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Ataques rebeldes provocam fuga em Angola


Do Diário do Grande ABC

06/09/2000 | 11:29


Ataques rebeldes e enfrentamentos diários fizeram com que mais de quatro mil fazendeiros do distrito de Nhareya, no Centro de Angola, fugissem para um campo de refugiados mais ao Norte.

``Ataques a tiros acontecem diariamente em Nhareya. Muitas pessoas morreram nos últimos dias'', contou nesta quarta-feira Jerônimo Francisco, que acaba de completar o trajeto de mais de 100 quilômetros até o campo de Kunje.

Centenas de pessoas estao chegando em Kunje, no Norte de Kuito, capital da província de Bie. Alguns refugiados dizem que rebeldes da Uniao Nacional Para a Independência Total de Angola (UNITA) estao seqüestrando meninas e meninos nos vilarejos.

``Nao tivemos tempo nem de trazer nossas coisas'', lamentou Pedro Sapilinha, um homem que trouxe os seis filhos, todos com menos de 15 anos, da área de conflito. ``Nós sofremos muito'', acrescentou uma das crianças.

Refugiados que chegaram em Kunje contaram que muitos nao conseguiram completar o trajeto. Alguns foram mortos por minas terrestres e dezenas estao morrendo devido a ferimentos. ``Algumas pessoas estao tao fracas, que chegam a cair no chao'', contou Sapilinha. Crianças disseram ter caminhado descalças por sete dias.

A província de Bie vem sendo cenário dos piores enfrentamentos da guerra civil entre a UNITA e as forças do Governo, que vem devastando o país desde a independência, em 1975.

Os acordos de paz promovidos pela ONU ocasionaram interrupçoes temporárias do conflito. Depois de tentar - sob pressao internacional - negociar com o líder veterano da UNITA Jonas Savimbi, o Governo do presidente José Eduardo dos Santos declarou-o criminoso de guerra e tenta aniquilar os rebeldes com o uso da força.

Analistas estrangeiros acreditam que nenhum lado conseguirá uma vitória total, ao mesmo tempo em que a ONU e outras agências de ajuda humanitária praticamente nao conseguem acesso a milhares de civis que passam fome.

Os vilarejos de Kayeya, Ndambo e Lubine, no distrito de Nhareya, estao entre os afetados pelas operaçoes da UNITA. ``Eles estao quase desertos atualmente. Ninguém quer ficar'', contaram sobreviventes.

Em Kunje, os angolanos vivem em barracos construídos em uma encosta. O campo é administrado por ONGs européias, com suprimentos da ONU.

Testemunhas e fontes de Kuito reportaram combates entre os rebeldes de Savimbi e tropas do Governo no Norte da província de Bie. O conflito aumentou depois do ataque rebelde do último domingo em Calucinga, 60 quilômetros ao Norte da cidade de Andulo, controlada pelo Governo.

Organizaçoes de ajuda humanitária calcularam o número de refugiados da regiao em 17.045, além dos 136.889 registrados oficialmente em Kuito desde a retomada dos combates, em dezembro de 1998.

A populaçao da província de Bie é de cerca de 900 mil pessoas.



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Ataques rebeldes provocam fuga em Angola

Do Diário do Grande ABC

06/09/2000 | 11:29


Ataques rebeldes e enfrentamentos diários fizeram com que mais de quatro mil fazendeiros do distrito de Nhareya, no Centro de Angola, fugissem para um campo de refugiados mais ao Norte.

``Ataques a tiros acontecem diariamente em Nhareya. Muitas pessoas morreram nos últimos dias'', contou nesta quarta-feira Jerônimo Francisco, que acaba de completar o trajeto de mais de 100 quilômetros até o campo de Kunje.

Centenas de pessoas estao chegando em Kunje, no Norte de Kuito, capital da província de Bie. Alguns refugiados dizem que rebeldes da Uniao Nacional Para a Independência Total de Angola (UNITA) estao seqüestrando meninas e meninos nos vilarejos.

``Nao tivemos tempo nem de trazer nossas coisas'', lamentou Pedro Sapilinha, um homem que trouxe os seis filhos, todos com menos de 15 anos, da área de conflito. ``Nós sofremos muito'', acrescentou uma das crianças.

Refugiados que chegaram em Kunje contaram que muitos nao conseguiram completar o trajeto. Alguns foram mortos por minas terrestres e dezenas estao morrendo devido a ferimentos. ``Algumas pessoas estao tao fracas, que chegam a cair no chao'', contou Sapilinha. Crianças disseram ter caminhado descalças por sete dias.

A província de Bie vem sendo cenário dos piores enfrentamentos da guerra civil entre a UNITA e as forças do Governo, que vem devastando o país desde a independência, em 1975.

Os acordos de paz promovidos pela ONU ocasionaram interrupçoes temporárias do conflito. Depois de tentar - sob pressao internacional - negociar com o líder veterano da UNITA Jonas Savimbi, o Governo do presidente José Eduardo dos Santos declarou-o criminoso de guerra e tenta aniquilar os rebeldes com o uso da força.

Analistas estrangeiros acreditam que nenhum lado conseguirá uma vitória total, ao mesmo tempo em que a ONU e outras agências de ajuda humanitária praticamente nao conseguem acesso a milhares de civis que passam fome.

Os vilarejos de Kayeya, Ndambo e Lubine, no distrito de Nhareya, estao entre os afetados pelas operaçoes da UNITA. ``Eles estao quase desertos atualmente. Ninguém quer ficar'', contaram sobreviventes.

Em Kunje, os angolanos vivem em barracos construídos em uma encosta. O campo é administrado por ONGs européias, com suprimentos da ONU.

Testemunhas e fontes de Kuito reportaram combates entre os rebeldes de Savimbi e tropas do Governo no Norte da província de Bie. O conflito aumentou depois do ataque rebelde do último domingo em Calucinga, 60 quilômetros ao Norte da cidade de Andulo, controlada pelo Governo.

Organizaçoes de ajuda humanitária calcularam o número de refugiados da regiao em 17.045, além dos 136.889 registrados oficialmente em Kuito desde a retomada dos combates, em dezembro de 1998.

A populaçao da província de Bie é de cerca de 900 mil pessoas.

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