chegada de vacina eficaz contra a Covid é tema em todos os países, porém, a expectativa entre os territórios muda diante da situação viral de cada localidade. Já o preconceito com a dose chinesa é mais latente, sobretudo porque poucos contam com a possibilidade da imunização asiática.
O Diário ouviu pessoas do Grande ABC que moram em várias partes do mundo para saber como as populações estão se comportando diante dos avanços científicos da vacina.

Ex-moradora de São Caetano, Marla Stern, 38 anos, contou que em Detroit, nos Estados Unidos, a expectativa pela vacina é até maior do que no Brasil, sobretudo pelo período de eleições presidenciais. “O presidente Donald Trump está usando muito essa história da vacina para sua possível reeleição”, contou. “Sequer escuto falar em vacina chinesa. Não existe nem a possibilidade de alguém aqui tomar dose que venha da China. Alguns laboratórios nacionais estão trabalhando em vacina e aqui se fala somente desses estudos locais”, pontuou.

Também moradora dos Estados Unidos, Gabriela Barcelos Oliveira, 27, ressaltou que, em Orlando, as pessoas “estão muito ansiosas” para que as vacinas entrem em circulação. “Sinto que estão nessa expectativa, ainda mais porque aqui é uma cidade turística, e com as fronteiras fechadas não recebe visitas. Tem a questão econômica envolvida para que as coisas possam voltar ao normal”, contou a ex-moradora de São Caetano.

A ansiedade por vacinas aprovadas também está em pauta na Irlanda, porém, não por doses asiáticas. Ana Clara da Rosa Santos, 30, mora em Limerick há 18 meses e ressaltou que lá não se fala em vacina chinesa. “As notícias da Coronavac são somente relacionadas ao Brasil, aqui divulgam as imunizações desenvolvidas pelo laboratório Pfizer, e parcerias com a Alemanha e Estados Unidos”, contou a ex-andreense.

Vivendo em Sydney, na Austrália, Bruna Cordeiro, 30, ressaltou que muitos chineses moram no país e, por isso, o preconceito já é instalado por lá. “Existe a expectativa de ter vacina para que as pessoas possam viajar, porém, é muito maior o preconceito”, afirmou a ex-moradora de Mauá.

Já o Japão, que tem controle da pandemia em estágio avançado, não têm como tema central vacinas contra a Covid. Cristiane Murata Ramos Keiller, 40, mora em Gifu Ken há cinco anos. Ex-moradora de Diadema, ela contou que não existe ansiedade e, sim, receio. “O governo daqui foca mais na prevenção. Todos os dias os cuidados que precisam ser tomados são reforçados nas fábricas e em alto-falantes nas cidades. Sei que tem vacinas em teste, daqui, companhia farmacêuticas nacionais. E o país já disse que terá vacina gratuita para a população”, explicou, dizendo que também não se divulga estudos da China no território japonês.  

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