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Mergulho ancestral


Thiago Mariano
Do Diário do Grande ABC

09/11/2010 | 07:15


Doces reminiscências tomam conta do palco do Sesc Santo André no fim de semana com a exibição da peça 'As Folhas do Cedro'. O espetáculo é de autoria de Samir Yazbek, que também assina a direção.

A história é narrada pela filha de um casal de imigrantes libaneses. Na meia-idade, ela parte mentalmente em busca de suas origens e se transporta para tudo o que viveu. Das influências do Líbano, representadas pela figura materna, conservadora, ela passa para a Transamazônica no período em que seu pai - menos conservador de suas raízes - estava lá a trabalho. A busca de identidade desta mulher que confronta aspectos da vida repartida entre arcaico e contemporâneo é o fio que reúne pedaços de muitas vidas, histórias.

"O espetáculo tem um aspecto ancestral muito forte. Os personagens de mãe e pai são arquéticos que servem para potencializar no espectador a consciência dessas raízes. Estamos tocando em uma corda muito presente na cultura brasileira, que é a influência da cultura de imigração", conta Yazbek, que assim como a protagonista é descendente de libaneses.

Os cruzamentos entre deserto e vastidão, antigo e atual, imaginação e realidade pontuam o percurso dramático da filha, que abre uma colcha de retalhos para se identificar em meio ao caos. "É o ponto de vista de uma mulher que mora em São Paulo e faz com que todas essas questões, esse embate, não fiquem distantes apenas no plano da teoria, mas que passem por um filtro de sensibilidade, emoção", pontua o autor.

Cenário e iluminação trabalham com estes contrastes, ora o árido oriente é exaltado, sendo contraposto, em outras ocasiões, pela opulência amazônica. A luz configura as diferenças entre os devaneios e a vida real.

Yazbek aponta que há muita influência do povo libanês no texto. "A afetividade é uma delas, o Líbano é um país de gente muito emocional, à flor da pele. Outro dado que resgato é o da tradição, dos valores. Em muitos aspectos, também, o povo de lá se enquadra no que se chama de conservador, principalmente com a questão do casamento, que está abordado no texto. Mas é uma questão que até eu mesmo coloco. Tradicional, mas de qual ponto de vista? É algo que todo mundo busca conquistar, a si próprio e aos outros para fazerem parte de sua vida."

As Folhas do Cedro - Teatro. No Sesc Santo André - Rua Tamarutaca, 302. Tel.: 4469-1200. Sáb. e dom., às 20h. Ingr.: R$ 5 a R$ 20.



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Mergulho ancestral

Thiago Mariano
Do Diário do Grande ABC

09/11/2010 | 07:15


Doces reminiscências tomam conta do palco do Sesc Santo André no fim de semana com a exibição da peça 'As Folhas do Cedro'. O espetáculo é de autoria de Samir Yazbek, que também assina a direção.

A história é narrada pela filha de um casal de imigrantes libaneses. Na meia-idade, ela parte mentalmente em busca de suas origens e se transporta para tudo o que viveu. Das influências do Líbano, representadas pela figura materna, conservadora, ela passa para a Transamazônica no período em que seu pai - menos conservador de suas raízes - estava lá a trabalho. A busca de identidade desta mulher que confronta aspectos da vida repartida entre arcaico e contemporâneo é o fio que reúne pedaços de muitas vidas, histórias.

"O espetáculo tem um aspecto ancestral muito forte. Os personagens de mãe e pai são arquéticos que servem para potencializar no espectador a consciência dessas raízes. Estamos tocando em uma corda muito presente na cultura brasileira, que é a influência da cultura de imigração", conta Yazbek, que assim como a protagonista é descendente de libaneses.

Os cruzamentos entre deserto e vastidão, antigo e atual, imaginação e realidade pontuam o percurso dramático da filha, que abre uma colcha de retalhos para se identificar em meio ao caos. "É o ponto de vista de uma mulher que mora em São Paulo e faz com que todas essas questões, esse embate, não fiquem distantes apenas no plano da teoria, mas que passem por um filtro de sensibilidade, emoção", pontua o autor.

Cenário e iluminação trabalham com estes contrastes, ora o árido oriente é exaltado, sendo contraposto, em outras ocasiões, pela opulência amazônica. A luz configura as diferenças entre os devaneios e a vida real.

Yazbek aponta que há muita influência do povo libanês no texto. "A afetividade é uma delas, o Líbano é um país de gente muito emocional, à flor da pele. Outro dado que resgato é o da tradição, dos valores. Em muitos aspectos, também, o povo de lá se enquadra no que se chama de conservador, principalmente com a questão do casamento, que está abordado no texto. Mas é uma questão que até eu mesmo coloco. Tradicional, mas de qual ponto de vista? É algo que todo mundo busca conquistar, a si próprio e aos outros para fazerem parte de sua vida."

As Folhas do Cedro - Teatro. No Sesc Santo André - Rua Tamarutaca, 302. Tel.: 4469-1200. Sáb. e dom., às 20h. Ingr.: R$ 5 a R$ 20.

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