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Os dois braços do poder

Falta mais de um ano para as eleições, é cedo para avaliar pesquisas, etc., etc


Carlos Brickmann

03/06/2009 | 00:00


Falta mais de um ano para as eleições, é cedo para avaliar pesquisas, etc., etc. Tudo isso é verdade; mas, analisando as últimas pesquisas, já dá para perceber alguns esboços do que pode ocorrer em 2010.

Há dois fatos importantes: primeiro, o bom índice atingido pela proposta de nova reeleição do presidente da República (praticamente metade do eleitorado é favorável, mesmo sem campanha); segundo, fortes indícios de que o presidente Lula esteja transferindo votos para sua candidata declarada, Dilma Rousseff.

Isso permite ao governo federal atuar em duas frentes: a de Dilma e a do terceiro mandato para Lula. Se a transferência de votos estiver mesmo ocorrendo (e isso se saberá um pouco mais à frente), e num ritmo que dê a Dilma a chance de vitória, o presidente poderá propor aos oposicionistas outra negociação: o fim da reeleição. Se Dilma, por qualquer motivo, não tiver possibilidade de vitória, aí a campanha Lula de Novo vai para a rua, exigindo a possibilidade de nova reeleição. Dá tempo? Dá, justinho; mas uma obstrução oposicionista bem feita pode fazer com que o tempo escoe. Já está no Congresso, porém, o projeto que reduz o prazo, hoje de um ano, para mudanças na legislação eleitoral antes da eleição. Hoje, seu objetivo é permitir que parlamentares troquem de partido, sem ficar inelegíveis, até o ano que vem. Mas dá para contrabandear mais coisas.

E a oposição? A oposição não sabe nem se vai apoiar a governadora gaúcha, Yeda Crusius, ou lançá-la às feras. Sucessão presidencial fica para bem depois.

NÃO É BEM ASSIM
Mas não leve a sério o "empate técnico" entre Dilma e o governador paulista José Serra, do PSDB, no voto nãoestimulado. A essa distância das eleições, muitos eleitores nem sabem quem serão os candidatos. E, longe do início da campanha, não há como avaliar o voto nãoestimulado - aquele em que o pesquisador não conta quem são os candidatos. É um número que ainda não serve para nada.

HISTORINHA
Retrato de como as coisas funcionam. O presidente da Câmara, Michel Temer, do PMDB, fez duas indicações para cargos importantes. As nomeações não saíram. O projeto do deputado Jackson Barreto, permitindo nova reeleição, estava na Câmara. Michel Temer o rejeitou. O presidente Lula viajaria para El Salvador, o vice José Alencar estava em tratamento médico nos Estados Unidos, tudo estava pronto para Temer assumir a Presidência. Alencar foi chamado às pressas, voltou (o tratamento médico continua aqui mesmo) e assumiu. Michel Temer nem pôde usar o terno da posse.

SEMANA BRASILIENSE
Lembra daquela coisa escandalosa que era o Congresso trabalhar só três dias por semana? Pois lembre disso com saudade: neste ano, o Congresso está trabalhando só às quartas-feiras. Terças e quintas, nem pensar. Os mais trabalhadores chegam na terça à noite e vão embora na quinta de manhã. A maioria chega na quarta de manhã e vai embora na quarta à noite. Mas sejamos justos: não é tudo que funciona apenas um dia por semana. O auxílio-moradia, por exemplo, é pago como se o parlamentar ficasse em Brasília a semana inteira, sábados e domingos incluídos. Os 15 salários anuais, também.

POLÍTICA ACIMA DE TUDO
Roseana Sarney deveria ter operado um aneurisma no cérebro no fim do ano passado. Esperou ganhar o governo na Justiça, tomar posse, reestruturar a administração. E só agora encontrou tempo para fazer a operação de emergência. Roseana, que põe a política acima da própria vida, está internada no Einstein, SP.

CADÊ O CHEFE?
Pergunta do ex-prefeito do Rio, César Maia, a respeito da tragédia da Air France: "Onde está o ministro Nelson Jobim, responsável pelo controle aéreo, pela Aeronáutica, pela Marinha e pelos aeroportos? Onde está? Nada a dizer?"



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Os dois braços do poder

Falta mais de um ano para as eleições, é cedo para avaliar pesquisas, etc., etc

Carlos Brickmann

03/06/2009 | 00:00


Falta mais de um ano para as eleições, é cedo para avaliar pesquisas, etc., etc. Tudo isso é verdade; mas, analisando as últimas pesquisas, já dá para perceber alguns esboços do que pode ocorrer em 2010.

Há dois fatos importantes: primeiro, o bom índice atingido pela proposta de nova reeleição do presidente da República (praticamente metade do eleitorado é favorável, mesmo sem campanha); segundo, fortes indícios de que o presidente Lula esteja transferindo votos para sua candidata declarada, Dilma Rousseff.

Isso permite ao governo federal atuar em duas frentes: a de Dilma e a do terceiro mandato para Lula. Se a transferência de votos estiver mesmo ocorrendo (e isso se saberá um pouco mais à frente), e num ritmo que dê a Dilma a chance de vitória, o presidente poderá propor aos oposicionistas outra negociação: o fim da reeleição. Se Dilma, por qualquer motivo, não tiver possibilidade de vitória, aí a campanha Lula de Novo vai para a rua, exigindo a possibilidade de nova reeleição. Dá tempo? Dá, justinho; mas uma obstrução oposicionista bem feita pode fazer com que o tempo escoe. Já está no Congresso, porém, o projeto que reduz o prazo, hoje de um ano, para mudanças na legislação eleitoral antes da eleição. Hoje, seu objetivo é permitir que parlamentares troquem de partido, sem ficar inelegíveis, até o ano que vem. Mas dá para contrabandear mais coisas.

E a oposição? A oposição não sabe nem se vai apoiar a governadora gaúcha, Yeda Crusius, ou lançá-la às feras. Sucessão presidencial fica para bem depois.

NÃO É BEM ASSIM
Mas não leve a sério o "empate técnico" entre Dilma e o governador paulista José Serra, do PSDB, no voto nãoestimulado. A essa distância das eleições, muitos eleitores nem sabem quem serão os candidatos. E, longe do início da campanha, não há como avaliar o voto nãoestimulado - aquele em que o pesquisador não conta quem são os candidatos. É um número que ainda não serve para nada.

HISTORINHA
Retrato de como as coisas funcionam. O presidente da Câmara, Michel Temer, do PMDB, fez duas indicações para cargos importantes. As nomeações não saíram. O projeto do deputado Jackson Barreto, permitindo nova reeleição, estava na Câmara. Michel Temer o rejeitou. O presidente Lula viajaria para El Salvador, o vice José Alencar estava em tratamento médico nos Estados Unidos, tudo estava pronto para Temer assumir a Presidência. Alencar foi chamado às pressas, voltou (o tratamento médico continua aqui mesmo) e assumiu. Michel Temer nem pôde usar o terno da posse.

SEMANA BRASILIENSE
Lembra daquela coisa escandalosa que era o Congresso trabalhar só três dias por semana? Pois lembre disso com saudade: neste ano, o Congresso está trabalhando só às quartas-feiras. Terças e quintas, nem pensar. Os mais trabalhadores chegam na terça à noite e vão embora na quinta de manhã. A maioria chega na quarta de manhã e vai embora na quarta à noite. Mas sejamos justos: não é tudo que funciona apenas um dia por semana. O auxílio-moradia, por exemplo, é pago como se o parlamentar ficasse em Brasília a semana inteira, sábados e domingos incluídos. Os 15 salários anuais, também.

POLÍTICA ACIMA DE TUDO
Roseana Sarney deveria ter operado um aneurisma no cérebro no fim do ano passado. Esperou ganhar o governo na Justiça, tomar posse, reestruturar a administração. E só agora encontrou tempo para fazer a operação de emergência. Roseana, que põe a política acima da própria vida, está internada no Einstein, SP.

CADÊ O CHEFE?
Pergunta do ex-prefeito do Rio, César Maia, a respeito da tragédia da Air France: "Onde está o ministro Nelson Jobim, responsável pelo controle aéreo, pela Aeronáutica, pela Marinha e pelos aeroportos? Onde está? Nada a dizer?"

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