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Charlatão que cura


Thiago Mariano
Do Diário do Grande ABC

21/07/2010 | 07:12


Um ser de excepcionais poderes sobe ao palco do Sesc Santo André no fim de semana. É Frank, protagonista de O Fantástico Reparador de Feridas, peça do irlandês Brian Friel. Ingressos de R$ 5 a R$ 20.

A força motriz de Frank, interpretado por Walter Breda, é a astúcia de forjar desejos em realidade. Junto da mulher e do empresário, o personagem viaja por vilas do interior do Reino Unido curando pessoas. A bordo de uma espécie de teatro mambembe, ele realiza rituais e restabelece a fé das pessoas que encontra.

O choque de conflito do espetáculo é Frank, no meio de suas ações charlatãs, descobrir que é verdadeiramente capaz de curar as pessoas. "De repente, ele se vê num impasse. Não sabe se tem poderes sobrenaturais ou se tem o poder de curar as pessoas habilitando a fé delas", conta Breda.

A peça é apresentada em quatro monólogos. Para incrementar, surgem a mulher e o empresário de Frank, Grace (Mariana Muniz) e Teddy (Fernando Paz). Cada um discorre seu ponto de vista sobre os acontecimentos das viagens que fizeram. É do curandeiro a primeira fala. Em seguida, Grace apresenta algumas contradições sobre a mesma história e Teddy as catapulta para longe de um entendimento em comum. No quarto e último momento, Frank volta ao palco para finalizar o enredo.

"A questão acaba atingindo o público. Quem está falando a verdade? Por que eles discordam em determinados fatos, acontecimentos? Qual deles é o mais coerente? A quarta leitura, quem oferece é o espectador, que sai com a sua conclusão do que é verdade ou do que é mentira", entende o ator.

Da narração das histórias vividas, eles seguem até o dia em que algo muito sério acontece. Frank, ao tentar curar alguém, não consegue habilitar seus poderes - ou encontra alguém sem fé - e acaba se dando mal. "No último dia deles nessa função, eles se envolveram com gente violenta. E o resultado da ausência dos poderes de Frank com estas pessoas os colocam em graves consequências".

Dirigido por Domingos Nunez, dramaturgo estudioso da literatura e do teatro irlandês, o espetáculo centra nas ações de cada um o poder da crença e da palavra. "É uma reflexão sobre o ser humano. O texto me emociona pela capacidade com que apresenta e investiga profundamente as questões do homem, de acreditar ou de questionar no que lhe circunda, no que lhe acontece".

Metalinguagem - A vida itinerante em que o reparador executa sua função retórica promovendo catarse nas pessoas, para Breda, fala também sobre o ofício do ator e o papel do teatro no grande público. "As pessoas são levadas a viajar com você através de um argumento, uma história. Não raro, sempre há quem é profundamente atingido por uma epifania, se enxerga no enredo, no personagem e passa a encarar sua vida sob outra perspectiva", diz.

O Fantástico Reparador de Feridas - Teatro. No Sesc Santo André - Rua Tamarutaca, 302. Tel.: 4469-1200. Sáb e dom., às 20h. Ingr.: R$ 5 a R$ 20.



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