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Leo Gandelman lança primeiros CD e DVD ao vivo


Alessandro Soares
Do Diário do Grande ABC

09/02/2003 | 18:29


O saxofonista carioca Leo Gandelman demorou para lançar um CD gravado ao vivo, e o faz agora junto com um DVD. Os dois trabalhos trazem 11 músicas que resumem 15 anos de carreira solo deste instrumentista de 46 anos que faz jazz com a MPB. Oportunidades para o disco ao vivo não lhe faltaram, mas o zelo do músico foi mais forte. Quando teve certeza de que o trabalho sairia ‘‘emocional e verdadeiro’’, reuniu seu time de músicos e tocou em frente. Os dois Leo Gandelman Ao Vivo (EMI, R$ 28,50 o CD e R$ 39,90 o DVD, preços em média) chegam às lojas traduzindo essa expectativa depois de 7 álbuns.

O show foi gravado ao vivo em setembro de 2001 no Rio, com músicos que não devem nada aos melhores grupos de jazz. CD e DVD abrem com Solar (de William Guimarães e Gandelman), do disco homônimo lançado em 1990, que ajudou a levar o saxofonista para uma carreira de shows nos Estados Unidos, onde viveu na última década. Da mesma dupla, Furuvudé, fde 1990, e Castelo de Areia (só de Gandelman), de 1987, são de quando o saxofonista vivia com a expectativa de mudança. Morar na Areia e Sem Comentários, esta em parceria com o tecladista Bruno Cardozo, mais recentes, dão conta das impressões do músico ao voltar à terra natal, o que fez no ano passado.

Gandelman abraça a MPB homenageando clássicos como As Rosas não Falam (Cartola), Lamentos (Vinicius de Moraes e Pixinguinha), Na Baixa do Sapateiro (Ary Barroso) e faz releituras de A Rã (João Donato e Caetano Veloso) e Maracatu Atômico (Jorge Mautner e Nelson Jacobina). E mostra ainda como recriar uma composição interpretando Dead Weight, do norte-americano Beck Hansen, temperando o jazz tradicional do Tio Sam com suingue abrasileirado.

O dogma do jazzista é o improviso, seja no show ou na gravação. A música instrumental fica melhor quando o músico se comunica com a platéia e pode solar no calor da hora. O DVD leva essa vantagem sobre o CD pois o espectador acompanha a desenvoltura do artista ao vivo. Outra vantagem do disco digital é poder observar uma seleção das fotos que o artista fazia nos anos 70, quando era fotógrafo profissional e havia abandonado a idéia de ser músico. Rara oportunidade de conferir esta face desconhecida de Gandelman.

“O DVD oferece a possibilidade de levar o artista para casa. Nele estão minha intimidade, na música e nas fotos, e muita garra. Meu trabalho se mistura com minha vida, me envolvo totalmente com o que faço com idealismo. Uma carreira é feita de sucessão de fatos. Não estou em busca de 15 minutos de fama. Quero a longevidade, chegar aos 70 anos fazendo a mesma coisa que eu gosto, que é tocar”, disse.

Gandelman está na linha de frente do jazz brasileiro. Em 1977, quando um amigo o encontrou no laboratório fotográfico e emprestou-lhe um saxofone, foi como se renascesse. Aos 15 anos era flautista da Orquestra Sinfônica Brasileira, mas achava que não levava jeito para a música clássica. Filho de uma pianista e um maestro, decidiu fazer fotos. “Conclui que não existe som sem imagens, nem imagens sem som”, afirmou.

Fez fotos de cena do filme Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976), trabalhou para a revista Manchete, entre outros. A redescoberta da música em 1977 o fez vislumbrar a possibilidade de se tornar um instrumentista brasileiro de jazz. Outra possibilidade ele descobriu nos anos 80, como produtor dos discos de Marina Lima e Gal Costa.

Zaga, nome de sua produtora com o sócio Juliano Zanoni, baterista, é uma analogia com o futebol, paixão deste botafoguense. Entre outras produções, a Zaga faz trilhas sonoras. Uma delas é a da cinebiografia de Garrincha, A Estrela Solitária, de Milton Alencar Jr, baseado no livro homônimo de Ruy Castro. “Assim que terminei o livro, peguei o sax e compus um tema, que será a abertura do filme. Acho o Mané Garrincha um jazzista do futebol, o John Coltrane do gramado”, afirma.



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