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Estudante de S.Bernardo escreve redação em inglês

André Henriques/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Recém-chegada ao País, Farah, 11 anos, usou o idioma para participar do Desafio de Redação


Bianca Barbosa
especial para o Diário

12/11/2018 | 07:00


Entre as 96 mil redações recebidas na 12ª edição do Desafio de Redação, uma em especial chamou a atenção dos organizadores do concurso literário promovido pelo Diário e co-realizado pela USCS (Universidade Municipal de São Caetano). A autora é Farah Qussay Ahmed Al-Nakhal, 11 anos, aluna do 6º ano do Ensino Fundamental da EE João Ramalho, no Centro de São Bernardo, e que chegou ao País há apenas dois meses. Devido à falta de afinidade com o português, a menina produziu texto em inglês – o primeiro da história do evento – no qual descreve o diálogo entre duas amigas sobre a importância da reciclagem, respeitando o tema Uma Atitude Sustentável Pode Mudar o Mundo.

A família de Farah trocou Abu Dhabi, Capital dos Emirados Árabes, por São Bernardo para que os pais possam complementar os estudos. No entanto, embora dominem o inglês, o árabe e o francês, não sabem sequer o básico de português, único idioma falado pela maior parte dos funcionários da escola estadual. “Ficamos uma hora para conseguirmos nos entender sobre a matrícula”, disse a diretora Circe Ferreira de Souza, 62. A adaptação da menina na escola conta com a ajuda de duas professoras (de Inglês e Português), além do tradutor do Google.

O Centro de São Bernardo foi o local escolhido pela família para morar por ser próximo da mesquita Abu Bakr Assidik, na Vila Euclides. Inaugurado em 1989, o espaço concentra a comunidade muçulmana do Grande ABC. Farah demorou para aceitar a mudança de país. “Sentamos e conversamos. Ela é uma menina inteligente, e sabe que todos precisam fazer sacrifícios pelo que amamos”, disse a mãe, a farmacêutica Basma Jarad, 35.

Apesar da dificuldade de adaptação em relação ao idioma, Basma ressalta o esforço tanto de Farah quanto da comunidade escolar para que ela evolua. “Ela chega em casa todos os dias muito feliz, contando que já está ansiosa para a próxima aula. Me sinto bem de confiar minha filha a eles”, observa.

Sobre a redação, a jovem achou o tema importante e de fácil entendimento. “Devemos parar de jogar lixo nos locais errados e ajudar a brecar a poluição do nosso planeta. Todos devemos fazer isso juntos”, considera. Apesar de tímida, Farah é gentil com os amigos, atenciosa e se preocupa em ajudar os colegas quando eles têm dificuldade, característica essencial para a profissão que escolheu. “Quero ser médica para cuidar de quem precisa.”

Questionada sobre o que mais gosta no Brasil, Farah ainda fica confusa. “São tantas coisas. Não posso nomear uma. Gosto de tudo.” No entanto, em relação à parte que não gosta, a menina é direta. “A comunicação. Acho difícil. Entendo as coisas escritas, mas na conversação fica muito complicado.” Na escola, as matérias que a menina tem facilidade são Matemática e Inglês. Segundo ela, os amigos da mesquita que sabem falar árabe, têm sido fundamentais para tirar as dúvidas nas demais disciplinas. Dedicada, ela ainda usa a internet para traduzir as palavras na hora de estudar.

Para a adaptação ao Brasil, os pais ingressaram em curso de Português como preparação para ingressar nas especializações da UFABC (Universidade Federal do ABC). O pai, o engenheiro civil Qussay Elnakhal, 44, está em busca de emprego. Farah tem ainda outros quatro irmãos: Marah, 10, que também já está na escola, além de Anas, 7, Adam, 5, e Ahmed, 3, que vão começar os estudos no próximo ano.

O primeiro contato do casal muçulmano com o País foi em 2013, quando veio conhecer o País. “Adam nasceu aqui no Brasil. Foi algo que nos marcou”, contou a mãe. Neste ano, decidiram por incrementar a carreira acadêmica por aqui. “Todas as universidades públicas aqui têm o ensino muito forte”, considera Basma. A matriarca complementa que, caso ela e o marido consigam bons empregos, a família pretende ‘fincar’ raízes no Brasil, já que ficou encantada com a hospitalidade, “Quando chegamos, perguntamos um endereço para uma vendedora e ela fechou a loja só para nos levar em segurança até o nosso destino. Isso é muito bonito”, contou. 



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Estudante de S.Bernardo escreve redação em inglês

Recém-chegada ao País, Farah, 11 anos, usou o idioma para participar do Desafio de Redação

Bianca Barbosa
especial para o Diário

12/11/2018 | 07:00


Entre as 96 mil redações recebidas na 12ª edição do Desafio de Redação, uma em especial chamou a atenção dos organizadores do concurso literário promovido pelo Diário e co-realizado pela USCS (Universidade Municipal de São Caetano). A autora é Farah Qussay Ahmed Al-Nakhal, 11 anos, aluna do 6º ano do Ensino Fundamental da EE João Ramalho, no Centro de São Bernardo, e que chegou ao País há apenas dois meses. Devido à falta de afinidade com o português, a menina produziu texto em inglês – o primeiro da história do evento – no qual descreve o diálogo entre duas amigas sobre a importância da reciclagem, respeitando o tema Uma Atitude Sustentável Pode Mudar o Mundo.

A família de Farah trocou Abu Dhabi, Capital dos Emirados Árabes, por São Bernardo para que os pais possam complementar os estudos. No entanto, embora dominem o inglês, o árabe e o francês, não sabem sequer o básico de português, único idioma falado pela maior parte dos funcionários da escola estadual. “Ficamos uma hora para conseguirmos nos entender sobre a matrícula”, disse a diretora Circe Ferreira de Souza, 62. A adaptação da menina na escola conta com a ajuda de duas professoras (de Inglês e Português), além do tradutor do Google.

O Centro de São Bernardo foi o local escolhido pela família para morar por ser próximo da mesquita Abu Bakr Assidik, na Vila Euclides. Inaugurado em 1989, o espaço concentra a comunidade muçulmana do Grande ABC. Farah demorou para aceitar a mudança de país. “Sentamos e conversamos. Ela é uma menina inteligente, e sabe que todos precisam fazer sacrifícios pelo que amamos”, disse a mãe, a farmacêutica Basma Jarad, 35.

Apesar da dificuldade de adaptação em relação ao idioma, Basma ressalta o esforço tanto de Farah quanto da comunidade escolar para que ela evolua. “Ela chega em casa todos os dias muito feliz, contando que já está ansiosa para a próxima aula. Me sinto bem de confiar minha filha a eles”, observa.

Sobre a redação, a jovem achou o tema importante e de fácil entendimento. “Devemos parar de jogar lixo nos locais errados e ajudar a brecar a poluição do nosso planeta. Todos devemos fazer isso juntos”, considera. Apesar de tímida, Farah é gentil com os amigos, atenciosa e se preocupa em ajudar os colegas quando eles têm dificuldade, característica essencial para a profissão que escolheu. “Quero ser médica para cuidar de quem precisa.”

Questionada sobre o que mais gosta no Brasil, Farah ainda fica confusa. “São tantas coisas. Não posso nomear uma. Gosto de tudo.” No entanto, em relação à parte que não gosta, a menina é direta. “A comunicação. Acho difícil. Entendo as coisas escritas, mas na conversação fica muito complicado.” Na escola, as matérias que a menina tem facilidade são Matemática e Inglês. Segundo ela, os amigos da mesquita que sabem falar árabe, têm sido fundamentais para tirar as dúvidas nas demais disciplinas. Dedicada, ela ainda usa a internet para traduzir as palavras na hora de estudar.

Para a adaptação ao Brasil, os pais ingressaram em curso de Português como preparação para ingressar nas especializações da UFABC (Universidade Federal do ABC). O pai, o engenheiro civil Qussay Elnakhal, 44, está em busca de emprego. Farah tem ainda outros quatro irmãos: Marah, 10, que também já está na escola, além de Anas, 7, Adam, 5, e Ahmed, 3, que vão começar os estudos no próximo ano.

O primeiro contato do casal muçulmano com o País foi em 2013, quando veio conhecer o País. “Adam nasceu aqui no Brasil. Foi algo que nos marcou”, contou a mãe. Neste ano, decidiram por incrementar a carreira acadêmica por aqui. “Todas as universidades públicas aqui têm o ensino muito forte”, considera Basma. A matriarca complementa que, caso ela e o marido consigam bons empregos, a família pretende ‘fincar’ raízes no Brasil, já que ficou encantada com a hospitalidade, “Quando chegamos, perguntamos um endereço para uma vendedora e ela fechou a loja só para nos levar em segurança até o nosso destino. Isso é muito bonito”, contou. 

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