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Prefeituras da região falham nas políticas de combate ao crack

Denis Maciel/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Cenário em relação ao entorpecente permanece o mesmo nos últimos dois anos nas sete cidades


Daniel Macário
do Diário do Grande ABC

12/11/2018 | 07:00


Mapeamento feito pela CNM (Confederação Nacional de Municípios) mostra que os sete municípios do Grande ABC falham no enfrentamento ao crack – droga derivada da cocaína. O cenário regional permaneceu estável nos últimos dois anos, conforme o estudo, elaborado a partir de informações das próprias administrações. Mauá segue como a única cidade onde o tema é classificado como de nível alto de preocupação e, as demais continuam com índice médio de alerta.

A classificação é definida de acordo com os níveis de percepção de circulação da droga e dos problemas que ela causa nas áreas da Saúde, assistência social e Segurança no País. No Brasil, 96% das cidades possuem situação preocupante em relação ao tema.

Estima-se que pelo menos 1.964 usuários de crack circulem por três cidades do Grande ABC (Santo André, Mauá e Ribeirão Pires), número que tende a ser ainda maior, considerando a existência do problema nos demais municípios.

“O crack está se tornando um flagelo regional, espalhado por diferentes classes sociais e com consequências em diversas áreas, desde Educação e Saúde até a Segurança pública”, avalia Mariana Boff Barreto, consultora do Observatório do Crack da CNM.

Reflexo da inexistência de mapeamento no Grande ABC e da falta de ações integradas para o enfrentamento do problema, o consumo de crack tem se expandido pelas sete cidades na medida em que a migração de dependentes vindo da Capital aumenta, situação inclusive observada pelas próprias administrações municipais. Embora todas as cidades da região disponibilizem centro de referência para atendimento médico de pacientes, especialistas são enfáticos ao criticar a ausência de um plano multidisciplinar de atuação no combate a droga.

Enquanto equipamentos de Saúde enfrentam aumento na demanda de usuários de drogas, escolas viraram alvo de traficantes com pontos próximo de jovens. “A presença do crack gera uma cadeia de problemas para a sociedade. Começa na quebra de laços familiares e se expande para escolas, unidades de Saúde, com fim na violência urbana”, cita Mariana.

Como acontece com a maioria das drogas, a substância serve como porta de entrada para o envolvimento de dependentes em crimes, geralmente, de menor potencial ofensivo como furtos, por exemplo. “Não é apenas uma questão de Segurança. Enquanto prefeituras insistirem nisso o problema não será solucionado”, afirma Jan Carlo Delorenzi, professor de Saúde Pública da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Na avaliação do especialista, o caminho para sanar a problemática passa por diversas áreas do setor público, tais como Educação, Saúde e assistência social. “É um trabalho conjunto de longo prazo, mas que precisa ser iniciado de imediato”, pondera Delorenzi.

DRAMA
Problema antigo, a concentração de usuários de drogas, sobretudo crack, sob o Viaduto Dom Jorge Marcos de Oliveira, na Avenida Prestes Maia, próximo do núcleo Tamarutaca, em Santo André, continua sem solução. Apesar de diversas ações realizadas pela Prefeitura ao longo dos anos, moradores dos bairros Vila Guiomar e Vila Alice seguem denunciando o cenário de mazela social, que causa insegurança e transtornos diversos.

Cidades destacam rede assistencial ofertada aos dependentes

Na tentativa de acolher dependentes químicos que usam crack, municípios da região garantem ter oferta assistencial a este público.

Em Santo André, além de a cidade realizar ações de limpeza e remoção dos resíduos sólidos em áreas de concentração de usuários, quando há interesse dos dependentes em atendimento, eles são encaminhados para os serviços de Saúde ou da assistência social, como por exemplo o Centro POP e as unidades de Saúde.

São Bernardo diz contar com rede composta por nove Caps (Centro de Atenção Psicossocial) e uma unidade de pronto atendimento. O município tem, ainda, o programa Consultório na Rua, destinado aos usuários de droga.

Em São Caetano, a administração diz oferecer atendimento de porta aberta para pacientes nas unidades de Saúde. Mauá e Ribeirão Pires observam que o acolhimento é feito pelo Caps AD (Álcool e Drogas) junto à equipe multidisciplinar. As demais cidades não se pronunciaram até o fechamento desta edição. 



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Prefeituras da região falham nas políticas de combate ao crack

Cenário em relação ao entorpecente permanece o mesmo nos últimos dois anos nas sete cidades

Daniel Macário
do Diário do Grande ABC

12/11/2018 | 07:00


Mapeamento feito pela CNM (Confederação Nacional de Municípios) mostra que os sete municípios do Grande ABC falham no enfrentamento ao crack – droga derivada da cocaína. O cenário regional permaneceu estável nos últimos dois anos, conforme o estudo, elaborado a partir de informações das próprias administrações. Mauá segue como a única cidade onde o tema é classificado como de nível alto de preocupação e, as demais continuam com índice médio de alerta.

A classificação é definida de acordo com os níveis de percepção de circulação da droga e dos problemas que ela causa nas áreas da Saúde, assistência social e Segurança no País. No Brasil, 96% das cidades possuem situação preocupante em relação ao tema.

Estima-se que pelo menos 1.964 usuários de crack circulem por três cidades do Grande ABC (Santo André, Mauá e Ribeirão Pires), número que tende a ser ainda maior, considerando a existência do problema nos demais municípios.

“O crack está se tornando um flagelo regional, espalhado por diferentes classes sociais e com consequências em diversas áreas, desde Educação e Saúde até a Segurança pública”, avalia Mariana Boff Barreto, consultora do Observatório do Crack da CNM.

Reflexo da inexistência de mapeamento no Grande ABC e da falta de ações integradas para o enfrentamento do problema, o consumo de crack tem se expandido pelas sete cidades na medida em que a migração de dependentes vindo da Capital aumenta, situação inclusive observada pelas próprias administrações municipais. Embora todas as cidades da região disponibilizem centro de referência para atendimento médico de pacientes, especialistas são enfáticos ao criticar a ausência de um plano multidisciplinar de atuação no combate a droga.

Enquanto equipamentos de Saúde enfrentam aumento na demanda de usuários de drogas, escolas viraram alvo de traficantes com pontos próximo de jovens. “A presença do crack gera uma cadeia de problemas para a sociedade. Começa na quebra de laços familiares e se expande para escolas, unidades de Saúde, com fim na violência urbana”, cita Mariana.

Como acontece com a maioria das drogas, a substância serve como porta de entrada para o envolvimento de dependentes em crimes, geralmente, de menor potencial ofensivo como furtos, por exemplo. “Não é apenas uma questão de Segurança. Enquanto prefeituras insistirem nisso o problema não será solucionado”, afirma Jan Carlo Delorenzi, professor de Saúde Pública da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Na avaliação do especialista, o caminho para sanar a problemática passa por diversas áreas do setor público, tais como Educação, Saúde e assistência social. “É um trabalho conjunto de longo prazo, mas que precisa ser iniciado de imediato”, pondera Delorenzi.

DRAMA
Problema antigo, a concentração de usuários de drogas, sobretudo crack, sob o Viaduto Dom Jorge Marcos de Oliveira, na Avenida Prestes Maia, próximo do núcleo Tamarutaca, em Santo André, continua sem solução. Apesar de diversas ações realizadas pela Prefeitura ao longo dos anos, moradores dos bairros Vila Guiomar e Vila Alice seguem denunciando o cenário de mazela social, que causa insegurança e transtornos diversos.

Cidades destacam rede assistencial ofertada aos dependentes

Na tentativa de acolher dependentes químicos que usam crack, municípios da região garantem ter oferta assistencial a este público.

Em Santo André, além de a cidade realizar ações de limpeza e remoção dos resíduos sólidos em áreas de concentração de usuários, quando há interesse dos dependentes em atendimento, eles são encaminhados para os serviços de Saúde ou da assistência social, como por exemplo o Centro POP e as unidades de Saúde.

São Bernardo diz contar com rede composta por nove Caps (Centro de Atenção Psicossocial) e uma unidade de pronto atendimento. O município tem, ainda, o programa Consultório na Rua, destinado aos usuários de droga.

Em São Caetano, a administração diz oferecer atendimento de porta aberta para pacientes nas unidades de Saúde. Mauá e Ribeirão Pires observam que o acolhimento é feito pelo Caps AD (Álcool e Drogas) junto à equipe multidisciplinar. As demais cidades não se pronunciaram até o fechamento desta edição. 

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