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Perdidos na mata por três dias, primos relatam ter passado fome e frio em trilha

Arquivo pessoal  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Bia Moço

30/12/2018 | 06:47


Três dias de fome, frio, cansaço e dor. Foram essas as condições enfrentadas pelos primos Cleber Medeiros de Moura e Wagner Lameu, ambos com 44 anos, durante o período em que permaneceram perdidos na mata de Paranapiacaba, em Santo André. A dupla, que partiu às 11h do dia 22 da vila histórica, tinha o objetivo de fazer trilha até o Rio do Quilombo – cerca de três horas –, mas só conseguiu voltar para casa na noite da véspera de Natal, quando chegaram até Cubatão, no Litoral Paulista e contaram com a ajuda de casal para ir até a rodoviária da cidade, onde embarcaram num ônibus de volta ao Grande ABC.

Por ser morador de Paranapiacaba, Moura resolveu atender ao pedido do primo, que reside em São José dos Campos, no Interior do Estado, para fazer uma trilha. No entanto, não contava com as adversidades que se apresentariam durante o percurso. Somente depois de horas de caminhada perceberam que estavam seguindo pelo sentido contrário. “Entramos em uma trilha, começamos a descer e chegamos em um rio. Andamos pela beira do rio, mas estava muito difícil, pois havia muita correnteza e as pedras escorregavam”, lembra Moura.

Para piorar a situação, Lameu torceu o pé e passou a caminhar com dificuldade, o que atrasou a chegada ao destino. “Anoiteceu, começou a chover e achamos melhor dormir onde estávamos”, revela Moura. No entanto, pensando que seria passeio rápido, a dupla não levou para a trilha comida nem itens para acampar ou se proteger da neblina e do frio. Usaram folhas para tentar minimizar o impacto da chuva e ‘se esconderam’ embaixo de pedras para passar a noite.

Ao amanhecer, a busca pela saída da trilha continuou. “Encontramos um outro caminho, subimos um morro por horas e, quando chegamos ao topo da montanha, não havia saída. Descemos tudo. Nisso, o dia todo já havia passado e, com dor e fome, caminhávamos cada vez mais devagar”, ressalta Moura. Optaram por dormir de novo no local, entretanto, a segunda noite foi ainda pior. Além do frio, Moura, começou a ter crises por falta do medicamento de uso contínuo para evitar convulsões.

“O Corpo de Bombeiros entrou em contato pelo celular do meu primo, porque o meu já estava sem bateria. Não conseguia sinal e a ligação caía. Até que Wagner também ficou sem carga”, observa Moura.

Para aliviar a situação, no terceiro dia os primos encontraram palmito na mata e, com auxílio de faca pequena, conseguiram se alimentar. “Tinha noção de que se continuasse a descer a mata sairia no Litoral. Horas depois, chegamos ao Poço das Moças, em Cubatão. Da barragem até a estradinha de terra andamos uns 40 minutos, até que encontramos um anjo da guarda”, detalha Moura ao referir-se ao homem que deu carona a eles até chácara próxima – Roberto do Quilombo –, onde foram alimentados e, posteriormente, seguiram até a rodoviária, onde carregaram os celulares e avisaram familiares que estavam bem.

“Passamos o Natal com nossa família e, no fim, ficou tudo bem. Foi um susto. Mesmo assim, nos divertimos”, considera Moura. Ele garante que, assim que se recuperar, voltará com as aventuras. No entanto, aconselha que as pessoas não façam trilhas sem conhecer o local. “Eu que conheço os caminhos me perdi, portanto, é melhor evitar.” 



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Perdidos na mata por três dias, primos relatam ter passado fome e frio em trilha

Bia Moço

30/12/2018 | 06:47


Três dias de fome, frio, cansaço e dor. Foram essas as condições enfrentadas pelos primos Cleber Medeiros de Moura e Wagner Lameu, ambos com 44 anos, durante o período em que permaneceram perdidos na mata de Paranapiacaba, em Santo André. A dupla, que partiu às 11h do dia 22 da vila histórica, tinha o objetivo de fazer trilha até o Rio do Quilombo – cerca de três horas –, mas só conseguiu voltar para casa na noite da véspera de Natal, quando chegaram até Cubatão, no Litoral Paulista e contaram com a ajuda de casal para ir até a rodoviária da cidade, onde embarcaram num ônibus de volta ao Grande ABC.

Por ser morador de Paranapiacaba, Moura resolveu atender ao pedido do primo, que reside em São José dos Campos, no Interior do Estado, para fazer uma trilha. No entanto, não contava com as adversidades que se apresentariam durante o percurso. Somente depois de horas de caminhada perceberam que estavam seguindo pelo sentido contrário. “Entramos em uma trilha, começamos a descer e chegamos em um rio. Andamos pela beira do rio, mas estava muito difícil, pois havia muita correnteza e as pedras escorregavam”, lembra Moura.

Para piorar a situação, Lameu torceu o pé e passou a caminhar com dificuldade, o que atrasou a chegada ao destino. “Anoiteceu, começou a chover e achamos melhor dormir onde estávamos”, revela Moura. No entanto, pensando que seria passeio rápido, a dupla não levou para a trilha comida nem itens para acampar ou se proteger da neblina e do frio. Usaram folhas para tentar minimizar o impacto da chuva e ‘se esconderam’ embaixo de pedras para passar a noite.

Ao amanhecer, a busca pela saída da trilha continuou. “Encontramos um outro caminho, subimos um morro por horas e, quando chegamos ao topo da montanha, não havia saída. Descemos tudo. Nisso, o dia todo já havia passado e, com dor e fome, caminhávamos cada vez mais devagar”, ressalta Moura. Optaram por dormir de novo no local, entretanto, a segunda noite foi ainda pior. Além do frio, Moura, começou a ter crises por falta do medicamento de uso contínuo para evitar convulsões.

“O Corpo de Bombeiros entrou em contato pelo celular do meu primo, porque o meu já estava sem bateria. Não conseguia sinal e a ligação caía. Até que Wagner também ficou sem carga”, observa Moura.

Para aliviar a situação, no terceiro dia os primos encontraram palmito na mata e, com auxílio de faca pequena, conseguiram se alimentar. “Tinha noção de que se continuasse a descer a mata sairia no Litoral. Horas depois, chegamos ao Poço das Moças, em Cubatão. Da barragem até a estradinha de terra andamos uns 40 minutos, até que encontramos um anjo da guarda”, detalha Moura ao referir-se ao homem que deu carona a eles até chácara próxima – Roberto do Quilombo –, onde foram alimentados e, posteriormente, seguiram até a rodoviária, onde carregaram os celulares e avisaram familiares que estavam bem.

“Passamos o Natal com nossa família e, no fim, ficou tudo bem. Foi um susto. Mesmo assim, nos divertimos”, considera Moura. Ele garante que, assim que se recuperar, voltará com as aventuras. No entanto, aconselha que as pessoas não façam trilhas sem conhecer o local. “Eu que conheço os caminhos me perdi, portanto, é melhor evitar.” 

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