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Regionalidade sob risco

André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Discussões colocam em xeque discurso de união dos prefeitos, o que pode afastar avanços regionais


Raphael Rocha
Do Diário do Grande ABC

25/03/2018 | 07:00


Quando se esperava que uma varrida do PT das prefeituras do Grande ABC pudesse unir os prefeitos das sete cidades em torno da tão propalada e necessária regionalidade, a união dos municípios corre risco de se desfazer. A saída de Diadema do Consórcio Intermunicipal, informada em julho e oficializada em outubro de 2017, foi o estopim para o distanciamento dos chefes de Executivo da região. Em 2018, ano eleitoral, a separação está mais visível, inclusive com ameaças de outras cidades em abandonar a entidade regional.

Uma das provas do estremecimento está na presença dos prefeitos nas assembleias mensais. A última vez em que todos os gestores participaram da reunião do colegiado foi em agosto de 2017, quando Lauro Michels (PV), de Diadema, ainda estava presente. Desde então, sete assembleias foram organizadas. Na de março, somente o presidente do grupo, Orlando Morando (PSDB), de São Bernardo, Adler Kiko Teixeira (PSB), de Ribeirão Pires, e Gabriel Maranhão (PSDB), de Rio Grande da Serra, compareceram. Sequer os vice-prefeitos foram enviados para o encontro.

Muitos são os episódios ocorridos nos bastidores para que os sete prefeitos não falem mais a mesma língua, mas essas discussões menores têm colocado de lado os esforços coletivos para que o Grande ABC, com 2,7 milhões de pessoas e o quarto maior PIB (Produto Interno Bruto) do País – com R$ 112 bilhões de riquezas geradas em 2015, siga como potência econômica nacional.

Em outubro de 2016, quando foi conhecida a atual legislatura, o cenário parecia promissor. Houve reuniões entre os prefeitos – uma delas no apartamento de Morando – para que houvesse debate em torno de projetos regionais. A principal ideia era tirar do discurso o Plano de Mobilidade Urbana, iniciado na gestão passada, porém travado depois do início das crises financeira e política do governo de Dilma Rousseff (PT) no Planalto. Outro episódio que dava boas perspectivas no debate das sete cidades foi o convite para que a prefeitura da Capital tivesse assento no Consórcio. Os alicerces da regionalidade pareciam estar constituídos.

Um ponto que uniu os atuais prefeitos foi a eleição. Todos eles foram eleitos tendo o PT como adversário – uns com mais, outros com menos intensidade. Essa foi a geração que conseguiu destruir o cinturão vermelho numa região que, até dois anos atrás, era considerada berço do petismo. Só que, passados 15 meses de gestão, a impressão que se tem é que a legislatura passada, com três petistas – Carlos Grana, de Santo André, Luiz Marinho, de São Bernardo, e Donisete Braga, de Mauá –, parecia estar mais unida. Vale lembrar que até mesmo o único tucano à época, Maranhão, decidiu apoiar e declarar seu voto e amor por Dilma, por articulação dos prefeitos petistas da ocasião.

A condução sobre o futuro da Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC – a primeira do tipo no País – também vem intensificando as fissuras. Até o fim de 2016, o Consórcio era responsável pela maior fatia de repasse para manter o órgão de fomento da economia da região. Por orientação do TCE (Tribunal de Contas do Estado), esse tipo de transferência foi suspenso. Prefeito de Santo André, Paulo Serra (PSDB) assumiu a Agência com discurso de manutenção do trabalho e projetava convênios diretos com as prefeituras. Só que nem todas encaminharam projetos de lei autorizando essa operação financeira. E a Agência vive dias de incerteza.

DIVISÃO ELEITORAL
A eleição de outubro tem ampliado a divisão entre os prefeitos e trazido reflexos nos debates regionais. Os chefes de Executivo têm ecoado o racha dentro do governo de Geraldo Alckmin (PSDB) na discussão do processo de sucessão. O PSDB vai lançar o prefeito da Capital, João Doria. A maior parte da base de sustentação de Alckmin (e até setores da oposição ao tucano) vai caminhar com o vice-governador Márcio França (PSB), que no dia 6 assume o comando do Palácio dos Bandeirantes porque Alckmin terá de se desincompatibilizar do cargo para concorrer ao Palácio do Planalto.

Morando assumiu a linha de frente no apoio a Doria. Os demais tucanos da região cogitaram adesão a Márcio França, que já tem suporte declarado de Atila Jacomussi, de Mauá, e Kiko, de Ribeirão, seus correligionários. Maranhão também aderiu ao projeto de França e está de saída do tucanato. Paulo Serra e José Auricchio Júnior (PSDB), de São Caetano, participaram de alguns encontros de tucanos que sugeriam uma união de forças tendo França como cabeça de chapa.

Em 2014, os prefeitos da região caminharam em lados opostos no pleito ao governo do Estado: Grana, Marinho e Donisete pediram votos ao ex-ministro Alexandre Padilha (PT); Paulo Pinheiro (MDB), de São Caetano, e Saulo Benevides (MDB), de Ribeirão, defenderam a eleição de Paulo Skaf (MDB), presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo); Lauro e Maranhão subiram no palanque de Alckmin. Mesmo assim, a disputa eleitoral pouco (para não dizer nada) interferiu nos debates regionais.

Não à toa que naquele mesmo ano houve discussão avançada para que o regimento interno fosse mudado para dar uma segunda reeleição a Marinho. O movimento foi revelado pelo Diário, arrefeceu e Maranhão foi eleito. Mesmo assim, o tucano manteve toda estrutura herdada do antecessor, entre eles o secretário executivo, à época o petista Luís Paulo Bresciani. Em 2016, Maranhão passou o bastão novamente para Marinho.

Em um passado mais distante, o Consórcio foi propulsor da criação do Fórum da Cidadania do Grande ABC, com objetivo de fortalecer as instituições da região, entre elas o Diário, e de fomentar o voto em políticos das sete cidades naquele pleito. O trabalho eleitoral resultou na maior bancada até hoje vista: cinco deputados federais e outros oito estaduais eleitos. 



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Regionalidade sob risco

Discussões colocam em xeque discurso de união dos prefeitos, o que pode afastar avanços regionais

Raphael Rocha
Do Diário do Grande ABC

25/03/2018 | 07:00


Quando se esperava que uma varrida do PT das prefeituras do Grande ABC pudesse unir os prefeitos das sete cidades em torno da tão propalada e necessária regionalidade, a união dos municípios corre risco de se desfazer. A saída de Diadema do Consórcio Intermunicipal, informada em julho e oficializada em outubro de 2017, foi o estopim para o distanciamento dos chefes de Executivo da região. Em 2018, ano eleitoral, a separação está mais visível, inclusive com ameaças de outras cidades em abandonar a entidade regional.

Uma das provas do estremecimento está na presença dos prefeitos nas assembleias mensais. A última vez em que todos os gestores participaram da reunião do colegiado foi em agosto de 2017, quando Lauro Michels (PV), de Diadema, ainda estava presente. Desde então, sete assembleias foram organizadas. Na de março, somente o presidente do grupo, Orlando Morando (PSDB), de São Bernardo, Adler Kiko Teixeira (PSB), de Ribeirão Pires, e Gabriel Maranhão (PSDB), de Rio Grande da Serra, compareceram. Sequer os vice-prefeitos foram enviados para o encontro.

Muitos são os episódios ocorridos nos bastidores para que os sete prefeitos não falem mais a mesma língua, mas essas discussões menores têm colocado de lado os esforços coletivos para que o Grande ABC, com 2,7 milhões de pessoas e o quarto maior PIB (Produto Interno Bruto) do País – com R$ 112 bilhões de riquezas geradas em 2015, siga como potência econômica nacional.

Em outubro de 2016, quando foi conhecida a atual legislatura, o cenário parecia promissor. Houve reuniões entre os prefeitos – uma delas no apartamento de Morando – para que houvesse debate em torno de projetos regionais. A principal ideia era tirar do discurso o Plano de Mobilidade Urbana, iniciado na gestão passada, porém travado depois do início das crises financeira e política do governo de Dilma Rousseff (PT) no Planalto. Outro episódio que dava boas perspectivas no debate das sete cidades foi o convite para que a prefeitura da Capital tivesse assento no Consórcio. Os alicerces da regionalidade pareciam estar constituídos.

Um ponto que uniu os atuais prefeitos foi a eleição. Todos eles foram eleitos tendo o PT como adversário – uns com mais, outros com menos intensidade. Essa foi a geração que conseguiu destruir o cinturão vermelho numa região que, até dois anos atrás, era considerada berço do petismo. Só que, passados 15 meses de gestão, a impressão que se tem é que a legislatura passada, com três petistas – Carlos Grana, de Santo André, Luiz Marinho, de São Bernardo, e Donisete Braga, de Mauá –, parecia estar mais unida. Vale lembrar que até mesmo o único tucano à época, Maranhão, decidiu apoiar e declarar seu voto e amor por Dilma, por articulação dos prefeitos petistas da ocasião.

A condução sobre o futuro da Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC – a primeira do tipo no País – também vem intensificando as fissuras. Até o fim de 2016, o Consórcio era responsável pela maior fatia de repasse para manter o órgão de fomento da economia da região. Por orientação do TCE (Tribunal de Contas do Estado), esse tipo de transferência foi suspenso. Prefeito de Santo André, Paulo Serra (PSDB) assumiu a Agência com discurso de manutenção do trabalho e projetava convênios diretos com as prefeituras. Só que nem todas encaminharam projetos de lei autorizando essa operação financeira. E a Agência vive dias de incerteza.

DIVISÃO ELEITORAL
A eleição de outubro tem ampliado a divisão entre os prefeitos e trazido reflexos nos debates regionais. Os chefes de Executivo têm ecoado o racha dentro do governo de Geraldo Alckmin (PSDB) na discussão do processo de sucessão. O PSDB vai lançar o prefeito da Capital, João Doria. A maior parte da base de sustentação de Alckmin (e até setores da oposição ao tucano) vai caminhar com o vice-governador Márcio França (PSB), que no dia 6 assume o comando do Palácio dos Bandeirantes porque Alckmin terá de se desincompatibilizar do cargo para concorrer ao Palácio do Planalto.

Morando assumiu a linha de frente no apoio a Doria. Os demais tucanos da região cogitaram adesão a Márcio França, que já tem suporte declarado de Atila Jacomussi, de Mauá, e Kiko, de Ribeirão, seus correligionários. Maranhão também aderiu ao projeto de França e está de saída do tucanato. Paulo Serra e José Auricchio Júnior (PSDB), de São Caetano, participaram de alguns encontros de tucanos que sugeriam uma união de forças tendo França como cabeça de chapa.

Em 2014, os prefeitos da região caminharam em lados opostos no pleito ao governo do Estado: Grana, Marinho e Donisete pediram votos ao ex-ministro Alexandre Padilha (PT); Paulo Pinheiro (MDB), de São Caetano, e Saulo Benevides (MDB), de Ribeirão, defenderam a eleição de Paulo Skaf (MDB), presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo); Lauro e Maranhão subiram no palanque de Alckmin. Mesmo assim, a disputa eleitoral pouco (para não dizer nada) interferiu nos debates regionais.

Não à toa que naquele mesmo ano houve discussão avançada para que o regimento interno fosse mudado para dar uma segunda reeleição a Marinho. O movimento foi revelado pelo Diário, arrefeceu e Maranhão foi eleito. Mesmo assim, o tucano manteve toda estrutura herdada do antecessor, entre eles o secretário executivo, à época o petista Luís Paulo Bresciani. Em 2016, Maranhão passou o bastão novamente para Marinho.

Em um passado mais distante, o Consórcio foi propulsor da criação do Fórum da Cidadania do Grande ABC, com objetivo de fortalecer as instituições da região, entre elas o Diário, e de fomentar o voto em políticos das sete cidades naquele pleito. O trabalho eleitoral resultou na maior bancada até hoje vista: cinco deputados federais e outros oito estaduais eleitos. 

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