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Av. dos Estados à beira de um colapso

DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Mesmo com aporte financeiro de R$ 14,3 mi, via coleciona série de danos estruturais


Daniel Macário
Do Diário do Grande ABC

14/01/2018 | 07:00


 Ligação imprescindível para motoristas que circulam diariamente entre o Grande ABC e a Capital, a Avenida dos Estados vive à beira de um colapso. Embora tenha recebido ao longo dos últimos três anos aporte financeiro de R$ 14,3 milhões – empenhados na manutenção de sua estrutura –, o viário segue colecionando séries de problemas, o que, segundo especialistas, tende a acarretar no curto prazo em adversidades irreparáveis, caso não haja intervenção imediata em sua infraestrutura.

Considerada uma das vias mais importantes da região, com grande potencial comercial e tráfego diário de 100 mil veículos, a Avenida dos Estados sofre cada dia mais com sua degradação. E não é de hoje. Somente em 2017, diversas promessas foram feitas para revitalizar não só a via, mas também todo o entorno, um dos mais degradados da região. Porém, nenhuma delas vingou, e o corredor de 14 quilômetros que corta três municípios do Grande ABC (Santo André, São Caetano e Mauá) parece ter parado no tempo.

“O que a gente percebe é que a estrutura do viário não foi readequada com o passar dos anos, ou seja, a avenida foi planejada para receber uma quantidade de veículos, mas, com o passar do tempo, esse fluxo se intensificou e nada foi feito”, explica o engenheiro e inspetor do Crea (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado de São Paulo), André Sobreira de Araújo.

O comprometimento de pontes instaladas na via é um dos exemplos citados pelo especialista. Somente no último ano, duas passagens cederam e outras duas foram interditadas para reparos em Santo André. “No caso das pontes, o que vemos é a falta de manutenção. Durante épocas de chuvas intensas o leito do Rio Tamanduateí sofre com erosões, que seriam a lavagem do solo. Este processo acaba acarretando na danificação da estrutura, em especial das laterais que dão contenção às margens do Tamanduateí. Tudo isso poderia ser evitado caso houvesse a contenção do rio e manutenção da estrutura”, lembra.

Com a água turva pela poluição, além de leitos e margens tomados por lixo e toda espécie de dejetos, o Rio Tamanduateí, aliás, tem sido um dos grandes vilões de motoristas que circulam pela Avenida dos Estados. De 2015 para cá, o Daee (Departamento de Águas e Esgoto) promoveu três obras de recuperação do canal, ao custo de R$ 9,5 milhões. A última delas, no fim do ano passado, foi quando um trecho de 98 metros da margem esquerda do rio cedeu, em Santo André, provocando interdição de duas faixas da via.

“Se gasta muito só com medidas meramente paliativas. A solução ainda está muito distante e, até lá, muito dinheiro deve ser gasto em obras de emergência”, pondera o arquiteto e urbanista Gildo Severino dos Santos, gerente da regional Grande ABC do CAU (Conselho de Arquitetura e Urbanismo).

Embora destaquem, de modo geral, a importância do viário, os municípios do Grande ABC não deram detalhes sobre os valores empenhados na manutenção da Avenida dos Estados.

Em Santo André, a administração diz que “não tem medido esforços para providenciar melhorias” do corredor. “Um exemplo são as obras de aperfeiçoamento viário que estão sendo realizadas na rotatória junto à Avenida da Paz, em Utinga (inserida no PAIT – Programa de Ação Imediata no Trânsito) – e que consiste na ampliação da pista, visando melhorar a fluidez e segurança do tráfego de veículos e pedestres na avenida, além da reurbanização no entorno.” O município, que no ano passado investiu R$ 4,8 milhões na recuperação de duas pontes, no entanto, não forneceu valores gastos na manutenção do viário.

A situação se repete em São Caetano, onde a administração municipal diz realizar a manutenção da sinalização de trânsito e recuperação asfáltica, sem detalhar custos. A Prefeitura de Mauá, por sua vez, segue o discurso ao declarar que, embora o trecho da Avenida dos Estados na cidade seja pequeno, o viário passa por constantes serviços de conservação.

 

Estado analisa financiamento para obras no viário há 7 meses

Sem recursos em caixa, municípios do Grande ABC aguardam há pelo menos sete meses resposta sobre pedido de financiamento encaminhado, em junho do ano passado, ao governo estadual para a recuperação da Avenida dos Estados.

Elaborado pela Prefeitura de Santo André, por meio do Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André) e por técnicos do Crea (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de São Paulo), o projeto prevê a necessidade de R$ 79,2 milhões para a revitalização da Avenida dos Estados em trecho correspondente ao território do município.

O documento foi apresentado pelo próprio prefeito de Santo André, Paulo Serra (PSDB), ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) e também para o secretário-chefe da Casa Civil, Samuel Moreira, durante agenda no Palácio dos Bandeirantes.

A ideia era a de que, com o estudo em mãos, representantes do Estado pudessem ter a real noção da situação crítica da Avenida dos Estados e suas necessidades estruturais, facilitando, assim, possível apoio financeiro para a execução de obras no eixo que liga o Grande ABC à Capital. A medida, no entanto, parece não ter surtido efeito.

De acordo com a Casa Civil, a reivindicação “segue em análise e ainda não há decisão sobre o pedido”. O posicionamento do Estado, no entanto, foi o mesmo dado ao Diário em novembro do ano passado. À época, a equipe de reportagem já havia citado a morosidade do processo de aprovação do aporte financeiro.

No projeto, a Prefeitura de Santo André dividiu em três eixos o complexo de obras: contenção (R$ 19,4 milhões), pontes (R$ 43 milhões) e asfalto (R$ 16,8 milhões). A proposta era a de que tais recursos fossem repassados pela Desenvolve – SP (Agência de Desenvolvimento Paulista).

 

Motoristas se queixam de buracos e problemas na estrutura

Motoristas e pedestres que utilizam diariamente a Avenida dos Estados são enfáticos ao falar dos problemas do viário que liga o Grande ABC à Capital.

“Do jeito que está não dá mais. É ponte interditada, buraco na via toda. Não é fácil passar por ela”, afirma o motorista Placido Luiz de Carvalho, 47 anos.

Na sexta-feira, o Diário percorreu os 14 quilômetros da via e constatou as dificuldades enfrentadas diariamente por pedestres e motoristas. No asfalto do corredor, além dos buracos, ondulações deixam evidentes os impactos que a avenida sofreu ao longo dos anos por atender demanda de veículos pesados superior ao planejado inicialmente.

Já no leito do Rio Tamanduateí, as marcas de erosão e o grande volume de vegetação expõem a falta de manutenção que o eixo tem recebido por parte do poder público.

“Mesmo na calçada temos dificuldade. A vegetação está alta demais e é muito perigoso por conta dos buracos”, disse o açougueiro José Jonas Cardozo, 22.

Para o ambulante Fernando Pereira, 33, o poder público precisa olhar com mais atenção para o estado crítico do corredor. “A Avenida dos Estados é um local tão importante que deveria receber mais obras. A gente que trabalha aqui vê o quanto os motoristas sofrem com trânsito, interdição de ponte. No fundo, o pessoal só reclama e ninguém faz nada”, destaca ele.



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Av. dos Estados à beira de um colapso

Mesmo com aporte financeiro de R$ 14,3 mi, via coleciona série de danos estruturais

Daniel Macário
Do Diário do Grande ABC

14/01/2018 | 07:00


 Ligação imprescindível para motoristas que circulam diariamente entre o Grande ABC e a Capital, a Avenida dos Estados vive à beira de um colapso. Embora tenha recebido ao longo dos últimos três anos aporte financeiro de R$ 14,3 milhões – empenhados na manutenção de sua estrutura –, o viário segue colecionando séries de problemas, o que, segundo especialistas, tende a acarretar no curto prazo em adversidades irreparáveis, caso não haja intervenção imediata em sua infraestrutura.

Considerada uma das vias mais importantes da região, com grande potencial comercial e tráfego diário de 100 mil veículos, a Avenida dos Estados sofre cada dia mais com sua degradação. E não é de hoje. Somente em 2017, diversas promessas foram feitas para revitalizar não só a via, mas também todo o entorno, um dos mais degradados da região. Porém, nenhuma delas vingou, e o corredor de 14 quilômetros que corta três municípios do Grande ABC (Santo André, São Caetano e Mauá) parece ter parado no tempo.

“O que a gente percebe é que a estrutura do viário não foi readequada com o passar dos anos, ou seja, a avenida foi planejada para receber uma quantidade de veículos, mas, com o passar do tempo, esse fluxo se intensificou e nada foi feito”, explica o engenheiro e inspetor do Crea (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado de São Paulo), André Sobreira de Araújo.

O comprometimento de pontes instaladas na via é um dos exemplos citados pelo especialista. Somente no último ano, duas passagens cederam e outras duas foram interditadas para reparos em Santo André. “No caso das pontes, o que vemos é a falta de manutenção. Durante épocas de chuvas intensas o leito do Rio Tamanduateí sofre com erosões, que seriam a lavagem do solo. Este processo acaba acarretando na danificação da estrutura, em especial das laterais que dão contenção às margens do Tamanduateí. Tudo isso poderia ser evitado caso houvesse a contenção do rio e manutenção da estrutura”, lembra.

Com a água turva pela poluição, além de leitos e margens tomados por lixo e toda espécie de dejetos, o Rio Tamanduateí, aliás, tem sido um dos grandes vilões de motoristas que circulam pela Avenida dos Estados. De 2015 para cá, o Daee (Departamento de Águas e Esgoto) promoveu três obras de recuperação do canal, ao custo de R$ 9,5 milhões. A última delas, no fim do ano passado, foi quando um trecho de 98 metros da margem esquerda do rio cedeu, em Santo André, provocando interdição de duas faixas da via.

“Se gasta muito só com medidas meramente paliativas. A solução ainda está muito distante e, até lá, muito dinheiro deve ser gasto em obras de emergência”, pondera o arquiteto e urbanista Gildo Severino dos Santos, gerente da regional Grande ABC do CAU (Conselho de Arquitetura e Urbanismo).

Embora destaquem, de modo geral, a importância do viário, os municípios do Grande ABC não deram detalhes sobre os valores empenhados na manutenção da Avenida dos Estados.

Em Santo André, a administração diz que “não tem medido esforços para providenciar melhorias” do corredor. “Um exemplo são as obras de aperfeiçoamento viário que estão sendo realizadas na rotatória junto à Avenida da Paz, em Utinga (inserida no PAIT – Programa de Ação Imediata no Trânsito) – e que consiste na ampliação da pista, visando melhorar a fluidez e segurança do tráfego de veículos e pedestres na avenida, além da reurbanização no entorno.” O município, que no ano passado investiu R$ 4,8 milhões na recuperação de duas pontes, no entanto, não forneceu valores gastos na manutenção do viário.

A situação se repete em São Caetano, onde a administração municipal diz realizar a manutenção da sinalização de trânsito e recuperação asfáltica, sem detalhar custos. A Prefeitura de Mauá, por sua vez, segue o discurso ao declarar que, embora o trecho da Avenida dos Estados na cidade seja pequeno, o viário passa por constantes serviços de conservação.

 

Estado analisa financiamento para obras no viário há 7 meses

Sem recursos em caixa, municípios do Grande ABC aguardam há pelo menos sete meses resposta sobre pedido de financiamento encaminhado, em junho do ano passado, ao governo estadual para a recuperação da Avenida dos Estados.

Elaborado pela Prefeitura de Santo André, por meio do Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André) e por técnicos do Crea (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de São Paulo), o projeto prevê a necessidade de R$ 79,2 milhões para a revitalização da Avenida dos Estados em trecho correspondente ao território do município.

O documento foi apresentado pelo próprio prefeito de Santo André, Paulo Serra (PSDB), ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) e também para o secretário-chefe da Casa Civil, Samuel Moreira, durante agenda no Palácio dos Bandeirantes.

A ideia era a de que, com o estudo em mãos, representantes do Estado pudessem ter a real noção da situação crítica da Avenida dos Estados e suas necessidades estruturais, facilitando, assim, possível apoio financeiro para a execução de obras no eixo que liga o Grande ABC à Capital. A medida, no entanto, parece não ter surtido efeito.

De acordo com a Casa Civil, a reivindicação “segue em análise e ainda não há decisão sobre o pedido”. O posicionamento do Estado, no entanto, foi o mesmo dado ao Diário em novembro do ano passado. À época, a equipe de reportagem já havia citado a morosidade do processo de aprovação do aporte financeiro.

No projeto, a Prefeitura de Santo André dividiu em três eixos o complexo de obras: contenção (R$ 19,4 milhões), pontes (R$ 43 milhões) e asfalto (R$ 16,8 milhões). A proposta era a de que tais recursos fossem repassados pela Desenvolve – SP (Agência de Desenvolvimento Paulista).

 

Motoristas se queixam de buracos e problemas na estrutura

Motoristas e pedestres que utilizam diariamente a Avenida dos Estados são enfáticos ao falar dos problemas do viário que liga o Grande ABC à Capital.

“Do jeito que está não dá mais. É ponte interditada, buraco na via toda. Não é fácil passar por ela”, afirma o motorista Placido Luiz de Carvalho, 47 anos.

Na sexta-feira, o Diário percorreu os 14 quilômetros da via e constatou as dificuldades enfrentadas diariamente por pedestres e motoristas. No asfalto do corredor, além dos buracos, ondulações deixam evidentes os impactos que a avenida sofreu ao longo dos anos por atender demanda de veículos pesados superior ao planejado inicialmente.

Já no leito do Rio Tamanduateí, as marcas de erosão e o grande volume de vegetação expõem a falta de manutenção que o eixo tem recebido por parte do poder público.

“Mesmo na calçada temos dificuldade. A vegetação está alta demais e é muito perigoso por conta dos buracos”, disse o açougueiro José Jonas Cardozo, 22.

Para o ambulante Fernando Pereira, 33, o poder público precisa olhar com mais atenção para o estado crítico do corredor. “A Avenida dos Estados é um local tão importante que deveria receber mais obras. A gente que trabalha aqui vê o quanto os motoristas sofrem com trânsito, interdição de ponte. No fundo, o pessoal só reclama e ninguém faz nada”, destaca ele.

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