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Começa reuniao de cúpula do Sul em Cuba


Do Diário do Grande ABC

10/04/2000 | 12:04


A Reuniao de Cúpula do Sul, primeira de seu tipo do Grupo dos 77 (G-77), começou, nesta segunda-feira em Havana, a nível de especialistas que buscam um consenso entre os países subdesenvolvidos para fazer frente à realidade do mundo atual.

Cuba, cenário de uma efervescente onda nacionalista e antinorte-americana, recebe os cerca de 50 chefes de Estado e de Governo da regiao Sul do mundo para exigir dos países industrializados uma mudança de rumo do neoliberalismo.

A vice-ministra de relaçoes exteriores de Cuba, María de los Angeles Flórez, disse que o governo espera que a primeira reuniao do Grupo dos 77 seja o ponto de partida para os países em desenvolvimento coordenarem açoes que os tirem do subdesenvolvimento. "Cuba alimenta a esperança de que, juntos e com espírito de unidade sem precedentes, possamos traçar uma plataforma para os próximos anos que nos permita combater a injustiça social e perseguir o desenvolvimento e a igualdade", afirmou a vice-ministra.

O chefe da missao diplomática da Costa Rica em Cuba, Melvin Saenz, disse que o importante é que se volte a discutir o tema do desenvolvimento e a necessidade de que haja açoes concretas para promover o avanço sócio-econômico.

O encontro do Grupo dos 77 teve início nesta segunda-feira, em Havana, com a presença dos delegados dos três continentes para debater as formas de maior cooperaçao entre as naçoes do Sul e a globalizaçao da economia mundial. A reuniao é preparatória para o encontro de chanceleres, na terça-feira, e a cúpula de chefes de Estado e de governo do G-77, que acontece na quarta-feira, também em Havana. Os mandatários deverao aprovar, na próxima sexta-feira, uma Declaraçao Final e um Plano de Açao.

Para o encontro de cúpula sao esperadas as presenças de líderes como Yasser Arafat, da Autoridade Nacional Palestina, e Pervez Musharraf, do Paquistao, que chefiou um golpe de Estado no dia 12 de outubro de 1999. Na noite desta segunda-feira, chega a Havana, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan. A agência oficial cubana Prensa Latina informou que os representantes de mais de 110 países participantes dos 133 possíveis, se dividirao em três comissoes para trabalhar até terça-feira na declaraçao final dos governantes, e em um texto sobre cooperaçao.

A Nigéria encabeça o G-77, fundado em 1964 por ocasiao da primeira conferência das Naçoes Unidas para Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD).

A reuniao de cúpula, a primeira do Grupo dos 77 (G-77, que agrupa 133 naçoes), estará fortemente marcada pela disputa da custódia do menino náufrago Elián González, cuja batalha política é dirigida em Cuba pelo presidente Fidel Castro.

A disputa parece ter entrado na reta final, depois da viagem, na quinta-feira passada, do pai de Elián até Washigton, para reunir-se com seu filho - que está em Miami com familiares - depois de quatro meses de separaçao.

O caso Elián reviveu em Cuba um fervor nacionalista e antiimperialista, em meio ao qual se realizará a Cúpula do G77, cuja principal bandeira será dirigida contra a globalizaçao neoliberal e em favor do direito dos países pobres em participar de uma política econômica que inclua benefícios para essa regiao do mundo, a mais densamente povoada e empobrecida.

Os quatro principais temas que serao analisados na cúpula sao a globalizaçao da economia mundial; as relaçoes Norte-Sul, a cooperaçao Sul-Sul e o conhecimento e a tecnologia. Paralelamente à reuniao de cúpula, se discutirao temas como a dívida externa dos países do terceiro mundo; o direito de cada país de ter seu próprio sistema político, econômico e social; e a reafirmaçao dos princípios do direito internacional.

A noventa milhas das costas dos Estados Unidos, o encontro em Havana terá um caráter político, apesar de sua natureza ser dirigida a ressaltar as condiçoes de pobreza do Sul e remarcar o abismo que existe entre essa regiao e o Norte desenvolvido.

A Cúpula do G77 será realizada pensando na reuniao do Grupo dos Oito (os sete países mais poderosos do mundo e a Rússia), que acontece nos dias 21 a 23 de julho, na ilha de Okinawa, na presença dos chefes de Estado e de Governo, entre eles o presidente americano Bill Clinton.

A presença em Havana de cerca de 50 presidentes, principalmente da Africa, Asia, Caribe e, apesar de reduzida, da América Latina, constituirá um apoio político a Fidel Castro, dentro do caso Elián.

Os pronunciamentos em favor da devoluçao do menino e contra a política americana nao estao descartados durante a cúpula, que começa nesta segunda-feira, com reunioes de especialistas, continuará na terça com um encontro de chanceleres e na quarta até sexta a nível de presidentes.

Na Cúpula Ibero-americana passada, celebrada em novembro em Havana, o papel protagonista de Fidel se viu reduzido por demandas de democratizaçao e respeito aos direitos humanos por parte de outros membros deste foro regional. Na reuniao que começa nesta segunda-feira, o caso Elián pode ser decisivo para o velho ditador reafirmar sua liderança interna.



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