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Uma Combinação Poderosa


Sara Saar
Diário do Grande ABC

15/11/2010 | 07:00


Como se arranjam língua e literatura nas estantes da vida? O questionamento que motivou a produção do recém-lançado título 'Literatura e Outras Linguagens' (Contexto, 240 páginas, R$ 35), assinado pela renomada linguista Beth Brait, é seguido de uma convicção: mantêm relação íntima, formam parceria inquestionável.
Em sete capítulos independentes que levantam assuntos específicos, a pesquisadora analisa obras de diferentes autores, como já faz em periódicos enquanto crítica literária. "Essa produção extra-acadêmica me permite levar a um público maior a reflexão sobre a maneira como os textos, literários ou não, mobilizam a língua para atingir seus objetivos, quer estéticos, informativos, argumentativos, autoritários, políticos", afirma a professora aposentada da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH/USP).
Ganham páginas da publicação textos exclusivamente verbais que também dialogam com o visual. "Incluo desde o jornal, nas diferentes mídias, até os poemas, a publicidade e a receita culinária que desperta o apetite antes mesmo do prato ser feito graças a articulação língua/fotografia", exemplifica Beth.
Para evidenciar como os mecanismos de construção do texto criam sentidos, identidades, memórias individuais e coletivas, o livro reúne depoimentos de uma diversidade de profissionais. Poetas, teóricos da literatura e professores de línguas que se debruçam sobre a temática dão legitimidade e acabamento vivo às análises.
Alguns colaboradores são conhecidos de Beth somente pela leitura da obra, caso do angolano Ondjaki, que comentou sobre a relação entre língua, literatura e identidade de um povo. "Todos eles - colegas, amigos, escritores a quem admiro, teóricos com quem muito aprendo - têm em comum a palavra como profissão, levada pela literatura, pelos estudos e escritos literários e/ou linguísticos", afirma.
Beth reúne impressões sem hierarquizar os falantes. O livro cede espaço a voz de uma octogenária anônima. Ela não sabe teorizar, mas se constitui na língua e lhe dá vida. Para a autora, o cidadão cria as virtualidades da linguagem de acordo com as necessidades de expressão, tornando-se sujeito não somente de sua fala, mas por sua fala.
Sem os falantes comuns, os escritores também não teriam material sobre o qual trabalhar. "A língua não pode ser dominada por leis externas às falas do cotidiano. É dessas falas, características de um tempo, de um lugar, de tribos, de diferentes meios de comunicação que são constituídas língua e linguagem", argumenta Beth.
Fruto de longo caminho, guiado pelo aprendizado e pelo ensino, a obra é destinada aos professores decididos a estimular o gosto pela leitura, que podem utilizar os capítulos sem ordem pré-estabelecida com os estudantes. O convite à leitura é estendido aos leitores em geral, apaixonados pelo português. Trata-se de obra recomendada a quem gosta de ler, escrever e refletir sobre a língua, assim como sempre fez Beth Brait.



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Sara Saar
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15/11/2010 | 07:00


Como se arranjam língua e literatura nas estantes da vida? O questionamento que motivou a produção do recém-lançado título 'Literatura e Outras Linguagens' (Contexto, 240 páginas, R$ 35), assinado pela renomada linguista Beth Brait, é seguido de uma convicção: mantêm relação íntima, formam parceria inquestionável.
Em sete capítulos independentes que levantam assuntos específicos, a pesquisadora analisa obras de diferentes autores, como já faz em periódicos enquanto crítica literária. "Essa produção extra-acadêmica me permite levar a um público maior a reflexão sobre a maneira como os textos, literários ou não, mobilizam a língua para atingir seus objetivos, quer estéticos, informativos, argumentativos, autoritários, políticos", afirma a professora aposentada da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH/USP).
Ganham páginas da publicação textos exclusivamente verbais que também dialogam com o visual. "Incluo desde o jornal, nas diferentes mídias, até os poemas, a publicidade e a receita culinária que desperta o apetite antes mesmo do prato ser feito graças a articulação língua/fotografia", exemplifica Beth.
Para evidenciar como os mecanismos de construção do texto criam sentidos, identidades, memórias individuais e coletivas, o livro reúne depoimentos de uma diversidade de profissionais. Poetas, teóricos da literatura e professores de línguas que se debruçam sobre a temática dão legitimidade e acabamento vivo às análises.
Alguns colaboradores são conhecidos de Beth somente pela leitura da obra, caso do angolano Ondjaki, que comentou sobre a relação entre língua, literatura e identidade de um povo. "Todos eles - colegas, amigos, escritores a quem admiro, teóricos com quem muito aprendo - têm em comum a palavra como profissão, levada pela literatura, pelos estudos e escritos literários e/ou linguísticos", afirma.
Beth reúne impressões sem hierarquizar os falantes. O livro cede espaço a voz de uma octogenária anônima. Ela não sabe teorizar, mas se constitui na língua e lhe dá vida. Para a autora, o cidadão cria as virtualidades da linguagem de acordo com as necessidades de expressão, tornando-se sujeito não somente de sua fala, mas por sua fala.
Sem os falantes comuns, os escritores também não teriam material sobre o qual trabalhar. "A língua não pode ser dominada por leis externas às falas do cotidiano. É dessas falas, características de um tempo, de um lugar, de tribos, de diferentes meios de comunicação que são constituídas língua e linguagem", argumenta Beth.
Fruto de longo caminho, guiado pelo aprendizado e pelo ensino, a obra é destinada aos professores decididos a estimular o gosto pela leitura, que podem utilizar os capítulos sem ordem pré-estabelecida com os estudantes. O convite à leitura é estendido aos leitores em geral, apaixonados pelo português. Trata-se de obra recomendada a quem gosta de ler, escrever e refletir sobre a língua, assim como sempre fez Beth Brait.

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