Setecidades

Vacina pentavalente está em falta nos postos da região


 As UBSs (Unidades Básicas de Saúde) do Grande ABC estão com falta da vacina pentavalente, que previne contra difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e infecções causadas pelo Haemophilus influenzae B. A vacina faz parte do calendário básico de imunização e deve ser tomada por bebês aos 2 meses de idade, com reforço aos 4 e 6 meses.

Em julho, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) cancelou importação da imunização de fornecedor indiano por não passar no controle de qualidade. Desde então, cada vez menos doses têm sido enviadas para os Estados, que redistribuem para as cidades. Santo André, Diadema e Ribeirão Pires têm unidades sem estoque do item. Já em São Bernardo e São Caetano há oferta menor do que a demanda.

A dona de casa Paula Andrade, 38 anos, moradora da Vila Cecília Maria, em Santo André, visitou três unidades de saúde da cidade até conseguir imunizar a pequena Isadora, que completou 2 meses em 13 de outubro. “Desde quando ela tinha 1 mês já sabia que a vacina estava em falta. Logo que ela fez a idade para tomar começamos a procurar”, relatou. Os pais da bebê foram até a UBS da Vila Linda e da Vila Helena, mas só conseguiram vacinar a menina no Jardim Oratório.

A equipe do Diário esteve na unidades onde não há estoque da imunização na manhã de ontem. Funcionários confirmaram o problema e destacaram que não há previsão de normalização. Moradora que deixava a UBS Vila Linda relatou que, há cerca de dois meses, tem tentado atualizar a vacinação da pequena Flávia, de 1 ano e 8 meses, mas não tem tido sucesso.

Em nota, a Prefeitura andreense informou que recebeu 1.200 doses em 8 de outubro, mas que ontem todas as unidades já se encontravam sem a vacina. A administração destacou que, assim que o Ministério da Saúde normalizar o fornecimento, as UBSs serão reabastecidas.

A Prefeitura de São Bernardo informou que recebeu, em outubro, 30% do total de vacinas solicitadas ao Estado. As doses foram distribuídas para as 34 UBSs e o estoque está em situação de alerta. O próximo recebimento está previsto para o mês de novembro.

Em São Caetano, a administração também destacou que foi abastecida com doses insuficientes para vacinar toda a demanda. Atualmente, há vacinas em todas as UBSs.

Diadema relatou que todas as doses recebidas já foram utilizadas e que não há estoque na cidade, assim como Ribeirão Pires, que destinou, na última semana, 20 doses para cada UBS, todas já utilizadas. Mauá e Rio Grande da Serra não responderam até o fechamento desta edição.

O Ministério da Saúde informou que mantém a distribuição de vacinas em todo o País e trabalha na regularização dos estoques quando há necessidade, em casos pontuais. Em nota, a pasta esclareceu que envia os itens mensalmente aos Estados, responsáveis pela distribuição aos municípios – a quem cabe a logística e abastecimento das salas de vacinação. A expectativa é a de que até novembro a situação esteja normalizada. A Secretaria do Estado da Saúde respondeu que apenas distribui as doses recebidas do governo federal e que nos últimos meses o envio tem sido irregular e em quantidades insuficientes. Segundo a pasta, 6.000 vacinas foram enviadas ao Grande ABC na última semana e, à medida em que novas remessas cheguem do governo federal, serão distribuídas regionalmente.

Especialista alerta para o risco de surtos de doenças

A falta da vacina pentavalente causa preocupação. Especialista em vigilância em saúde e integrante da direção da regional São Paulo da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações), Melissa Palmieri explicou que o problema pode ampliar o risco de surtos de doenças, a exemplo do que vem sendo enfrentado com o sarampo. Apenas no Grande ABC, 758 pessoas já foram infectadas neste ano e um homem morreu em Santo André – a doença estava erradicada havia cinco anos.

Melissa explicou que a cobertura vacinal vem caindo no Brasil nos últimos anos e que isso vai criando “bolsões de vulneráveis”. Segundo a especialista, o ideal é que a cobertura seja de 90% a 95% da população-alvo. O Diário mostrou, em junho, que a região vem falhando na imunização de crianças até 15 meses. Em 2018, apenas Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra atingiram a meta em oito tipos de vacinas.

“Quando o vírus ou a bactéria chegam até esse ‘bolsão de vulneráveis’ é que ocorrem os surtos”, pontuou Melissa. Ela lembrou, ainda, que doenças como a difteria e a coqueluche não estão controladas em países vizinhos ao Brasil, como a Venezuela, e que existe o risco de o vírus migrarem e afetarem a população brasileira.

Segundo pesquisa feita em clínicas da região e da Capital, os valores da vacina hexavalente – na rede privada, a dose inclui imunização contra poliomelite – variam de R$ 300 a R$ 450.

Em nota, o Ministério da Saúde destacou que não há dados que ensejem emergência epidemiológica no Brasil das doenças cobertas pela vacina pentavalente. Segundo a pasta, quando os estoques forem normalizados, o SUS (Sistema Único de Saúde) fará busca pelas crianças que completaram 2, 4 e 6 meses de idade neste ano para vaciná-las.

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