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Mercado da dança não está apto para a diversidade, diz bailarina



29/12/2018 | 07:10


Primeira-bailarina do Dance Theater of Harlem, Ingrid Silva conta que só percebeu claramente a desigualdade racial nas salas de balé no Brasil ao chegar aos EUA e visitar uma companhia de dança multiétnica em Nova York.

Como você começou no balé?

Sou nascida e criada no Rio de Janeiro, no bairro de Benfica. Sempre fui muito envolvida com esporte, mas nunca tive o sonho de ser bailarina. Acabei tendo essa oportunidade através do projeto social Dançando para não Dançar, na comunidade da Vila Olímpica da Mangueira. Eu tinha 8 anos. Acabei me apaixonando por ser uma profissão difícil, por levar a fazer coisas que nem todo mundo faz. Minha história com o Dance Theatre of Harlem começou aos 18, quando fiz a prova para a companhia. Hoje, sou a bailarina principal. Isso foi há 11 anos.

Como vê o destaque dado à história do lançamento das sapatilhas de balé para negros?

Publicaram matérias, mas não explicaram o contexto da sapatilha. Não é que a gente vem pintando as sapatilhas por questões raciais e, somente agora, depois de 200 anos, foram criadas sapatilhas adequadas. Em 1969, Arthur Mitchell, que era o diretor da Dance Theatre of Harlem, criou essa assinatura para a companhia. Ele pensou nisso ao ver uma das bailarinas, que foi ensaiar e resolveu colocar a meia e a sapatilha da cor da pele. Mitchell gostou de como aquela linha contínua completava o corpo dela e resolveu adotar para a companhia toda. Só que o mercado da dança não está apto para a diversidade. Bailarinos negros existem há muito tempo. A marca que acabou de lançar a sapatilha não foi a primeira a criar uma da cor da pele - a Gaynor Minden foi uma das primeiras, quando lançou três tonalidades. Mas não temos apenas três cores de pele e nem todo mundo usa o mesmo modelo. Essa duas marcas, Gaynor e Freed, criaram as tonalidades de cor da sapatilha e eu não uso nenhuma das duas.

O mercado de produtos de balé está começando a mudar?

Já era para ter mudado há muito tempo. Faz onze anos que pinto a sapatilha. Faz 50 anos que o Dance Theatre of Harlem existe e é uma das companhias de maior

diversidade do mundo inteiro. Será que eles não pensaram nisso?

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



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Mercado da dança não está apto para a diversidade, diz bailarina


29/12/2018 | 07:10


Primeira-bailarina do Dance Theater of Harlem, Ingrid Silva conta que só percebeu claramente a desigualdade racial nas salas de balé no Brasil ao chegar aos EUA e visitar uma companhia de dança multiétnica em Nova York.

Como você começou no balé?

Sou nascida e criada no Rio de Janeiro, no bairro de Benfica. Sempre fui muito envolvida com esporte, mas nunca tive o sonho de ser bailarina. Acabei tendo essa oportunidade através do projeto social Dançando para não Dançar, na comunidade da Vila Olímpica da Mangueira. Eu tinha 8 anos. Acabei me apaixonando por ser uma profissão difícil, por levar a fazer coisas que nem todo mundo faz. Minha história com o Dance Theatre of Harlem começou aos 18, quando fiz a prova para a companhia. Hoje, sou a bailarina principal. Isso foi há 11 anos.

Como vê o destaque dado à história do lançamento das sapatilhas de balé para negros?

Publicaram matérias, mas não explicaram o contexto da sapatilha. Não é que a gente vem pintando as sapatilhas por questões raciais e, somente agora, depois de 200 anos, foram criadas sapatilhas adequadas. Em 1969, Arthur Mitchell, que era o diretor da Dance Theatre of Harlem, criou essa assinatura para a companhia. Ele pensou nisso ao ver uma das bailarinas, que foi ensaiar e resolveu colocar a meia e a sapatilha da cor da pele. Mitchell gostou de como aquela linha contínua completava o corpo dela e resolveu adotar para a companhia toda. Só que o mercado da dança não está apto para a diversidade. Bailarinos negros existem há muito tempo. A marca que acabou de lançar a sapatilha não foi a primeira a criar uma da cor da pele - a Gaynor Minden foi uma das primeiras, quando lançou três tonalidades. Mas não temos apenas três cores de pele e nem todo mundo usa o mesmo modelo. Essa duas marcas, Gaynor e Freed, criaram as tonalidades de cor da sapatilha e eu não uso nenhuma das duas.

O mercado de produtos de balé está começando a mudar?

Já era para ter mudado há muito tempo. Faz onze anos que pinto a sapatilha. Faz 50 anos que o Dance Theatre of Harlem existe e é uma das companhias de maior

diversidade do mundo inteiro. Será que eles não pensaram nisso?

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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