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Artistas da região estão receosos com atuação de Regina Duarte para Secretaria de Cultura


Miriam Gimenes e Vinícius Castelli

01/02/2020 | 00:04


Atriz com mais de 50 anos de carreira, Regina Duarte aceitou, esta semana, chefiar a Secretaria Especial de Cultura, subordinada ao Ministério do Turismo. O convite do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), após demitir o dramaturgo Roberto Alvim, que veiculou vídeo institucional em que copiava os dizeres do ministro da propaganda nazista, Joseph Goebbels, que repercutiu mal. Ainda que a iniciativa do chefe do Executivo seja aproximar a pasta da classe artística, muitos, inclusive os ouvidos pelo Diário, aqui da região, estão receosos com a gestão que ela deve promover a partir de agora.

O cineasta de São Bernardo e coordenador da ELCV (Escola Livre de Cinema e Vídeo) de Santo André, Diaulas Ullysses, cita o fato de ela não ter trajetória alguma enquanto gestora pública. “Desde quando ela começou a apoiar este governo achei muito estranho, por causa das falas que o cara (Bolsonaro) coloca contra a mulher, as minorias, os negros, indígenas. E aí vem uma pessoa como ela, esclarecida, e o apoia. Tanto que não é boba, demorou para poder aceitar, foi ver o rombo que tinha. Na verdade ela foi lá para tentar ver o que pode fazer em prol dos seus e o povo está com um governo que fica só pensando nos seus, não em um todo”, analisa. Ele cita o ex-ministro Gilberto Gil, que esteve à frente da pasta durante o governo Lula (2003-2008), e fez série de ações que levavam a cultura para os quatro cantos do País, inclusive a periferia. “Participei das teias (pontos de cultura) que ele promoveu, principalmente nas periferias, e era demais. Gil tinha uma amplitude para redescobrir o Brasil que tem sua cultura e é pouco difundida por todos os Estados. Acho que ela (Regina) não tem esse viés, um olhar mais profundo para essa riqueza nacional da cultura. Tem para os seus, a elite.”

Para a escritora de Santo André Dalila Teles Veras, a escolha da atriz à secretaria não chega como um alívio para a classe artística. “Sua presença na Cultura, como os demais secretários e ministros, se encaixa como uma luva neste governo. Não há ilusões”, comenta.

Dalila acredita que Regina seguirá o caminho do controle e fiscalização moral “já largamente demonstrado ao longo de 2019 por este governo, que não possui compromisso nenhum com a cultura e muito menos com a educação. Ela simplesmente dirá amém ao desmonte que já é irremediável”.

O curador de arte, museólogo e artista plástico de São Bernardo Nilo de Almeida prefere esperar os primeiros passos para ver o que acontece. Para ele, o fato de se tratar de alguém com carreira no universo artístico pode ser fator positivo. “Temos de ponderar que Regina Duarte tem uma trajetória, é atriz de cinema, teatro e televisão, uma profissional com trabalho reconhecido. É o primeiro olhar que a gente tem que ter.” Mas diz, também, saber que se trata de uma pessoa com posicionamentos de caráter conservador. “Vejo uma escolha que está alinhada ao atual governo. Mas que, ao mesmo tempo, tem trajetória que temos de respeitar e aguardar quais serão os próximos movimentos, posicionamentos e, principalmente, as decisões que serão tomadas.”

Moreira de Acopiara, cordelista e escritor de Diadema, não está empolgado com a escolha. “(Ela) Fará exatamente o que eles querem, e acham bom e bonito. Tomara que eu esteja muito enganado, mas no momento acho que ela vai seguir os exemplos de Abraham Weintraub (ministro da Educação) e Damares Alves (ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos), só para citar dois nomes que prestam verdadeiro desserviço à educação, à cultura e ao Brasil de um modo geral”, diz. Para ele, é preciso alguém “preparado e engajado com a cultura, e não com os holofotes”.

O ator de São Caetano Erike Busoni lembra que trabalhou com Regina em 2014, quando ela formou e recebeu em sua casa um grupo de teatro e estudos, e que ela tem capacidade impressionante de interpretar os textos. “Como atriz a gente entende que ela é boa. Mas eu tenho um pouco de receio de uma pessoa que nunca teve uma proximidade com uma gestão pública. Porque o problema é de gestão, não só no governo federal, haja vista aqui na região, os péssimos secretários de Cultura que a gente possui.” Para que ela consiga fazer alguma coisa, Busoni acredita que precisa se cercar em especialistas em gestão e acredita que Regina tenha boas intenções. “Ela tem esse olhar (para classe artística), mas penso que ela está entrando em uma furada, porque ali não é só ela para resolver, não vai ter a palavra e a gente sabe qual é o olhar deste governo.”

O nome de Regina ainda não foi oficializado pelo Diário Oficial da União, mas convidou a pastora evangélica Jane Silva, atual secretária da Diversidade Cultural, para assumir interinamente o posto de secretária adjunta do órgão.  



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Artistas da região estão receosos com atuação de Regina Duarte para Secretaria de Cultura

Miriam Gimenes e Vinícius Castelli

01/02/2020 | 00:04


Atriz com mais de 50 anos de carreira, Regina Duarte aceitou, esta semana, chefiar a Secretaria Especial de Cultura, subordinada ao Ministério do Turismo. O convite do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), após demitir o dramaturgo Roberto Alvim, que veiculou vídeo institucional em que copiava os dizeres do ministro da propaganda nazista, Joseph Goebbels, que repercutiu mal. Ainda que a iniciativa do chefe do Executivo seja aproximar a pasta da classe artística, muitos, inclusive os ouvidos pelo Diário, aqui da região, estão receosos com a gestão que ela deve promover a partir de agora.

O cineasta de São Bernardo e coordenador da ELCV (Escola Livre de Cinema e Vídeo) de Santo André, Diaulas Ullysses, cita o fato de ela não ter trajetória alguma enquanto gestora pública. “Desde quando ela começou a apoiar este governo achei muito estranho, por causa das falas que o cara (Bolsonaro) coloca contra a mulher, as minorias, os negros, indígenas. E aí vem uma pessoa como ela, esclarecida, e o apoia. Tanto que não é boba, demorou para poder aceitar, foi ver o rombo que tinha. Na verdade ela foi lá para tentar ver o que pode fazer em prol dos seus e o povo está com um governo que fica só pensando nos seus, não em um todo”, analisa. Ele cita o ex-ministro Gilberto Gil, que esteve à frente da pasta durante o governo Lula (2003-2008), e fez série de ações que levavam a cultura para os quatro cantos do País, inclusive a periferia. “Participei das teias (pontos de cultura) que ele promoveu, principalmente nas periferias, e era demais. Gil tinha uma amplitude para redescobrir o Brasil que tem sua cultura e é pouco difundida por todos os Estados. Acho que ela (Regina) não tem esse viés, um olhar mais profundo para essa riqueza nacional da cultura. Tem para os seus, a elite.”

Para a escritora de Santo André Dalila Teles Veras, a escolha da atriz à secretaria não chega como um alívio para a classe artística. “Sua presença na Cultura, como os demais secretários e ministros, se encaixa como uma luva neste governo. Não há ilusões”, comenta.

Dalila acredita que Regina seguirá o caminho do controle e fiscalização moral “já largamente demonstrado ao longo de 2019 por este governo, que não possui compromisso nenhum com a cultura e muito menos com a educação. Ela simplesmente dirá amém ao desmonte que já é irremediável”.

O curador de arte, museólogo e artista plástico de São Bernardo Nilo de Almeida prefere esperar os primeiros passos para ver o que acontece. Para ele, o fato de se tratar de alguém com carreira no universo artístico pode ser fator positivo. “Temos de ponderar que Regina Duarte tem uma trajetória, é atriz de cinema, teatro e televisão, uma profissional com trabalho reconhecido. É o primeiro olhar que a gente tem que ter.” Mas diz, também, saber que se trata de uma pessoa com posicionamentos de caráter conservador. “Vejo uma escolha que está alinhada ao atual governo. Mas que, ao mesmo tempo, tem trajetória que temos de respeitar e aguardar quais serão os próximos movimentos, posicionamentos e, principalmente, as decisões que serão tomadas.”

Moreira de Acopiara, cordelista e escritor de Diadema, não está empolgado com a escolha. “(Ela) Fará exatamente o que eles querem, e acham bom e bonito. Tomara que eu esteja muito enganado, mas no momento acho que ela vai seguir os exemplos de Abraham Weintraub (ministro da Educação) e Damares Alves (ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos), só para citar dois nomes que prestam verdadeiro desserviço à educação, à cultura e ao Brasil de um modo geral”, diz. Para ele, é preciso alguém “preparado e engajado com a cultura, e não com os holofotes”.

O ator de São Caetano Erike Busoni lembra que trabalhou com Regina em 2014, quando ela formou e recebeu em sua casa um grupo de teatro e estudos, e que ela tem capacidade impressionante de interpretar os textos. “Como atriz a gente entende que ela é boa. Mas eu tenho um pouco de receio de uma pessoa que nunca teve uma proximidade com uma gestão pública. Porque o problema é de gestão, não só no governo federal, haja vista aqui na região, os péssimos secretários de Cultura que a gente possui.” Para que ela consiga fazer alguma coisa, Busoni acredita que precisa se cercar em especialistas em gestão e acredita que Regina tenha boas intenções. “Ela tem esse olhar (para classe artística), mas penso que ela está entrando em uma furada, porque ali não é só ela para resolver, não vai ter a palavra e a gente sabe qual é o olhar deste governo.”

O nome de Regina ainda não foi oficializado pelo Diário Oficial da União, mas convidou a pastora evangélica Jane Silva, atual secretária da Diversidade Cultural, para assumir interinamente o posto de secretária adjunta do órgão.  

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