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Sobrevivência da Billings depende de ação

Nario Barbosa/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Aos 93 anos, caixa-d’água do Grande ABC espera apoio da população e de gestores públicos


Daniel Macário
Do Diário do Grande ABC

27/03/2018 | 07:00


 Hoje, data em que a Represa Billings – um dos principais mananciais da Região Metropolitana de São Paulo – completa 93 anos, especialistas alertam: a sobrevida do corpo hídrico depende do apoio e do empenho da população e de gestores públicos.

A provocação feita à sociedade civil e aos governantes tem como base recentes estudos que apontam a degradação da represa, responsável por gerar água para pelo menos 2,3 milhões de pessoas da Região Metropolitana do Estado.

Na avaliação de especialistas, embora o poder público tenha empenhado recursos para reverter este cenário, como foi o caso da criação do Programa Pró-Billings (leia mais abaixo), todo esse esforço para recuperação do manancial pode estar comprometido, caso a população não trabalhe para preservar a Billings, e não haja fiscalização para conter as ocupações às margens do corpo hídrico, responsável por banhar Santo André, São Bernardo, Diadema, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, além da Zona Sul da Capital.

“Não adianta o governo investir recursos na recuperação da Billings se a população não acompanha o andamento das obras e sequer colabora para preservação da represa”, afirma o ambientalista e presidente da AGDS (Associação Global de Desenvolvimento Sustentado), Nelson Pedroso.

O alerta, segundo o especialista, tem justificativa simples. “Quem melhor para cuidar da represa se não aqueles que dependem dos recursos oferecidos por ela, ou até mesmo das famílias que vivem às suas margens?”, questiona.

Para o presidente do Proam (Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental), Carlos Bocuhy, a população assume, neste momento, papel fundamental para o futuro da Billings. “Depois de anos esquecida por todos, a represa volta a ganhar atenção de governantes, portanto, estamos vivendo fase crucial. Ou seja, ou agimos já para reverter a sentença de morte do manancial ou não teremos mais uma oportunidade dessa”, afirma.

E os trabalhos a serem executados não são poucos. Segundo o especialista, se o ritmo atual de poluição for mantido, o manancial pode morrer em período de 50 anos. Para reverter isso, duas medidas emergentes são vistas como necessárias. “É necessário repor a vegetação desmatada no entorno da Billings nos últimos anos, além de se pensar em alternativas para sanar o despejo de lixo no manancial”, afirma Bocuhy.

As alternativas, segundo os especialistas, vão ao encontro do pedido feito à população. “Se as comunidades às margens da Billings criarem essa consciência ambiental, com certeza esses dois processos podem ser efetivados. Só precisamos da boa vontade e empenho de cada morador”. enfatiza Pedroso.

Por mais que a situação do manancial não seja das melhores, especialistas aproveitam o aniversário da Billings para celebrar os investimentos feitos na recuperação da represa desde a crise hídrica enfrentada pelo Estado de São Paulo. “Desde então, nota-se uma vontade política de promover melhorias no corpo hídrico”, ressalta Bocuhy.

A preservação da vocação pelo lazer e pelo sustento de famílias também é citada. “Mesmo com diversos problemas, ainda se vê áreas preservadas, onde a população consegue aproveitar a pesca”, lembra Pedroso.

 

Despoluição da represa vira realidade

Após série de promessas não cumpridas, enfim, a despoluição da Represa Billings parece ter virado realidade. Com a assinatura do contrato, em dezembro do ano passado, para início de obras de esgotamento sanitário do Programa Pró-Billings, realizadas pela Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) na região do Alvarenga, em São Bernardo, especialistas afirmam ver, pela primeira vez na última década, ação concreta para a limpeza do manancial.

“O Pró-Billings é o primeiro passo do governo estadual para dar sobrevida ao manancial que, nos últimos anos, sofreu com forte poluição”, afirma o ambientalista e presidente da AGDS (Associação Global de Desenvolvimento Sustentado) Nelson Pedroso.

Segundo a Sabesp, o Pró-Billings deve beneficiar diretamente 250 mil famílias de São Bernardo. O projeto, em fase inicial de obras, abrange intervenções para coleta, afastamento e tratamento de esgoto na região do Grande Alvarenga.

O trabalho, que tem investimento de R$ 89,4 milhões, prevê a construção de 34 estações elevatórias para bombeamento de esgoto, o assentamento de 51 quilômetros de redes coletoras, 9,5 quilômetros de coletores-tronco (tubulações de grande porte) e 8.000 ligações domiciliares. A obra permitirá que todo o esgoto coletado na região seja levado para a ETE (Estação de Tratamento de Esgoto) ABC. Nessa fase, a obra irá gerar cerca de 500 empregos.

Além de possibilitar a despoluição do manancial, atualmente agredido por ocupações espalhadas em seu entorno, o projeto deve ainda transformar o local em “grande fonte de turismo”, conforme disse o governador do Estado, Geraldo Alckmin (PSDB), no início deste ano em São Bernardo. “(As intervenções na Billings vão) Torná-la grande centro de entretenimento e lazer”.

 

Região debate futuro do manancial

O aniversário de 93 anos da Represa Billings será tema hoje de duas palestras no Grande ABC. Nos dois eventos, especialistas e representantes da sociedade civil são aguardados para debater, dentre outros assuntos, alternativas para recuperar o manancial que banha Santo André, São Bernardo, Diadema, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, além da Zona Sul da Capital.

Em Santo André, o auditório do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC sediará a palestra Represa Billings: Manancial Protegido ou Esperança de Moradia?. O evento, que acontece das 9h às 13h, é aberto ao público e gratuito.

Realizado pelo Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André), em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente da Prefeitura de Santo André e o Consórcio Intermunicipal, a palestra contará com a presença de nomes como o do sociólogo e mestre em Ciência Política, Ricardo Araújo, que coordenou diversos programas financiados pelo Banco Mundial, como o Programa Mananciais e Programa Reágua, para debater a importância da Represa Billings, sua legislação, os impactos ambientais das ocupações às margens do reservatório.

À noite será a vez de São Bernardo sediar o seminário Represa Billings 93 anos: Passado, Presente e Futuro. O evento ocorrerá, das 18h às 22h, no auditório da Câmara. Interessados devem fazer inscrição prévia no site da Prefeitura (www.saobernardo.sp.gov.br).

Na oportunidade, serão abordados temas como o programa Pró-Billings e também o PDPA (Plano de Desenvolvimento e Proteção Ambiental) do manancial. O evento contará com presença de representantes do município, Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia) e do governo do Estado.



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Sobrevivência da Billings depende de ação

Aos 93 anos, caixa-d’água do Grande ABC espera apoio da população e de gestores públicos

Daniel Macário
Do Diário do Grande ABC

27/03/2018 | 07:00


 Hoje, data em que a Represa Billings – um dos principais mananciais da Região Metropolitana de São Paulo – completa 93 anos, especialistas alertam: a sobrevida do corpo hídrico depende do apoio e do empenho da população e de gestores públicos.

A provocação feita à sociedade civil e aos governantes tem como base recentes estudos que apontam a degradação da represa, responsável por gerar água para pelo menos 2,3 milhões de pessoas da Região Metropolitana do Estado.

Na avaliação de especialistas, embora o poder público tenha empenhado recursos para reverter este cenário, como foi o caso da criação do Programa Pró-Billings (leia mais abaixo), todo esse esforço para recuperação do manancial pode estar comprometido, caso a população não trabalhe para preservar a Billings, e não haja fiscalização para conter as ocupações às margens do corpo hídrico, responsável por banhar Santo André, São Bernardo, Diadema, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, além da Zona Sul da Capital.

“Não adianta o governo investir recursos na recuperação da Billings se a população não acompanha o andamento das obras e sequer colabora para preservação da represa”, afirma o ambientalista e presidente da AGDS (Associação Global de Desenvolvimento Sustentado), Nelson Pedroso.

O alerta, segundo o especialista, tem justificativa simples. “Quem melhor para cuidar da represa se não aqueles que dependem dos recursos oferecidos por ela, ou até mesmo das famílias que vivem às suas margens?”, questiona.

Para o presidente do Proam (Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental), Carlos Bocuhy, a população assume, neste momento, papel fundamental para o futuro da Billings. “Depois de anos esquecida por todos, a represa volta a ganhar atenção de governantes, portanto, estamos vivendo fase crucial. Ou seja, ou agimos já para reverter a sentença de morte do manancial ou não teremos mais uma oportunidade dessa”, afirma.

E os trabalhos a serem executados não são poucos. Segundo o especialista, se o ritmo atual de poluição for mantido, o manancial pode morrer em período de 50 anos. Para reverter isso, duas medidas emergentes são vistas como necessárias. “É necessário repor a vegetação desmatada no entorno da Billings nos últimos anos, além de se pensar em alternativas para sanar o despejo de lixo no manancial”, afirma Bocuhy.

As alternativas, segundo os especialistas, vão ao encontro do pedido feito à população. “Se as comunidades às margens da Billings criarem essa consciência ambiental, com certeza esses dois processos podem ser efetivados. Só precisamos da boa vontade e empenho de cada morador”. enfatiza Pedroso.

Por mais que a situação do manancial não seja das melhores, especialistas aproveitam o aniversário da Billings para celebrar os investimentos feitos na recuperação da represa desde a crise hídrica enfrentada pelo Estado de São Paulo. “Desde então, nota-se uma vontade política de promover melhorias no corpo hídrico”, ressalta Bocuhy.

A preservação da vocação pelo lazer e pelo sustento de famílias também é citada. “Mesmo com diversos problemas, ainda se vê áreas preservadas, onde a população consegue aproveitar a pesca”, lembra Pedroso.

 

Despoluição da represa vira realidade

Após série de promessas não cumpridas, enfim, a despoluição da Represa Billings parece ter virado realidade. Com a assinatura do contrato, em dezembro do ano passado, para início de obras de esgotamento sanitário do Programa Pró-Billings, realizadas pela Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) na região do Alvarenga, em São Bernardo, especialistas afirmam ver, pela primeira vez na última década, ação concreta para a limpeza do manancial.

“O Pró-Billings é o primeiro passo do governo estadual para dar sobrevida ao manancial que, nos últimos anos, sofreu com forte poluição”, afirma o ambientalista e presidente da AGDS (Associação Global de Desenvolvimento Sustentado) Nelson Pedroso.

Segundo a Sabesp, o Pró-Billings deve beneficiar diretamente 250 mil famílias de São Bernardo. O projeto, em fase inicial de obras, abrange intervenções para coleta, afastamento e tratamento de esgoto na região do Grande Alvarenga.

O trabalho, que tem investimento de R$ 89,4 milhões, prevê a construção de 34 estações elevatórias para bombeamento de esgoto, o assentamento de 51 quilômetros de redes coletoras, 9,5 quilômetros de coletores-tronco (tubulações de grande porte) e 8.000 ligações domiciliares. A obra permitirá que todo o esgoto coletado na região seja levado para a ETE (Estação de Tratamento de Esgoto) ABC. Nessa fase, a obra irá gerar cerca de 500 empregos.

Além de possibilitar a despoluição do manancial, atualmente agredido por ocupações espalhadas em seu entorno, o projeto deve ainda transformar o local em “grande fonte de turismo”, conforme disse o governador do Estado, Geraldo Alckmin (PSDB), no início deste ano em São Bernardo. “(As intervenções na Billings vão) Torná-la grande centro de entretenimento e lazer”.

 

Região debate futuro do manancial

O aniversário de 93 anos da Represa Billings será tema hoje de duas palestras no Grande ABC. Nos dois eventos, especialistas e representantes da sociedade civil são aguardados para debater, dentre outros assuntos, alternativas para recuperar o manancial que banha Santo André, São Bernardo, Diadema, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, além da Zona Sul da Capital.

Em Santo André, o auditório do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC sediará a palestra Represa Billings: Manancial Protegido ou Esperança de Moradia?. O evento, que acontece das 9h às 13h, é aberto ao público e gratuito.

Realizado pelo Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André), em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente da Prefeitura de Santo André e o Consórcio Intermunicipal, a palestra contará com a presença de nomes como o do sociólogo e mestre em Ciência Política, Ricardo Araújo, que coordenou diversos programas financiados pelo Banco Mundial, como o Programa Mananciais e Programa Reágua, para debater a importância da Represa Billings, sua legislação, os impactos ambientais das ocupações às margens do reservatório.

À noite será a vez de São Bernardo sediar o seminário Represa Billings 93 anos: Passado, Presente e Futuro. O evento ocorrerá, das 18h às 22h, no auditório da Câmara. Interessados devem fazer inscrição prévia no site da Prefeitura (www.saobernardo.sp.gov.br).

Na oportunidade, serão abordados temas como o programa Pró-Billings e também o PDPA (Plano de Desenvolvimento e Proteção Ambiental) do manancial. O evento contará com presença de representantes do município, Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia) e do governo do Estado.

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