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Mais Médicos não resolve problemas estruturais na Saúde

Nario Barbosa/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Dois anos após chegada do programa à região, ainda
há longa espera e dificuldade de fixar os profissionais


Natália Fernandjes
Do Diário do Grande ABC

03/09/2015 | 07:00


 Dois anos após a chegada dos profissionais do Programa Mais Médicos, do governo federal, nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde) de seis cidades da região (São Caetano não aderiu), o cenário da Saúde básica pouco avançou. Embora a presença dos 150 clínicos colabore para a ampliação do atendimento na área da Medicina de Família, não é suficiente para atender a demanda de pacientes e resolver problemas como falta de infraestrutura nas unidades.

Diadema, que recebeu dez médicos do programa, embora tenha solicitado 35, é exemplo de local onde a população tem dificuldades em agendar consultas com o clínico, principalmente nas áreas periféricas, como o Jardim Inamar e a Vila Paulina. Vale lembrar que o município perdeu o primeiro prazo para adesão ao Mais Médicos, em 2013.

Conforme o conselheiro de Saúde do Jardim Inamar Antônio de Andrade, a UBS tem três equipes de Saúde da Família, quando o ideal para a demanda seria sete. “Os médicos não querem trabalhar nas periferias porque, além de não terem estrutura, existe o problema da violência”, destaca.

Em situação pior está a população da Vila Paulina, onde há apenas uma equipe de Medicina da Família ao invés das três necessárias. “Aqui só tem um clínico que, para conseguir dar conta da demanda, começou a atender também emergências pela manhã, sendo que não é sua responsabilidade”, revela funcionária que prefere não se identificar. “A agenda do médico abre no dia 20 de cada mês e tem que esperar até dois meses pela consulta. Mas, se não conseguir agendar no dia certo, só no próximo mês”, completa a doméstica Francisca Eridan, 36 anos.

Mauá é a cidade que mais tem profissionais do programa federal – 47, sendo todos cubanos. Entretanto, a Prefeitura destaca que há deficit de dois generalistas e o Ministério da Saúde rejeitou o pedido por mais seis generalistas feito pela cidade para áreas como Jardim Zaíra, Vila Magini, Jardim São João e Nova Mauá. Conforme a administração, mesmo com a oferta de salário de R$ 15.701,25, há dificuldade em fixar médicos. Ainda assim, entre 2014 e 2015 houve alta de 7,48% na quantidade de consultas.

Mesmo que o número de atendimentos em Santo André tenha sido ampliado em 89% nos dois anos do programa, a cidade ressalta a existência de três vagas para clínico geral em aberto: no Jardim Santo Antônio, no Centro e no Parque Capuava. A cidade solicitou mais seis generalistas ao governo federal, sem sucesso. Hoje, são 30 os médicos do programa em atividade, sendo 23 cubanos.

São Bernardo conta com 39 integrantes do Mais Médicos, sendo 30 cubanos. Os demais municípios não retornaram.

 

IMPROVISO

“A principal bandeira do governo federal, usada inclusive pelo ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha (PT) durante campanha ao governo do Estado, não toca na ‘ferida do SUS (Sistema Único de Saúde)’”, considera o presidente do Conselho Federal de Medicina, Jorge Curi. “Trata-se de improviso. É preciso resolver os problemas responsáveis pelo afastamento dos estudantes de Medicina da Saúde básica. Temos de ampliar o financiamento federal, melhorar a gestão e tratar os recursos humanos.”

Outra crítica de Curi está relacionada à ‘importação’ de médicos cubanos, que ele considera irregular. “Eles estão sendo explorados. Recebem bolsa de estudos e ficam longe da família. O fato de os cubanos não serem submetidos à avaliação é irresponsável e prejudicial à população.”

 

Sem respaldo, profissional de Diadema decide pedir demissão

Cansado da falta de estrutura e do descaso com que é tratado, o clínico geral Álvaro Molina, que atua na rede de Saúde de Diadema há nove anos, decidiu pedir demissão. Embora se diga apaixonado pela profissão, o único médico de família da UBS (Unidade Básica de Saúde) da Vila Paulina acredita que a rotina cansativa somada aos problemas de gestão estão começando a prejudicar sua própria saúde.

“Estou elaborando meu aviso prévio. Pedi ajuda por meses e ninguém me dá ouvidos. Não adianta só contratar médicos se não melhorar nossa estrutura de trabalho. Não temos o mínimo, como uma vaga para estacionar o carro, não há salas suficientes, papel toalha no banheiro. Quem acaba sofrendo é a população”, lamenta o profissional, que atua oito horas por dia de segunda a sexta-feira.

 

OUTRO CENÁRIO

Após trabalhar na Venezuela, o médico cubano Yurien Rojas, 32 anos, resolveu participar do programa Mais Médicos e há um ano atua na UBS da Vila Palmares, em Santo André. Passado o período de adaptação, o generalista se diz satisfeito. “É um público humilde. Eles gostam do meu atendimento e fico feliz e satisfeito em poder cuidar deles.”

colaborou Yago Delbuoni



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Mais Médicos não resolve problemas estruturais na Saúde

Dois anos após chegada do programa à região, ainda
há longa espera e dificuldade de fixar os profissionais

Natália Fernandjes
Do Diário do Grande ABC

03/09/2015 | 07:00


 Dois anos após a chegada dos profissionais do Programa Mais Médicos, do governo federal, nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde) de seis cidades da região (São Caetano não aderiu), o cenário da Saúde básica pouco avançou. Embora a presença dos 150 clínicos colabore para a ampliação do atendimento na área da Medicina de Família, não é suficiente para atender a demanda de pacientes e resolver problemas como falta de infraestrutura nas unidades.

Diadema, que recebeu dez médicos do programa, embora tenha solicitado 35, é exemplo de local onde a população tem dificuldades em agendar consultas com o clínico, principalmente nas áreas periféricas, como o Jardim Inamar e a Vila Paulina. Vale lembrar que o município perdeu o primeiro prazo para adesão ao Mais Médicos, em 2013.

Conforme o conselheiro de Saúde do Jardim Inamar Antônio de Andrade, a UBS tem três equipes de Saúde da Família, quando o ideal para a demanda seria sete. “Os médicos não querem trabalhar nas periferias porque, além de não terem estrutura, existe o problema da violência”, destaca.

Em situação pior está a população da Vila Paulina, onde há apenas uma equipe de Medicina da Família ao invés das três necessárias. “Aqui só tem um clínico que, para conseguir dar conta da demanda, começou a atender também emergências pela manhã, sendo que não é sua responsabilidade”, revela funcionária que prefere não se identificar. “A agenda do médico abre no dia 20 de cada mês e tem que esperar até dois meses pela consulta. Mas, se não conseguir agendar no dia certo, só no próximo mês”, completa a doméstica Francisca Eridan, 36 anos.

Mauá é a cidade que mais tem profissionais do programa federal – 47, sendo todos cubanos. Entretanto, a Prefeitura destaca que há deficit de dois generalistas e o Ministério da Saúde rejeitou o pedido por mais seis generalistas feito pela cidade para áreas como Jardim Zaíra, Vila Magini, Jardim São João e Nova Mauá. Conforme a administração, mesmo com a oferta de salário de R$ 15.701,25, há dificuldade em fixar médicos. Ainda assim, entre 2014 e 2015 houve alta de 7,48% na quantidade de consultas.

Mesmo que o número de atendimentos em Santo André tenha sido ampliado em 89% nos dois anos do programa, a cidade ressalta a existência de três vagas para clínico geral em aberto: no Jardim Santo Antônio, no Centro e no Parque Capuava. A cidade solicitou mais seis generalistas ao governo federal, sem sucesso. Hoje, são 30 os médicos do programa em atividade, sendo 23 cubanos.

São Bernardo conta com 39 integrantes do Mais Médicos, sendo 30 cubanos. Os demais municípios não retornaram.

 

IMPROVISO

“A principal bandeira do governo federal, usada inclusive pelo ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha (PT) durante campanha ao governo do Estado, não toca na ‘ferida do SUS (Sistema Único de Saúde)’”, considera o presidente do Conselho Federal de Medicina, Jorge Curi. “Trata-se de improviso. É preciso resolver os problemas responsáveis pelo afastamento dos estudantes de Medicina da Saúde básica. Temos de ampliar o financiamento federal, melhorar a gestão e tratar os recursos humanos.”

Outra crítica de Curi está relacionada à ‘importação’ de médicos cubanos, que ele considera irregular. “Eles estão sendo explorados. Recebem bolsa de estudos e ficam longe da família. O fato de os cubanos não serem submetidos à avaliação é irresponsável e prejudicial à população.”

 

Sem respaldo, profissional de Diadema decide pedir demissão

Cansado da falta de estrutura e do descaso com que é tratado, o clínico geral Álvaro Molina, que atua na rede de Saúde de Diadema há nove anos, decidiu pedir demissão. Embora se diga apaixonado pela profissão, o único médico de família da UBS (Unidade Básica de Saúde) da Vila Paulina acredita que a rotina cansativa somada aos problemas de gestão estão começando a prejudicar sua própria saúde.

“Estou elaborando meu aviso prévio. Pedi ajuda por meses e ninguém me dá ouvidos. Não adianta só contratar médicos se não melhorar nossa estrutura de trabalho. Não temos o mínimo, como uma vaga para estacionar o carro, não há salas suficientes, papel toalha no banheiro. Quem acaba sofrendo é a população”, lamenta o profissional, que atua oito horas por dia de segunda a sexta-feira.

 

OUTRO CENÁRIO

Após trabalhar na Venezuela, o médico cubano Yurien Rojas, 32 anos, resolveu participar do programa Mais Médicos e há um ano atua na UBS da Vila Palmares, em Santo André. Passado o período de adaptação, o generalista se diz satisfeito. “É um público humilde. Eles gostam do meu atendimento e fico feliz e satisfeito em poder cuidar deles.”

colaborou Yago Delbuoni

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