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PQU reforça compromisso regional


Leone Farias e
Niceia de Freitas
Do Diário do Grande ABC

06/03/2005 | 18:57


A PQU (Petroquímica União), de Santo André, tem compromisso com o Grande ABC, seja nos cursos gratuitos que deverá lançar para formar mão-de-obra local quanto em diversos projetos de responsabilidade social que realiza, segundo o diretor-superintendente da empresa, o engenheiro químico Wilson Koji Matsumoto. O foco é no bom relacionamento com a comunidade da região e, para isso, a avaliação da companhia é de que não é preciso necessariamente investir grandes somas de recursos. "Para que aplicar em projetos que não têm nada a ver com Santo André ou Mauá? Se existe um grupo sem fins lucrativos para prestar benefícios à comunidade, a PQU participa. Não precisamos fazer marketing, não vendemos produtos de supermercado", afirma. Em entrevista exclusiva ao Diário, Matsumoto comenta ainda a conjuntura favorável no país e no exterior, que permitiu à companhia registrar lucro recorde de R$ 186,5 milhões em 2004. O superintendente ressaltou ainda que a companhia corre contra o tempo para cumprir todas as etapas de desenvolvimento do projeto de expansão, avaliado em US$ 175 milhões e que prevê 200 mil toneladas adicionais de eteno (matéria-prima para a produção de resinas, que por sua vez, são insumo para a fabricação de peças de plástico) a partir de 2007. A companhia deverá finalizar até abril etapas de engenharia do projeto para obter o licenciamento ambiental. O executivo destacou ainda os avanços conseguidos pela indústria química, nos últimos 10 anos, nos quais superou a imagem de poluidora e pouco rentável.

DIÁRIO – A PQU fechou o balanço de 2004 com lucro 150% superior ao de 2003. Ao que o sr. atribui esses bons resultados?

WILSON KOJI MATSUMOTO – Atribuo à própria conjuntura setorial no mundo. A petroquímica é produtora de commodities e tem ciclos de grandes margens (de lucro) em períodos longos, de 7 a 10 anos. É uma indústria intensiva de capital, tem projetos de longa maturação e normalmente os investimentos acontecem depois de bons resultados. Vivemos um momento de margem elevada, acelerada pela recuperação da economia americana, chinesa e do mundo como um todo. Isso mexeu com os preços do petróleo, aço e a indústria petroquímica em geral. Estima-se que em 2005 se mantenha esse quadro. Essa alta da margem permitiu absorver com facilidade aumento de custos que aconteceram nos dois últimos anos. O barril do petróleo chegou a US$ 50 e o impacto foi direto porque o nafta é derivado do petróleo e apesar de o custo ter subido muito, a margem cresceu. Em menor grau, o crescimento da economia brasileira também impactou no resultado da empresa. A indústria cresceu e por consequência, a demanda. Uma proporção maior da produção nacional de produtos petroquímicos fica no mercado interno. E internamente, a empresa manteve um nível operacional alto. Teve continuidade, com 99% de produção e 1% de perda, o que significa dois ou três dias de perda, no máximo. Batemos recorde de produção de eteno, benzeno, butadieno e de resinas de petróleo. Foi um ano bom sob a ótica operacional. Sob a ótica financeira, com o dólar em queda – e como uma parcela da nossa dívida é em dólar –, isso representou custo menor do dinheiro. Como se pode ver, o bom resultado de 2004 foi uma somatória de fatores positivos.

DIÁRIO – Dentro do planejamento estratégico da companhia, quais as perspectivas em relação às cotações do barril de petróleo e do dólar?

MATSUMOTO – A previsão é de um preço do petróleo abaixo dos 40 dólares no final do ano. Para o câmbio se projeta uma taxa mais alta que a de hoje (por volta de R$ 2,70). Mas não estimamos uma alta cambial tão elevada que possa aumentar os encargos financeiros de nossas dívidas em dólar. Eu diria que é um cenário neutro.

DIÁRIO – O endividamento é uma preocupação?

MATSUMOTO – Não, porque é muito baixo. Evidentemente é necessário fazer uma análise das operações financeiras para suportar um projeto como o da expansão da companhia. Um projeto que tem 60% de financiamento, 40% de recursos próprios, como é a idéia da expansão da PQU, tem de se olhar sempre como está o cenário e a nossa moeda, para se ter um equilíbrio.

DIÁRIO – A expansão vai gerar 200 mil toneladas adicionais de eteno. Como será o cronograma das obras?

MATSUMOTO – Um projeto de 200 mil toneladas, normalmente, não começa à plena capacidade. Inicia com 75%, 80%. Mesmo porque o mercado não absorve tudo de uma só vez, mesmo que tentemos exportar. Nossa expectativa é que a fábrica esteja com plena capacidade ao longo de 2008.

DIÁRIO – Em qual etapa está o cronograma de expansão?

MATSUMOTO – Para entrar em operação em 2007, como está previsto, estamos cumprindo as etapas. Até o final do ano, no máximo até o primeiro mês do ano que vem, teremos de estar com a licença prévia ambiental para a instalação. Temos que finalizar todos os estudos, impactos, relatório, audiências públicas. Não podemos ter percalços no meio do caminho. Precisamos concluir algumas etapas importantes de engenharia do projeto até final de abril. Em maio poderemos entrar com os estudos na Secretaria do Meio Ambiente. A partir de maio estaremos contratando alguns grandes equipamentos básicos, produzidos no exterior. Também há um caminho crítico do cronograma, o lançamento do duto de São José dos Campos até o Pólo de Capuava. Precisamos do licenciamento ambiental e então tocar a obra de mais de 100 quilômetros, que vai exigir muitas frentes simultâneas.

DIÁRIO – Das 200 mil toneladas adicionais de eteno, 130 mil vão para a Polietilenos União. E os 70 mil restantes?

MATSUMOTO – O projeto original era de 130 mil toneladas adicionais. Na época, em 2000, os acionistas já tinham negociado a alocação da produção à Unipar (controladora integral da Polietilenos). Depois o projeto foi expandido para 200 mil. Ao elevar a capacidade, naturalmente diversos clientes querem ter acesso a mais eteno. Tanto a Polietilenos União quanto outros clientes querem fazer ampliações. É um assunto que será definido pelos acionistas, portanto, estamos aguardando. A PQU aguarda essa definição, mas isso não impacta em nada para nós. Tudo o que produzirmos tem quem queira comprar.

DIÁRIO – E sobre a possibilidade de uma nova expansão, inclusive já anunciada pela Unipar?

MATSUMOTO – Há um lema: crescer ou morrer. Em uma indústria de capital intensivo, de commodities, competitividade é tudo. Para ter competitividade, no caso de petroquímica, o fator mais importante é escala, e o segundo mais importante é matéria-prima com preço competitivo. Temos que criar condições para isso. Então, antes de sonhar com essa nova expansão, temos que aprovar o projeto agora. Aí poderemos pensar nas possibilidades futuras. Estamos estudando alternativas, temos de colocar isso na pauta. Certamente vamos fazer de tudo para viabilizar uma nova ampliação. É bom para a empresa, para a economia local, Mauá, Santo André. Temos que perseguir isso. Compete a nós, empresa, promover esse crescimento. Mas ainda não temos matéria-prima definida. O mercado aparentemente estará em crescimento. Os derivados petroquímicos, particularmente, na área de plásticos crescem, no mínimo, uma vez e meia o crescimento do PIB, então as perspectivas são bastante positivas. Mas, por outro lado, há diversos projetos anunciados para o futuro. Fala-se na Bolívia, Venezuela, Itaguaí, no Rio de Janeiro. Enfim, pra todos esses projetos de uma vez certamente não haverá mercado.

DIÁRIO – Haverá contratações durante a fase de expansão?

MATSUMOTO – A mão-de-obra necessária para operar a nova planta será pequena. Deverá gerar cerca de 50 empregos, porque os equipamentos possuem controles automatizados. É um quadro altamente especializado e formado internamente. Mas há um outro quadro de pessoal relativamente especializado para o período de construção. No pico da obra haverá algo entre 3 mil e 4 mil trabalhadores, na segunda metade de 2006.

DIÁRIO – Em 2006 haverá uma parada de manutenção?

MATSUMOTO – Sim, pra fazer a troca de equipamentos não dá para fazer com a planta em operação. Então, para essa fase de construção e montagem, é importante ter mão-de-obra especializada: soldador, encanador, caldeireiro, uma série de especialidades, em volume superior à demanda normal. Temos de trabalhar a formação mais em função de um compromisso com órgãos sindicais, prefeitos e parlamentares. Tivemos grande apoio para a solução da questão com a Petrobras (acordo com a estatal para expandir a produção em Capuava) e usar ao máximo a mão-de-obra local em épocas de paradas. Temos o compromisso de oferecer formação complementar e estamos desenvolvendo um trabalho, em parceria com a UniABC para ver o tipo de formação, a quantidade de pessoas e para que tipo de indústria poderemos preparar esse pessoal e vamos iniciar em breve curso não muito especializado.

DIÁRIO – Serão cursos gratuitos?

MATSUMOTO – Sim, para um contingente de pessoas da região, que hoje podem estar desempregadas, sem condições de pagar um curso. No momento que começar a obra teremos uma quantidade de pessoas que possa ser efetivamente contratada pelas empresas.

DIÁRIO – Aproveitando que falamos dos cursos gratuitos, a empresa atua na área de Responsabilidade Social...

MATSUMOTO – ...é um tema muito em voga, mas pouco entendido. Tem gente que confunde com assistencialismo. Não estamos aqui para fazer assistência social, mas estamos inseridos nessa comunidade, incomodamos essa comunidade e também trazemos benefícios, por meio dos impostos arrecadados. Mas a convivência é melhor com a troca de informações sobre competências específicas que temos, ligadas a segurança, meio ambiente. Temos vários trabalhos, não só pela PQU, mas por um conjunto de empresas do Pólo dentro de um programa chamado Atuação Responsável. Temos um conselho consultivo, em que participam pessoas da comunidade, Defesa Civil, professores, Corpo de Bombeiros, representantes da sociedade civil. É um trabalho de resgate da imagem da indústria química, tão desgastada há muito tempo, já implantado no Brasil há 13 anos. Isso também trouxe para a empresa uma visão de que programas incentivados pela Lei Rouanet ou a Lei do Audiovisual poderiam ter recursos direcionados para beneficiar a região. A PQU está muito forte em projetos sociais. Para que aplicar em alguma coisa que não tem nada ver com Santo André ou Mauá? Se existe um grupo sem fins lucrativos, organizado, para prestar benefícios à comunidade, a PQU participa, se for convidada. Também não vamos dispender recursos porque também não precisamos fazer marketing. Somos produtores de matérias-primas, temos 50, 60 clientes, não vendemos produtos nas prateleiras de supermercados, não precisamos fazer propaganda. Temos uma imagem institucional séria, com preocupação com a comunidade, com o meio ambiente.

DIÁRIO – E sobre o meio ambiente? De vez em quando há reclamações da comunidade sobre os ruídos, do flair (queimador de gás que evita dispersão para a atmosfera) e da fumaça. Como estão os investimentos em novas tecnologias para minimizar esses impactos?

MATSUMOTO – Algumas reclamações do passado não existem mais. As que persistem estão ligadas ao flair. Quando a chama está alta, há ruído. Mas isso ocorre em casos de emergência, quando há uma falha em um equipamento, algo que ficou fora de controle. Isso é minimizado com trabalhos de prevenção e manutenção. Cada vez mais a empresa tem menos ocorrências desses tipos. E também estamos trabalhando com novas tecnologias. Como é impossível zerar situação de emergência, não é possível que uma planta que opera sem parar durante seis anos não tenha uma ocorrência, mas em toda parada trabalhamos medidas para melhorar. Na próxima parada da companhia serão tomadas outras medidas. Mas é uma atividade de risco.

DIÁRIO – Como o sr. define a PQU de hoje e a de dez anos atrás, que tinha fama de velha, poluidora e pouco rentável?

MATSUMOTO – Isso tem a ver com vários aspectos. Uma delas foi o programa Atuação Responsável, que surgiu como uma preocupação da indústria química brasileira de implementar um resgate da sua imagem sob o risco de não poder operar mais no país. Era preciso trabalhar melhoria de suas condições. Além disso, houve mais mobilização da sociedade quanto à saúde, meio ambiente, segurança. Todas essas iniciativas ajudaram a imagem. Hoje vejo com satisfação porque os resultados estão aí. Toda a indústria se mobilizou pra melhorar as condições operacionais. Hoje a indústria química não é uma vilã. Para o futuro essa preocupação continua, porque os órgãos ambientais estão sob o olhar atento da sociedade.



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