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IPCA encerra 2020 aos 4,52% e atinge mais alto percentual desde 2016

 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Disparada foi puxada pelos alimentos, que encareceram 14,09%; dólar alto contribuiu


Soraia Abreu Pedrozo
Do Diário do Grande ABC

13/01/2021 | 00:21


A inflação oficial do País, medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor), encerrou 2020 aos 4,52%. O percentual é o maior desde 2016, quando chegou em 6,29%. O indicador se refere às famílias com rendimento entre um (R$ 1.045, vigente no ano passado) e 40 salários mínimos (R$ 41,8 mil).

A alta do IPCA foi puxada pelos preços dos alimentos, que dispararam 14,09% ao longo do ano passado, maior oscilação desde 2002 (19,47%). O produto com a maior variação foi o óleo de soja (103,79%), seguido do arroz (76,01%), leite longa vida (26,93%), frutas (25,40%) e carnes (17,97%).

A variação de 4,52% supera a expectativa do mercado financeiro, de 4,37%, e fica acima do centro da meta do Banco Central, de 4%, mas ainda está dentro do teto de 5,5%.

Conforme explica o professor da Escola de Negócios da USCS (Universidade Municipal de São Caetano) Volney Gouveia, boa parte dessa elevação dos preços de alimentos é explicada pelos itens que são “exportáveis” e, portanto, concorrem com o mercado interno. “Diante de uma quebra de safra, diminui a oferta aqui dentro e, ao mesmo tempo, há aumento das exportações para compensar as perdas dos produtores, isso pressiona os custos dos produtos”. Ele também pondera que, “com a disparada do dólar (que ficou na casa de R$ 5,50 no ano passado), o setor produtivo buscou o cenário externo, o que deixou o interno desguarnecido”.

A pandemia do novo coronavírus também impactou na inflação. Gouveia assinala que no primeiro semestre, em meio à rígida quarentena, ela desacelerou, devido ao baixo consumo. Porém, no segundo semestre e a retomada gradativa das atividades, houve pressão sobre artigos de habitação, como eletroeletrônicos, que têm impacto direto do dólar, o que fez com que o índice voltasse a acelerar.

A inflação de dezembro chegou a 1,35%, e é a maior desde fevereiro de 2003 (1,57%) e, para o último mês do ano, é a mais expressiva desde 2002 (2,10%). No mês passado, pesaram mais os custos de habitação (2,88%), principalmente de energia elétrica, que subiu 9,34%. “Após dez meses consecutivos de vigência da bandeira tarifária verde (em que não há cobrança adicional na conta de luz), passou a vigorar em dezembro a bandeira vermelha patamar 2, com acréscimo de R$ 6,243 a cada 100 quilowatts-hora consumidos”, explica o gerente do IPCA, Pedro Kislanov.

Para 2021, o cenário é indefinido, pontua Gouveia, exceto se houver prolongamento da pandemia e explosão do dólar. “Se isso acontecer, podemos esperar índice semelhante ao do ano passado.”


Sem correção pelo quinto ano seguido, IR tem defasagem de 113% na tabela

Pelo quinto ano consecutivo, o governo deixou a tabela do IR (Imposto de Renda) sem correção. Considerando o IPCA acumulado de 1996 até 2020, de 346,69%, e os reajustes nas faixas de cobrança do tributo, de 109,63%, a defasagem chega a 113,09%. Os cálculos são do Sindifisco (Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais).

Hoje, é isento do pagamento do IR quem possui rendimento de até R$ 1.903,98. Se durante todos os 24 anos tivesse sido aplicada a correção da inflação, a faixa livre de cobrança seria de R$ 4.022,89. A última vez em que houve correção foi em 2015, no governo Dilma Rousseff (PT), com reajuste médio de 5,6%.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) prometeu, durante campanha em 2018, que elevaria parcela isenta do IR a R$ 4.770. Em 2019, baixou a expectativa para R$ 3.000. E, há poucos dias, disse que não interferiria nas faixas porque o País está “quebrado”.

Volney Gouveia, professor da Escola de Negócios da USCS, aponta que quando a tabela é corrigida, milhares de trabalhadores deixam de pagar IR, cai a arrecadação e há impacto na distribuição de recursos a Estados e municípios, com elevação da dívida pública, o que, “em meio à pandemia, não há muito espaço”.


Salário mínimo tem reajuste abaixo da inflação; valor pode subir a R$ 1.102

O INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), que se refere às famílias com rendimento entre um (R$ 1.045 em 2020) e cinco (R$ 5.225) salários mínimos, sendo o chefe assalariado, e serve como base para corrigir o piso do mercado de trabalho e aposentadorias e pensões do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), encerrou o ano passado aos 5,45%.

Porém, o governo havia considerado avanço de 5,26% ao conceder os reajustes, o que levou o valor a R$ 1.100. Só que, neste cenário, o salário mínimo ficaria abaixo da inflação. Para recompor o índice, o montante teria de ser de R$ 1.102, ou R$ 2 a mais.

Em 2020 aconteceu a mesma coisa, e o governo repôs a diferença. O Ministério da Economia disse, no fim do ano passado, que poderia alterar o valor a fim de preservar o poder de compra. “É esperado que o governo faça esse ajuste. Principalmente neste cenário de crise pelo qual estamos passando, devido à pandemia do novo coronavírus”, avalia o professor da Escola de Negócios da USCS Volney Gouveia.

Aposentadorias acima do salário mínimo terão correção de 5,45%. Desta forma, o teto da Previdência Social, que hoje é de R$ 6.101,06, vai para R$ 6.433,57.
 



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IPCA encerra 2020 aos 4,52% e atinge mais alto percentual desde 2016

Disparada foi puxada pelos alimentos, que encareceram 14,09%; dólar alto contribuiu

Soraia Abreu Pedrozo
Do Diário do Grande ABC

13/01/2021 | 00:21


A inflação oficial do País, medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor), encerrou 2020 aos 4,52%. O percentual é o maior desde 2016, quando chegou em 6,29%. O indicador se refere às famílias com rendimento entre um (R$ 1.045, vigente no ano passado) e 40 salários mínimos (R$ 41,8 mil).

A alta do IPCA foi puxada pelos preços dos alimentos, que dispararam 14,09% ao longo do ano passado, maior oscilação desde 2002 (19,47%). O produto com a maior variação foi o óleo de soja (103,79%), seguido do arroz (76,01%), leite longa vida (26,93%), frutas (25,40%) e carnes (17,97%).

A variação de 4,52% supera a expectativa do mercado financeiro, de 4,37%, e fica acima do centro da meta do Banco Central, de 4%, mas ainda está dentro do teto de 5,5%.

Conforme explica o professor da Escola de Negócios da USCS (Universidade Municipal de São Caetano) Volney Gouveia, boa parte dessa elevação dos preços de alimentos é explicada pelos itens que são “exportáveis” e, portanto, concorrem com o mercado interno. “Diante de uma quebra de safra, diminui a oferta aqui dentro e, ao mesmo tempo, há aumento das exportações para compensar as perdas dos produtores, isso pressiona os custos dos produtos”. Ele também pondera que, “com a disparada do dólar (que ficou na casa de R$ 5,50 no ano passado), o setor produtivo buscou o cenário externo, o que deixou o interno desguarnecido”.

A pandemia do novo coronavírus também impactou na inflação. Gouveia assinala que no primeiro semestre, em meio à rígida quarentena, ela desacelerou, devido ao baixo consumo. Porém, no segundo semestre e a retomada gradativa das atividades, houve pressão sobre artigos de habitação, como eletroeletrônicos, que têm impacto direto do dólar, o que fez com que o índice voltasse a acelerar.

A inflação de dezembro chegou a 1,35%, e é a maior desde fevereiro de 2003 (1,57%) e, para o último mês do ano, é a mais expressiva desde 2002 (2,10%). No mês passado, pesaram mais os custos de habitação (2,88%), principalmente de energia elétrica, que subiu 9,34%. “Após dez meses consecutivos de vigência da bandeira tarifária verde (em que não há cobrança adicional na conta de luz), passou a vigorar em dezembro a bandeira vermelha patamar 2, com acréscimo de R$ 6,243 a cada 100 quilowatts-hora consumidos”, explica o gerente do IPCA, Pedro Kislanov.

Para 2021, o cenário é indefinido, pontua Gouveia, exceto se houver prolongamento da pandemia e explosão do dólar. “Se isso acontecer, podemos esperar índice semelhante ao do ano passado.”


Sem correção pelo quinto ano seguido, IR tem defasagem de 113% na tabela

Pelo quinto ano consecutivo, o governo deixou a tabela do IR (Imposto de Renda) sem correção. Considerando o IPCA acumulado de 1996 até 2020, de 346,69%, e os reajustes nas faixas de cobrança do tributo, de 109,63%, a defasagem chega a 113,09%. Os cálculos são do Sindifisco (Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais).

Hoje, é isento do pagamento do IR quem possui rendimento de até R$ 1.903,98. Se durante todos os 24 anos tivesse sido aplicada a correção da inflação, a faixa livre de cobrança seria de R$ 4.022,89. A última vez em que houve correção foi em 2015, no governo Dilma Rousseff (PT), com reajuste médio de 5,6%.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) prometeu, durante campanha em 2018, que elevaria parcela isenta do IR a R$ 4.770. Em 2019, baixou a expectativa para R$ 3.000. E, há poucos dias, disse que não interferiria nas faixas porque o País está “quebrado”.

Volney Gouveia, professor da Escola de Negócios da USCS, aponta que quando a tabela é corrigida, milhares de trabalhadores deixam de pagar IR, cai a arrecadação e há impacto na distribuição de recursos a Estados e municípios, com elevação da dívida pública, o que, “em meio à pandemia, não há muito espaço”.


Salário mínimo tem reajuste abaixo da inflação; valor pode subir a R$ 1.102

O INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), que se refere às famílias com rendimento entre um (R$ 1.045 em 2020) e cinco (R$ 5.225) salários mínimos, sendo o chefe assalariado, e serve como base para corrigir o piso do mercado de trabalho e aposentadorias e pensões do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), encerrou o ano passado aos 5,45%.

Porém, o governo havia considerado avanço de 5,26% ao conceder os reajustes, o que levou o valor a R$ 1.100. Só que, neste cenário, o salário mínimo ficaria abaixo da inflação. Para recompor o índice, o montante teria de ser de R$ 1.102, ou R$ 2 a mais.

Em 2020 aconteceu a mesma coisa, e o governo repôs a diferença. O Ministério da Economia disse, no fim do ano passado, que poderia alterar o valor a fim de preservar o poder de compra. “É esperado que o governo faça esse ajuste. Principalmente neste cenário de crise pelo qual estamos passando, devido à pandemia do novo coronavírus”, avalia o professor da Escola de Negócios da USCS Volney Gouveia.

Aposentadorias acima do salário mínimo terão correção de 5,45%. Desta forma, o teto da Previdência Social, que hoje é de R$ 6.101,06, vai para R$ 6.433,57.
 

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