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Mobilidade e os novos governos

Embora o desenvolvimento seja desejável em qualquer sociedade...


Cristina Baddini

25/03/2011 | 00:00


Embora o desenvolvimento seja desejável em qualquer sociedade, a maneira como o mesmo ocorre e os processos que regulam podem ter implicações importantes na saúde e na qualidade de vida da população. Vejam só a movimentação física nos grandes centros urbanos como está comprometida. A mobilidade urbana se transformou em um dos grandes problemas a serem enfrentados pelos novos governos que assumem neste ano. Afeta todas as classes sociais, as categorias profissionais, a qualidade de vida e gera custos sociais tangíveis e intangíveis.

Os governos, em todos os níveis, têm dificuldades de adaptar a infraestrutura à crescente frota urbana. Nos últimos dez anos, enquanto a frota cresceu 25%, a infraestrutura cresceu somente 6%. Para se ter uma ideia do que isso significa, somente a cidade de São Paulo adiciona quase 1.000 carros por dia na sua frota de mais de 6,5 milhões de veículos. Alguns especialistas alertam que, se tudo continuar exatamente como está, a cidade para em cinco anos.

CONGESTIONAMENTOS
Os prejuízos recorrentes das filas de carros parados ultrapassam as fronteiras das ruas e atrapalham a economia social. Segundo a Secretaria de Estado dos Transportes Metropolitanos, o trânsito gera um custo de R$ 4,1 bilhões por ano, sem considerar os gastos com manutenção do pavimento de ruas, semáforos, entre outros. Um outro estudo, realizado pela FGV (Fundação Getulio Vargas) vai além e estima que as perdas atinjam R$ 33,5 bilhões por ano: R$ 27 bilhões que se deixa de produzir enquanto está parado no congestionamento e R$ 6,5 bilhões resultantes do aumento de gastos com combustíveis, Saúde pública e transporte de cargas.

QUAL É A SOLUÇÃO?
A poluição que estamos sujeitos, tanto pela instalação de indústrias na região sem que houvesse o controle de emissões quanto pelo aumento da mobilidade baseado no transporte individual vêm degradando o ambiente. O problema é grave. O perigo de ficar parado no trânsito é parar o Estado. Os governantes atuais têm que enfrentar a situação. Precisamos de administradores públicos treinados nas melhores escolas do Brasil para os cargos de confiança e postos de comando.

A solução, infelizmente, não é simples nem imediata e muito menos barata. Depende de ações coordenadas e integradas de vários setores do governo, da sociedade e da indústria. A ideia é repensar a forma como as ruas são usadas, chamar a atenção para a necessidade de mais parques urbanos e melhorar a qualidade do habitat urbano humano, usando modos não motorizados de se transportar e, principalmente, os meios de transportes públicos.

Se tivermos menos carros nas ruas, teremos mais espaço, mais qualidade de vida, um ar mais respirável e menos barulho, menos acidentes, menos estresse no trânsito. É preciso desenvolver um senso de cidadania, no qual cada um tenha consciência de seu papel no futuro do planeta.

Precisamos do conceito de convivência dentro das nossas cidades. Precisamos de áreas agradáveis, onde os seres vivos possam conviver de forma harmônica. Vias perimetrais que destroem áreas verdes lindas e privilegiam o carro particular. Cadê as calçadas largas, com árvores e espaço. Cadê as ciclovias? É preciso ter a ousadia de implantar novas tecnologias e não ficar no discurso que não foram suficientemente testadas. Vamos ousar fazer diferente, fazer outro tipo de pergunta, achar outro tipo de resposta.



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Mobilidade e os novos governos

Embora o desenvolvimento seja desejável em qualquer sociedade...

Cristina Baddini

25/03/2011 | 00:00


Embora o desenvolvimento seja desejável em qualquer sociedade, a maneira como o mesmo ocorre e os processos que regulam podem ter implicações importantes na saúde e na qualidade de vida da população. Vejam só a movimentação física nos grandes centros urbanos como está comprometida. A mobilidade urbana se transformou em um dos grandes problemas a serem enfrentados pelos novos governos que assumem neste ano. Afeta todas as classes sociais, as categorias profissionais, a qualidade de vida e gera custos sociais tangíveis e intangíveis.

Os governos, em todos os níveis, têm dificuldades de adaptar a infraestrutura à crescente frota urbana. Nos últimos dez anos, enquanto a frota cresceu 25%, a infraestrutura cresceu somente 6%. Para se ter uma ideia do que isso significa, somente a cidade de São Paulo adiciona quase 1.000 carros por dia na sua frota de mais de 6,5 milhões de veículos. Alguns especialistas alertam que, se tudo continuar exatamente como está, a cidade para em cinco anos.

CONGESTIONAMENTOS
Os prejuízos recorrentes das filas de carros parados ultrapassam as fronteiras das ruas e atrapalham a economia social. Segundo a Secretaria de Estado dos Transportes Metropolitanos, o trânsito gera um custo de R$ 4,1 bilhões por ano, sem considerar os gastos com manutenção do pavimento de ruas, semáforos, entre outros. Um outro estudo, realizado pela FGV (Fundação Getulio Vargas) vai além e estima que as perdas atinjam R$ 33,5 bilhões por ano: R$ 27 bilhões que se deixa de produzir enquanto está parado no congestionamento e R$ 6,5 bilhões resultantes do aumento de gastos com combustíveis, Saúde pública e transporte de cargas.

QUAL É A SOLUÇÃO?
A poluição que estamos sujeitos, tanto pela instalação de indústrias na região sem que houvesse o controle de emissões quanto pelo aumento da mobilidade baseado no transporte individual vêm degradando o ambiente. O problema é grave. O perigo de ficar parado no trânsito é parar o Estado. Os governantes atuais têm que enfrentar a situação. Precisamos de administradores públicos treinados nas melhores escolas do Brasil para os cargos de confiança e postos de comando.

A solução, infelizmente, não é simples nem imediata e muito menos barata. Depende de ações coordenadas e integradas de vários setores do governo, da sociedade e da indústria. A ideia é repensar a forma como as ruas são usadas, chamar a atenção para a necessidade de mais parques urbanos e melhorar a qualidade do habitat urbano humano, usando modos não motorizados de se transportar e, principalmente, os meios de transportes públicos.

Se tivermos menos carros nas ruas, teremos mais espaço, mais qualidade de vida, um ar mais respirável e menos barulho, menos acidentes, menos estresse no trânsito. É preciso desenvolver um senso de cidadania, no qual cada um tenha consciência de seu papel no futuro do planeta.

Precisamos do conceito de convivência dentro das nossas cidades. Precisamos de áreas agradáveis, onde os seres vivos possam conviver de forma harmônica. Vias perimetrais que destroem áreas verdes lindas e privilegiam o carro particular. Cadê as calçadas largas, com árvores e espaço. Cadê as ciclovias? É preciso ter a ousadia de implantar novas tecnologias e não ficar no discurso que não foram suficientemente testadas. Vamos ousar fazer diferente, fazer outro tipo de pergunta, achar outro tipo de resposta.

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