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Pressão sobre o real deve continuar forte



25/11/2011 | 07:00


O feriado de Ações de Graça nos Estados Unidos deu um alívio ontem a ativos de risco, como as ações brasileiras, mas a pressão de baixa nos preços deverá retornar com força na próxima semana se os líderes europeus não encontrarem uma maneira de estancar a escalada da crise da zona do euro, segundo analistas internacionais.

Os investidores ficaram frustrados com o desfecho do encontro, ontem, em Estrasburgo, na França, entre a chanceler alemã, Angela Merkel, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e o primeiro-ministro italiano, Mario Monti, para discutir a atuação do Banco Central Europeu (BCE) na crise do euro. Após a reunião, Merkel criticou novamente os pedidos para a emissão de eurobônus, declarando "não ver razão para eurobonds".

"Enquanto não houver uma solução concreta, isto é, a falta de resolução dos líderes para conter a crise, a pressão sobre os mercados deve continuar, especialmente se nada de tangível sair dessa reunião e o desfecho for mais retórico", disse à Agência Estado Eric Theoret, estrategista do banco Scotia Capital em Toronto, Canadá. Segundo ele, a alta das taxas pagas pelos títulos do governo alemão é uma forma de o mercado forçar uma solução que, em última instância, levará a Alemanha a aceitar a compartilhar os custos da dívida europeia via a emissão de eurobônus.

Na opinião do estrategista de câmbio do banco ING em Londres, Tom Levinson, a crise da zona do euro irá piorar mais ainda até o final do ano. "Neste ambiente é difícil ver qualquer ativo, incluindo o real e as outras moedas emergentes, ter uma melhora de desempenho, muito menos para os níveis de alta do real que vimos antes de setembro", disse Levinson. Para ele, o BCE detém grande parte da responsabilidade para conseguir estabilizar a crise. "Mais um corte de juros é o absoluto mínimo que os investidores estão demandando do BCE para que o preço dos ativos não

despenque", ressaltou Levinson.

Na sua última reunião de política monetária, há três semanas, o BCE surpreendeu os investidores ao cortar os juros em 0,25 ponto porcentual para 1,25%. A próxima reunião está marcada para o dia 8 de dezembro e os investidores estarão atentos, além da expectativa de corte de juros, à divulgação das estimativas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro em 2012. "Se houver má notícia em termos das projeções para o PIB da região em 2012, então os mercados reagirão muito negativamente", disse Levinson. Por enquanto, o consenso dos analistas é de um crescimento de 0,5% em 2012, embora esse consenso deva ser revisado para baixo. "A questão não é se a zona do euro entrará em recessão, mas quão profunda será essa recessão a ser projetada pelo BCE", comentou ele. A reunião do BCE em 8 de dezembro será outro catalisador de preços dos ativos financeiros, disse o estrategista do ING.

Diante desse cenário, o estrategista para América Latina do Scotia Capital em Toronto, Eduardo Suarez, espera que o real se desvalorize mais ainda frente ao dólar até o final do ano em relação ao nível atual ao redor de R$ 1,89 por dólar. "A incerteza em relação à crise do euro deverá permanecer elevada no curto prazo, portanto a pressão sobre o real continuará", disse Suarez. "Ao longo do próximo mês, eu certamente continuaria comprado em dólar e vendido em real."

Para Flemming Nielsen, estrategista-sênior do Danske Bank em Copenhague, os mercados emergentes enfrentarão mais pressão de venda por parte dos investidores internacionais. "Estamos longe de uma solução para a crise da zona do euro e nos próximos três meses haverá muitos eventos de risco, especialmente negativos, para os ativos em geral", disse Nielsen à Agência Estado. Para ele, no curtíssimo prazo, a questão é o que poderá ser feito para estabilizar o mercado europeu. "O BCE teria de ser mais agressivo nas compras de títulos no mercado secundário, mas o processo para que isso aconteça é ainda difícil", afirmou.



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Pressão sobre o real deve continuar forte


25/11/2011 | 07:00


O feriado de Ações de Graça nos Estados Unidos deu um alívio ontem a ativos de risco, como as ações brasileiras, mas a pressão de baixa nos preços deverá retornar com força na próxima semana se os líderes europeus não encontrarem uma maneira de estancar a escalada da crise da zona do euro, segundo analistas internacionais.

Os investidores ficaram frustrados com o desfecho do encontro, ontem, em Estrasburgo, na França, entre a chanceler alemã, Angela Merkel, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e o primeiro-ministro italiano, Mario Monti, para discutir a atuação do Banco Central Europeu (BCE) na crise do euro. Após a reunião, Merkel criticou novamente os pedidos para a emissão de eurobônus, declarando "não ver razão para eurobonds".

"Enquanto não houver uma solução concreta, isto é, a falta de resolução dos líderes para conter a crise, a pressão sobre os mercados deve continuar, especialmente se nada de tangível sair dessa reunião e o desfecho for mais retórico", disse à Agência Estado Eric Theoret, estrategista do banco Scotia Capital em Toronto, Canadá. Segundo ele, a alta das taxas pagas pelos títulos do governo alemão é uma forma de o mercado forçar uma solução que, em última instância, levará a Alemanha a aceitar a compartilhar os custos da dívida europeia via a emissão de eurobônus.

Na opinião do estrategista de câmbio do banco ING em Londres, Tom Levinson, a crise da zona do euro irá piorar mais ainda até o final do ano. "Neste ambiente é difícil ver qualquer ativo, incluindo o real e as outras moedas emergentes, ter uma melhora de desempenho, muito menos para os níveis de alta do real que vimos antes de setembro", disse Levinson. Para ele, o BCE detém grande parte da responsabilidade para conseguir estabilizar a crise. "Mais um corte de juros é o absoluto mínimo que os investidores estão demandando do BCE para que o preço dos ativos não

despenque", ressaltou Levinson.

Na sua última reunião de política monetária, há três semanas, o BCE surpreendeu os investidores ao cortar os juros em 0,25 ponto porcentual para 1,25%. A próxima reunião está marcada para o dia 8 de dezembro e os investidores estarão atentos, além da expectativa de corte de juros, à divulgação das estimativas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro em 2012. "Se houver má notícia em termos das projeções para o PIB da região em 2012, então os mercados reagirão muito negativamente", disse Levinson. Por enquanto, o consenso dos analistas é de um crescimento de 0,5% em 2012, embora esse consenso deva ser revisado para baixo. "A questão não é se a zona do euro entrará em recessão, mas quão profunda será essa recessão a ser projetada pelo BCE", comentou ele. A reunião do BCE em 8 de dezembro será outro catalisador de preços dos ativos financeiros, disse o estrategista do ING.

Diante desse cenário, o estrategista para América Latina do Scotia Capital em Toronto, Eduardo Suarez, espera que o real se desvalorize mais ainda frente ao dólar até o final do ano em relação ao nível atual ao redor de R$ 1,89 por dólar. "A incerteza em relação à crise do euro deverá permanecer elevada no curto prazo, portanto a pressão sobre o real continuará", disse Suarez. "Ao longo do próximo mês, eu certamente continuaria comprado em dólar e vendido em real."

Para Flemming Nielsen, estrategista-sênior do Danske Bank em Copenhague, os mercados emergentes enfrentarão mais pressão de venda por parte dos investidores internacionais. "Estamos longe de uma solução para a crise da zona do euro e nos próximos três meses haverá muitos eventos de risco, especialmente negativos, para os ativos em geral", disse Nielsen à Agência Estado. Para ele, no curtíssimo prazo, a questão é o que poderá ser feito para estabilizar o mercado europeu. "O BCE teria de ser mais agressivo nas compras de títulos no mercado secundário, mas o processo para que isso aconteça é ainda difícil", afirmou.

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