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Quatro em cada dez eleitores da região rejeitaram os candidatos

Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Junior Carvalho
Daniel Tossato
Do Diário do Grande ABC

04/10/2016 | 07:00


Praticamente quatro em cada dez eleitores do Grande ABC não votaram em ninguém no pleito de domingo. Levantamento feito pelo Diário, com base nos dados fornecidos pela Justiça Eleitoral, revela que o número de votos em branco, nulos e abstenções chegou a patamar histórico na região, de 37,4% do eleitorado. Dos 2.068.802 pessoas votantes das sete cidades, 773.791 rejeitaram os candidatos nas urnas ou deixaram de escolher seus representantes nas prefeituras e nas Câmaras.

Na região, essa parcela do eleitorado que abre mão da escolha vem aumentando a cada pleito. No entanto, de 2012 para cá, o salto foi mais expressivo: 40,59%. Na eleição de quatro anos atrás, votos brancos, nulos e abstenções representaram 27,77% do eleitorado do Grande ABC na época. Em 2008, esse número era um pouco menor (25,46%). A cidade que registrou maior rejeição aos pleiteantes foi Santo André, cujo 41,47% dos eleitores andreenses não escolheram nenhum candidato. O município decidirá no segundo turno, no dia 30, se reelege o prefeito Carlos Grana (PT) ou se dá a vitória ao ex-vereador Paulinho Serra (PSDB). (veja tabela completa ao lado).

Para o cientista político Gaudêncio Torquato, esse resultado expressa a “rejeição à classe política”.
“Esses (quase) 40% significam que o eleitor disse ‘não’ à velha política e demonstraram que nega os comportamentos corruptos dos políticos e que rejeita os serviços deteriorados oferecidos pelas administrações municipais. Foi um voto de protesto. Anular, votar em branco ou deixar de votar é sinônimo de protesto e demonstração inequívoca de rejeição (aos governantes)”, avaliou.

EFEITO DORIA
Torquato cita como exemplo a vitória inesperada do empresário João Doria (PSDB) no primeiro turno da disputa pela prefeitura da Capital, no domingo. Envolto pelo discurso de que não é político e que desejava governar a maior cidade do País como um gestor de empresas e não como uma figura ligada à política, o tucano abocanhou a vitória com 53,29% dos votos (3,085 milhões dos válidos). “Ele se posicionou contra a velha política, disse que era gestor. Apareceu com estampa nova”, frisou.

Outro fato curioso no resultado da eleição paulistana foi que a votação que deu vitória a Doria foi justamente menor que os números de votos em branco, nulos e abstenções em São Paulo, que totalizaram 3,096 milhões.

O especialista discorda da tese do voto facultativo, alegando que esse modelo poderia intensificar o quadro de rejeição. Para Torquato, a alternativa é reforma política e eleitoral. “Estamos transbordando. A esfera política haverá de considerar esse quadro e verá que a velha política chegou à falência”. 



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Quatro em cada dez eleitores da região rejeitaram os candidatos

Junior Carvalho
Daniel Tossato
Do Diário do Grande ABC

04/10/2016 | 07:00


Praticamente quatro em cada dez eleitores do Grande ABC não votaram em ninguém no pleito de domingo. Levantamento feito pelo Diário, com base nos dados fornecidos pela Justiça Eleitoral, revela que o número de votos em branco, nulos e abstenções chegou a patamar histórico na região, de 37,4% do eleitorado. Dos 2.068.802 pessoas votantes das sete cidades, 773.791 rejeitaram os candidatos nas urnas ou deixaram de escolher seus representantes nas prefeituras e nas Câmaras.

Na região, essa parcela do eleitorado que abre mão da escolha vem aumentando a cada pleito. No entanto, de 2012 para cá, o salto foi mais expressivo: 40,59%. Na eleição de quatro anos atrás, votos brancos, nulos e abstenções representaram 27,77% do eleitorado do Grande ABC na época. Em 2008, esse número era um pouco menor (25,46%). A cidade que registrou maior rejeição aos pleiteantes foi Santo André, cujo 41,47% dos eleitores andreenses não escolheram nenhum candidato. O município decidirá no segundo turno, no dia 30, se reelege o prefeito Carlos Grana (PT) ou se dá a vitória ao ex-vereador Paulinho Serra (PSDB). (veja tabela completa ao lado).

Para o cientista político Gaudêncio Torquato, esse resultado expressa a “rejeição à classe política”.
“Esses (quase) 40% significam que o eleitor disse ‘não’ à velha política e demonstraram que nega os comportamentos corruptos dos políticos e que rejeita os serviços deteriorados oferecidos pelas administrações municipais. Foi um voto de protesto. Anular, votar em branco ou deixar de votar é sinônimo de protesto e demonstração inequívoca de rejeição (aos governantes)”, avaliou.

EFEITO DORIA
Torquato cita como exemplo a vitória inesperada do empresário João Doria (PSDB) no primeiro turno da disputa pela prefeitura da Capital, no domingo. Envolto pelo discurso de que não é político e que desejava governar a maior cidade do País como um gestor de empresas e não como uma figura ligada à política, o tucano abocanhou a vitória com 53,29% dos votos (3,085 milhões dos válidos). “Ele se posicionou contra a velha política, disse que era gestor. Apareceu com estampa nova”, frisou.

Outro fato curioso no resultado da eleição paulistana foi que a votação que deu vitória a Doria foi justamente menor que os números de votos em branco, nulos e abstenções em São Paulo, que totalizaram 3,096 milhões.

O especialista discorda da tese do voto facultativo, alegando que esse modelo poderia intensificar o quadro de rejeição. Para Torquato, a alternativa é reforma política e eleitoral. “Estamos transbordando. A esfera política haverá de considerar esse quadro e verá que a velha política chegou à falência”. 

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