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Docente da USCS volta a Mariana em expedição

Celso Luiz/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Yara Ferraz
do Diário do Grande ABC

21/10/2016 | 07:07


A especialista em recursos hídricos e professora da USCS (Universidade Municipal de São Caetano) Marta Ângela Marcondes embarca, hoje, para Mariana, em Minas Gerais. A segunda expedição pela Bacia do Rio Doce acontece um ano após a mais grave tragédia ambiental do País, quando barragem da mineradora Samarco rompeu no distrito de Bento Rodrigues. A ação tem o intuito de colher amostras do rio, que foi destruído após o acidente, para verificar a qualidade da água e comparar com as análises realizadas no ano passado.

Conforme a professora, a expedição terá 18 pontos de coleta, em extensão de aproximadamente 680 quilômetros, passando por dez municípios, mesmo percurso feito duas semanas após o desastre. Na época, 16 locais apresentaram o IQA (Índice de Qualidade da Água) péssimo e dois obtiveram índice regular. A expectativa da pesquisadora, no entanto, é de que a situação da água esteja ainda pior agora.

Na explicação de Marta, a barragem da mineradora que rompeu em novembro de 2015, era o que impedia que os dejetos da mineradora fossem despejados diretamente no Rio Doce. Sem a construção de novo obstáculo, o prejuízo tende a ser maior. “O que segurava esse material, hoje não segura mais. Há possibilidade de a água do rio estar ainda pior”, disse.

Outros fatores que podem contribuir para a piora da qualidade do recurso hídrico são a falta de chuva na região e também o início do abastecimento das cidades localizadas no entorno da Bacia do Rio Doce pelos afluentes do rio, completamente poluído. “Isso é grave, porque o curso da água não chega no rio e aquela lama não se dilui. Seria necessário grande quantidade de água para que isso acontecesse.”

Apesar do cenário desanimador, a professora não descarta a possibilidade de que a água volte a ser limpa. “Para que o rio seja recuperado, precisa existir força de vontade e também de recursos. Na minha visão, a solução seria desviar o curso da água para área onde fosse realizado o tratamento.”

Novamente, a expedição faz parte de parceria com a Fundação SOS Mata Atlântica. O intuito é produzir documento capaz de mostrar que, um ano depois da tragédia, nada foi feito para a recuperação da área. A expectativa é, também, que o material auxilie o MP (Ministério Público).

“Apenas estão fazendo testes em partes pequenas, mas não em larga escala. Por isso, acho que a empresa (Samarco) não deveria pagar multa. Por que, para onde vai este dinheiro? Os responsáveis precisam pagar a restruturação da área”, considerou Marta. A expectativa é a de que os resultados dos testes fiquem prontos no início de novembro.

DENÚNCIA
O MPF (Ministério Público Federal) denunciou, ontem, 22 pessoas por homicídio doloso pelo rompimento da barragem. Quatro empresas também foram denunciadas: a mineradora Samarco, responsável pela barragem; suas acionistas Vale e BHP Billiton; e a VogBR, empresa que assinou laudo sobre a estabilidade da estrutura.

Entre os denunciados estão diversos funcionários da Samarco: Ricardo Vescovi, presidente afastado; Kleber Luiz Terra, diretor afastado de operações e infraestrutura; três gerentes e 11 integrantes do conselho de administração. As acusações são de inundação, desabamento, lesões corporais graves e homicídio doloso, quando se assume o risco de matar. A denúncia atinge também representantes da Vale e da BHP Billiton. O engenheiro Samuel Loures e a empresa VogBR foram denunciados por emitirem laudo enganoso.

Segundo os procuradores do MPF, a ganância da Samarco na busca por lucro levou à tragédia. Com o rompimento da barragem, grande volume de lama de rejeitos se espalhou, deixando 19 mortos, causando poluição à bacia e devastando vegetação nativa. (com Agências) 



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Docente da USCS volta a Mariana em expedição

Yara Ferraz
do Diário do Grande ABC

21/10/2016 | 07:07


A especialista em recursos hídricos e professora da USCS (Universidade Municipal de São Caetano) Marta Ângela Marcondes embarca, hoje, para Mariana, em Minas Gerais. A segunda expedição pela Bacia do Rio Doce acontece um ano após a mais grave tragédia ambiental do País, quando barragem da mineradora Samarco rompeu no distrito de Bento Rodrigues. A ação tem o intuito de colher amostras do rio, que foi destruído após o acidente, para verificar a qualidade da água e comparar com as análises realizadas no ano passado.

Conforme a professora, a expedição terá 18 pontos de coleta, em extensão de aproximadamente 680 quilômetros, passando por dez municípios, mesmo percurso feito duas semanas após o desastre. Na época, 16 locais apresentaram o IQA (Índice de Qualidade da Água) péssimo e dois obtiveram índice regular. A expectativa da pesquisadora, no entanto, é de que a situação da água esteja ainda pior agora.

Na explicação de Marta, a barragem da mineradora que rompeu em novembro de 2015, era o que impedia que os dejetos da mineradora fossem despejados diretamente no Rio Doce. Sem a construção de novo obstáculo, o prejuízo tende a ser maior. “O que segurava esse material, hoje não segura mais. Há possibilidade de a água do rio estar ainda pior”, disse.

Outros fatores que podem contribuir para a piora da qualidade do recurso hídrico são a falta de chuva na região e também o início do abastecimento das cidades localizadas no entorno da Bacia do Rio Doce pelos afluentes do rio, completamente poluído. “Isso é grave, porque o curso da água não chega no rio e aquela lama não se dilui. Seria necessário grande quantidade de água para que isso acontecesse.”

Apesar do cenário desanimador, a professora não descarta a possibilidade de que a água volte a ser limpa. “Para que o rio seja recuperado, precisa existir força de vontade e também de recursos. Na minha visão, a solução seria desviar o curso da água para área onde fosse realizado o tratamento.”

Novamente, a expedição faz parte de parceria com a Fundação SOS Mata Atlântica. O intuito é produzir documento capaz de mostrar que, um ano depois da tragédia, nada foi feito para a recuperação da área. A expectativa é, também, que o material auxilie o MP (Ministério Público).

“Apenas estão fazendo testes em partes pequenas, mas não em larga escala. Por isso, acho que a empresa (Samarco) não deveria pagar multa. Por que, para onde vai este dinheiro? Os responsáveis precisam pagar a restruturação da área”, considerou Marta. A expectativa é a de que os resultados dos testes fiquem prontos no início de novembro.

DENÚNCIA
O MPF (Ministério Público Federal) denunciou, ontem, 22 pessoas por homicídio doloso pelo rompimento da barragem. Quatro empresas também foram denunciadas: a mineradora Samarco, responsável pela barragem; suas acionistas Vale e BHP Billiton; e a VogBR, empresa que assinou laudo sobre a estabilidade da estrutura.

Entre os denunciados estão diversos funcionários da Samarco: Ricardo Vescovi, presidente afastado; Kleber Luiz Terra, diretor afastado de operações e infraestrutura; três gerentes e 11 integrantes do conselho de administração. As acusações são de inundação, desabamento, lesões corporais graves e homicídio doloso, quando se assume o risco de matar. A denúncia atinge também representantes da Vale e da BHP Billiton. O engenheiro Samuel Loures e a empresa VogBR foram denunciados por emitirem laudo enganoso.

Segundo os procuradores do MPF, a ganância da Samarco na busca por lucro levou à tragédia. Com o rompimento da barragem, grande volume de lama de rejeitos se espalhou, deixando 19 mortos, causando poluição à bacia e devastando vegetação nativa. (com Agências) 

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