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Vozes que interpretam

Celso Luiz/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Dubladoras da região mostram rotina, paixão e exigências da profissão


Karine Manchini

22/10/2017 | 07:00


 Em cada cena, uma reação. São nos detalhes minuciosos e rápidos que a voz do personagem se transforma. Dentro de pequeno e silencioso estúdio, a magia acontece. Assim é possível descrever as tarefas de um dublador, papel fundamental em filmes, séries, novelas e animações.

A equipe do Diário acompanhou o processo de dublagem em um estúdio na Capital, onde fica a maioria das empresas, que dividem espaço com o Rio de Janeiro. Como regra, não é possível registrar qual trabalho está sendo feito. Quem comandou a direção foi a atriz e dubladora Priscila Ferreira, 30 anos, moradora de São Caetano. Cercada de papéis com cada frase do programa transcrita no documento, ela é atenta e organizada. As falas devem sair perfeitas e acompanhar os movimentos da boca do personagem que está sendo dublado.

Entre uma frase e outra que precisa ser refeita, o trabalho dura horas, mas é bem-sucedido. Quando finalizado, é possível escutar a comemoração da diretora com seu jeito carinhoso de tratar a atriz que está dentro da sala. “Muito bem amor, saiu tudo perfeito!.”

Priscila começou na profissão de atriz bem nova. Aos 9 anos já fazia comerciais de televisão e trabalhava com publicidade. Seu pai, que é taxista, fez uma corrida para o dublador Fábio Tomasini (que, entre outros trabalhos, fez O Massacre da Serra Elétrica). No bate-papo comentou que a filha gostava de atuar. Tomasini fez convite para que a menina fosse conhecer um estúdio de dublagem. Após esse dia a moça nunca mais quis outra coisa na vida. “Gostei muito! Aprendi a dublar ‘na marra’ e com os melhores. Quando você começa de pequenininho, tudo fica mais fácil”, conta a são-caetanense.

Para seguir no ramo, são necessárias algumas exigências, como ser ator profissional e ter DRT (Registro Profissional de Ator/Atriz), além de noções de inglês. A dubladora conseguiu tudo que precisava e assim sua vida seguiu. Fez diversos trabalhos, inclusive a personagem principal do seu longa-metragem favorito. “Sempre gostei de Um Amor Para Recordar (2002). Quando foi para o Netflix eu que dublei a protagonista. Fiquei muito feliz, porque o filme preferido da minha adolescência tem minha voz.”

Além de longas, trabalhou com animações e novelas. Dublou a personagem Fatmagul, novela de mesmo nome exibida pela Band de 2015 a 2016. E adorou dar voz a Fluttershy, personagem do desenho My Little Pony.

Priscila tem três filhos e divide sua rotina entre cuidar deles, dublar e dirigir. Mas não abandona o amor que tem pela profissão, inclusive transmitiu essa paixão para sua filha mais velha. Clara, 5 anos, já está no ramo e dublou a fase criança da personagem do filme Moana, da Disney. “Eles têm horário específico para dublar. O juíz não deixa criança dublar à noite, por exemplo. Ela não lê ainda, na maioria das escalas eu que a dirigi”, explica.

Atualmente a dubladora está com a personagem Jesse da série Chesapeake Shores, na qual trabalha ao lado de sua melhor amiga Maíra Paris, também do Grande ABC. “Somos irmãs na série que dublamos e sempre me emociono gravando, pois é uma amizade da vida real e da ficção.”

Maíra, 33, de São Bernardo, começou no teatro amador da escola, tocou na banda do irmão e, aos 19, foi para o teatro profissional. Começou a dublar em 2008 e já acumula diversos personagens de séries, filmes, desenhos, realities shows e novelas no currículo. Entre eles, Nica de A Maldição de Chucky, Xerife Callie da Disney e Stephanie, de Como Agarrar Meu Ex-Namorado. Mesmo com muitos papéis a dubladora não se considera antiga no ramo. “Temos profissionais que estão há mais de 30 anos e acompanham este mercado desde o começo. Não me considero novata, mas estou bem longe de ser veterana.”

Para ela, o Brasil é um dos países que mais valorizam o profissional de dublagem no mundo. “Aqui a grande maioria dos estúdios se preocupa com a qualidade do produto final e qualifica bem seus atores”, explica a dubladora, que completa: “Claro que temos mercados paralelos que trabalham por preço e acabam marginalizando a profissão. É só ligar a televisão e ouvir vários exemplos de profissionais que não estão preparados para isso, trabalhando em várias obras. Mas acredito que isso esteja em processo de mudança”, encerra.

VOZ DA LOCALIZAÇÃO
Máquinas e aplicativos também são dublados. Uma das primeiras pessoas a dar voz a um GPS no Brasil, foi o professor universitário Marcelo Abud, 46 anos, de São Paulo. Abud, que é radialista e em 2005 estava trabalhando em um podcast dos canais Sony, foi convidado na mesma época para fazer a voz do produto da Magneti Marelli. Ele se surpreendeu com o processo de dublagem. “Foi curioso, porque gravávamos frases soltas como “vire à direita”, por exemplo. Não imaginávamos como elas seriam ligadas para indicar os caminhos.”

Abud nunca trabalhou com dublagem antes de interpretar o GPS e quando questionado se atuaria na profissão, é sincero. “Fiz apenas um semestre de curso de teatro. E para dublar é preciso ser muito bom ator. Caso eu encarasse esse desafio, gostaria de dublar desenhos animados. Gosto de fazer vozes diferentes para o meu filho. Ele pede para eu ler antes de ele dormir, porque gosta do jeito como interpreto. Mas sua opinião é muito parcial, creio”, diverte-se.

Herbert Richers inovou na dublagem
Hoje não tem estúdio de dublagem por aqui, mas por anos morou em Ribeirão Pires um dos maiores produtores de cinema do Brasil, Herbert Richers (1923-2009). O casarão dele, inclusive, acaba de virar patrimônio cultural. Nascido em Araraquara, o empresário foi dono da Herbert Richers Produções Cinematográficas S.A., que se especializou em dublagem. Ele aprendeu nova técnica quando foi aos Estados Unidos a convite de ninguém menos do que Walt Disney. A partir daí as produções que passavam pela sua empresa ganharam o célebre selo “Versão Brasileira, Herbert Richers”.

CURSO
O CAV (Centro de Audiovisual), em São Bernardo, tem na grade o curso de Animação, com duração de um ano e meio. No terceiro módulo da disciplina, os alunos aprendem técnicas de locução e dublagem. Segundo a Prefeitura, o processo seletivo é realizado semestralmente. Novo edital será aberto em 2018. Saiba mais em www.cav.saobernardo.sp.gov.br.



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Vozes que interpretam

Dubladoras da região mostram rotina, paixão e exigências da profissão

Karine Manchini

22/10/2017 | 07:00


 Em cada cena, uma reação. São nos detalhes minuciosos e rápidos que a voz do personagem se transforma. Dentro de pequeno e silencioso estúdio, a magia acontece. Assim é possível descrever as tarefas de um dublador, papel fundamental em filmes, séries, novelas e animações.

A equipe do Diário acompanhou o processo de dublagem em um estúdio na Capital, onde fica a maioria das empresas, que dividem espaço com o Rio de Janeiro. Como regra, não é possível registrar qual trabalho está sendo feito. Quem comandou a direção foi a atriz e dubladora Priscila Ferreira, 30 anos, moradora de São Caetano. Cercada de papéis com cada frase do programa transcrita no documento, ela é atenta e organizada. As falas devem sair perfeitas e acompanhar os movimentos da boca do personagem que está sendo dublado.

Entre uma frase e outra que precisa ser refeita, o trabalho dura horas, mas é bem-sucedido. Quando finalizado, é possível escutar a comemoração da diretora com seu jeito carinhoso de tratar a atriz que está dentro da sala. “Muito bem amor, saiu tudo perfeito!.”

Priscila começou na profissão de atriz bem nova. Aos 9 anos já fazia comerciais de televisão e trabalhava com publicidade. Seu pai, que é taxista, fez uma corrida para o dublador Fábio Tomasini (que, entre outros trabalhos, fez O Massacre da Serra Elétrica). No bate-papo comentou que a filha gostava de atuar. Tomasini fez convite para que a menina fosse conhecer um estúdio de dublagem. Após esse dia a moça nunca mais quis outra coisa na vida. “Gostei muito! Aprendi a dublar ‘na marra’ e com os melhores. Quando você começa de pequenininho, tudo fica mais fácil”, conta a são-caetanense.

Para seguir no ramo, são necessárias algumas exigências, como ser ator profissional e ter DRT (Registro Profissional de Ator/Atriz), além de noções de inglês. A dubladora conseguiu tudo que precisava e assim sua vida seguiu. Fez diversos trabalhos, inclusive a personagem principal do seu longa-metragem favorito. “Sempre gostei de Um Amor Para Recordar (2002). Quando foi para o Netflix eu que dublei a protagonista. Fiquei muito feliz, porque o filme preferido da minha adolescência tem minha voz.”

Além de longas, trabalhou com animações e novelas. Dublou a personagem Fatmagul, novela de mesmo nome exibida pela Band de 2015 a 2016. E adorou dar voz a Fluttershy, personagem do desenho My Little Pony.

Priscila tem três filhos e divide sua rotina entre cuidar deles, dublar e dirigir. Mas não abandona o amor que tem pela profissão, inclusive transmitiu essa paixão para sua filha mais velha. Clara, 5 anos, já está no ramo e dublou a fase criança da personagem do filme Moana, da Disney. “Eles têm horário específico para dublar. O juíz não deixa criança dublar à noite, por exemplo. Ela não lê ainda, na maioria das escalas eu que a dirigi”, explica.

Atualmente a dubladora está com a personagem Jesse da série Chesapeake Shores, na qual trabalha ao lado de sua melhor amiga Maíra Paris, também do Grande ABC. “Somos irmãs na série que dublamos e sempre me emociono gravando, pois é uma amizade da vida real e da ficção.”

Maíra, 33, de São Bernardo, começou no teatro amador da escola, tocou na banda do irmão e, aos 19, foi para o teatro profissional. Começou a dublar em 2008 e já acumula diversos personagens de séries, filmes, desenhos, realities shows e novelas no currículo. Entre eles, Nica de A Maldição de Chucky, Xerife Callie da Disney e Stephanie, de Como Agarrar Meu Ex-Namorado. Mesmo com muitos papéis a dubladora não se considera antiga no ramo. “Temos profissionais que estão há mais de 30 anos e acompanham este mercado desde o começo. Não me considero novata, mas estou bem longe de ser veterana.”

Para ela, o Brasil é um dos países que mais valorizam o profissional de dublagem no mundo. “Aqui a grande maioria dos estúdios se preocupa com a qualidade do produto final e qualifica bem seus atores”, explica a dubladora, que completa: “Claro que temos mercados paralelos que trabalham por preço e acabam marginalizando a profissão. É só ligar a televisão e ouvir vários exemplos de profissionais que não estão preparados para isso, trabalhando em várias obras. Mas acredito que isso esteja em processo de mudança”, encerra.

VOZ DA LOCALIZAÇÃO
Máquinas e aplicativos também são dublados. Uma das primeiras pessoas a dar voz a um GPS no Brasil, foi o professor universitário Marcelo Abud, 46 anos, de São Paulo. Abud, que é radialista e em 2005 estava trabalhando em um podcast dos canais Sony, foi convidado na mesma época para fazer a voz do produto da Magneti Marelli. Ele se surpreendeu com o processo de dublagem. “Foi curioso, porque gravávamos frases soltas como “vire à direita”, por exemplo. Não imaginávamos como elas seriam ligadas para indicar os caminhos.”

Abud nunca trabalhou com dublagem antes de interpretar o GPS e quando questionado se atuaria na profissão, é sincero. “Fiz apenas um semestre de curso de teatro. E para dublar é preciso ser muito bom ator. Caso eu encarasse esse desafio, gostaria de dublar desenhos animados. Gosto de fazer vozes diferentes para o meu filho. Ele pede para eu ler antes de ele dormir, porque gosta do jeito como interpreto. Mas sua opinião é muito parcial, creio”, diverte-se.

Herbert Richers inovou na dublagem
Hoje não tem estúdio de dublagem por aqui, mas por anos morou em Ribeirão Pires um dos maiores produtores de cinema do Brasil, Herbert Richers (1923-2009). O casarão dele, inclusive, acaba de virar patrimônio cultural. Nascido em Araraquara, o empresário foi dono da Herbert Richers Produções Cinematográficas S.A., que se especializou em dublagem. Ele aprendeu nova técnica quando foi aos Estados Unidos a convite de ninguém menos do que Walt Disney. A partir daí as produções que passavam pela sua empresa ganharam o célebre selo “Versão Brasileira, Herbert Richers”.

CURSO
O CAV (Centro de Audiovisual), em São Bernardo, tem na grade o curso de Animação, com duração de um ano e meio. No terceiro módulo da disciplina, os alunos aprendem técnicas de locução e dublagem. Segundo a Prefeitura, o processo seletivo é realizado semestralmente. Novo edital será aberto em 2018. Saiba mais em www.cav.saobernardo.sp.gov.br.

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