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O bardo queria ser cineasta


Adriana Feder
Especial para o Diário

27/03/2010 | 07:00


Se Renato Manfredini Júnior pudesse presenciar o que seu pseudônimo se tornou, concluiria: não foi tempo perdido. Renato Russo virou sinônimo de poesia. Hoje, o líder da Legião Urbana completaria 50 anos, meio século de quem sonhava, e acreditava no que fazia.

"Às vezes parecia que, de tanto acreditar/ Em tudo que achávamos tão certo/ Teríamos o mundo inteiro e até um pouco mais", escreveu uma vez. E talvez estivesse certo. Ainda consegue inspirar multidões, há pelo menos duas gerações, mesmo após 13 anos de sua morte.

Carmem Manfredini, única irmã do cantor, sente falta das conversas que tinham. "Ele sempre foi muito cuidadoso como irmão, me dava conselhos. Eu tenho saudades dele, não do Renato Russo, mas do Júnior, meu irmão", conta.

Hoje ela é vocalista da banda Tantra, junto com Fred Nascimento, Carlos Trilha e Gian Fabra - todos tocaram com a Legião. "Eu fico imaginando a todo momento o que o Renato estaria achando de eu estar no meio musical também, ele ia dar muita opinião, ia ajudar muito."

Sobre o que ela acha que Renato estaria fazendo se estivesse vivo, Carmem surpreende: "Seria diretor de cinema, com certeza. E ele disse que com uns 70 anos abandonaria o cinema e viraria escritor. Não continuaria muito com a Legião. Um ano antes de morrer ele me confidenciou que estava muito cansado dessa rotina da banda, da pressão da gravadora e de ter que fazer shows."

Outra pessoa íntima de Renato Russo foi o guitarrista Fred Nascimento, que tocou com Legião Urbana. "Profissionalmente o Renato era muito exigente, nada passava despercebido. Ele se preocupava com todos os elementos do show, até com a luz e com as trocas de instrumentos", conta. Fred discorda que Russo era depressivo. "Muito pelo contrário, ele era um cara que só fazia a gente sorrir."

LEGIÃO DE FÃS - "A Legião Urbana são vocês" era uma das famosas frases que Renato Russo dizia aos fãs. "As letras são fortes e falam de política, sentimento, revolta e amor, e conseguem canalizar a ideia que está na cabeça de cada jovem", explica Daniel Nunes, 27 anos, fã de Santo André, que tem como favorita a música Sete Cidades.

O maior fã-clube da banda, o Filhos da Revolução, existe desde 1998 e hoje tem mais de 10 mil integrantes em todo País, sendo aproximadamente um terço de São Paulo. "Já até cheguei a ver gente da França, Portugal, EUA e Austrália cadastrados", afirma Sidnei Sólon, 31 anos, coordenador do fã-clube. Ele acredita que a internet foi fundamental para integrar os admiradores.

Nos encontros, a cada três meses, os integrantes discutem diversos assuntos. "Fico feliz de ver gente de 13 ou 14 anos ir às reuniões, para mim é uma motivação saber que o pessoal mais novo continua ouvindo e gostando com a mesma paixão que eu", diz Sólon.

Outro encontro acontece no Parque Ibirapuera, em São Paulo, desde 2007, onde fãs fazem uma roda, alguns levam violão, e passam a tarde cantando músicas da banda. O evento já tem até camiseta. "No primeiro foram dez pessoas, no segundo 20, aí foi aumentando, hoje vão de 40 a 50 e já chegamos a 70", afirma o idealizador Ailton Dialuce. Informações sobre próximas reuniões no Orkut do Encontro Legionário.

Outra prova de que a memória do grupo permanece viva são as diversas bandas cover de Legião Urbana. Uma delas é a Sete Cidades, de São José dos Campos. Quem vê o vocalista Dimas Borba se impressiona com a semelhança dele com Renato Russo.

Dimas começou a gostar de Legião aos 17 anos, e chegou a assistir ao show do álbum V bem próximo do palco. Ele observa não haver uma idade específica na plateia. "Têm aqueles que vão nos assistir e viveram o auge de Legião nos anos 1980/90, mas tem também a garotada que nem tinha nascido ainda quando a banda acabou. Esses últimos cantam todas as músicas. Principalmente as menos conhecidas."

Mesmo no auge do sucesso, Renato Russo nunca gostou da idolatria em torno de seu nome ou da banda, tanto que repudiava o trocadilho ‘Religião Urbana'. O lema da banda, presente em quase todos os encartes de álbum, era a frase em latim Urbana Legio omnia vincit (Legião Urbana a tudo vence). Parece que venceu.



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O bardo queria ser cineasta

Adriana Feder
Especial para o Diário

27/03/2010 | 07:00


Se Renato Manfredini Júnior pudesse presenciar o que seu pseudônimo se tornou, concluiria: não foi tempo perdido. Renato Russo virou sinônimo de poesia. Hoje, o líder da Legião Urbana completaria 50 anos, meio século de quem sonhava, e acreditava no que fazia.

"Às vezes parecia que, de tanto acreditar/ Em tudo que achávamos tão certo/ Teríamos o mundo inteiro e até um pouco mais", escreveu uma vez. E talvez estivesse certo. Ainda consegue inspirar multidões, há pelo menos duas gerações, mesmo após 13 anos de sua morte.

Carmem Manfredini, única irmã do cantor, sente falta das conversas que tinham. "Ele sempre foi muito cuidadoso como irmão, me dava conselhos. Eu tenho saudades dele, não do Renato Russo, mas do Júnior, meu irmão", conta.

Hoje ela é vocalista da banda Tantra, junto com Fred Nascimento, Carlos Trilha e Gian Fabra - todos tocaram com a Legião. "Eu fico imaginando a todo momento o que o Renato estaria achando de eu estar no meio musical também, ele ia dar muita opinião, ia ajudar muito."

Sobre o que ela acha que Renato estaria fazendo se estivesse vivo, Carmem surpreende: "Seria diretor de cinema, com certeza. E ele disse que com uns 70 anos abandonaria o cinema e viraria escritor. Não continuaria muito com a Legião. Um ano antes de morrer ele me confidenciou que estava muito cansado dessa rotina da banda, da pressão da gravadora e de ter que fazer shows."

Outra pessoa íntima de Renato Russo foi o guitarrista Fred Nascimento, que tocou com Legião Urbana. "Profissionalmente o Renato era muito exigente, nada passava despercebido. Ele se preocupava com todos os elementos do show, até com a luz e com as trocas de instrumentos", conta. Fred discorda que Russo era depressivo. "Muito pelo contrário, ele era um cara que só fazia a gente sorrir."

LEGIÃO DE FÃS - "A Legião Urbana são vocês" era uma das famosas frases que Renato Russo dizia aos fãs. "As letras são fortes e falam de política, sentimento, revolta e amor, e conseguem canalizar a ideia que está na cabeça de cada jovem", explica Daniel Nunes, 27 anos, fã de Santo André, que tem como favorita a música Sete Cidades.

O maior fã-clube da banda, o Filhos da Revolução, existe desde 1998 e hoje tem mais de 10 mil integrantes em todo País, sendo aproximadamente um terço de São Paulo. "Já até cheguei a ver gente da França, Portugal, EUA e Austrália cadastrados", afirma Sidnei Sólon, 31 anos, coordenador do fã-clube. Ele acredita que a internet foi fundamental para integrar os admiradores.

Nos encontros, a cada três meses, os integrantes discutem diversos assuntos. "Fico feliz de ver gente de 13 ou 14 anos ir às reuniões, para mim é uma motivação saber que o pessoal mais novo continua ouvindo e gostando com a mesma paixão que eu", diz Sólon.

Outro encontro acontece no Parque Ibirapuera, em São Paulo, desde 2007, onde fãs fazem uma roda, alguns levam violão, e passam a tarde cantando músicas da banda. O evento já tem até camiseta. "No primeiro foram dez pessoas, no segundo 20, aí foi aumentando, hoje vão de 40 a 50 e já chegamos a 70", afirma o idealizador Ailton Dialuce. Informações sobre próximas reuniões no Orkut do Encontro Legionário.

Outra prova de que a memória do grupo permanece viva são as diversas bandas cover de Legião Urbana. Uma delas é a Sete Cidades, de São José dos Campos. Quem vê o vocalista Dimas Borba se impressiona com a semelhança dele com Renato Russo.

Dimas começou a gostar de Legião aos 17 anos, e chegou a assistir ao show do álbum V bem próximo do palco. Ele observa não haver uma idade específica na plateia. "Têm aqueles que vão nos assistir e viveram o auge de Legião nos anos 1980/90, mas tem também a garotada que nem tinha nascido ainda quando a banda acabou. Esses últimos cantam todas as músicas. Principalmente as menos conhecidas."

Mesmo no auge do sucesso, Renato Russo nunca gostou da idolatria em torno de seu nome ou da banda, tanto que repudiava o trocadilho ‘Religião Urbana'. O lema da banda, presente em quase todos os encartes de álbum, era a frase em latim Urbana Legio omnia vincit (Legião Urbana a tudo vence). Parece que venceu.

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