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Tatuado com a mediocridade


Do Diário do Grande ABC

17/11/2016 | 07:00


Estava aqui diante deste papel virtual, sem muita inspiração para uma crônica, quando o barulho do mar, mais presente hoje do que noutros dias, me convidou a escrever uma aventura. É mania de mar sugerir aventura, afinal.

Entretanto, o bom sentimento marítimo, que já me trazia no peito a grata imagem de veleiro a distância, me foi abruptamente arrebatado pelo ruído estridente de um insuportável ritmo musical que aspira desvanecer qualquer sensação boa que vai no coração. Até o canto do mar com suas gaivotas ficou abafado pelo mau gosto que partia de potentes alto-falantes para se propagar pelos quatro cantos do lugar. Restou-me somente buscar concentração e continuar a leitura do jornal que vinha lendo e que trazia a entrevista de um ministro, parte integrante do governo desta terra de meu Deus. Atraiu-me sua fala justamente porque destacava a mediocridade do seu povo. Concluía, inclusive, dizendo que a considera pior do que a corrupção, cultura do ganho fácil que vem subtraindo este chão desde que o europeu dele tomou posse.

E aquele mal-estar auditivo viera, pois, só para ilustrar a fala do ministro, uma vez que retrata fielmente a mediocridade que impele essa gente a manter os pés fincados no atoleiro da ignorância crônica, condição que garante a continuidade do processo que cuida da permanência deste rico País no submundo terceiromundista.

O ministro ainda ressaltou que, para governantes de todo os tempos, prioridade é a economia da Pátria, enquanto Educação, que deveria vir em primeiro plano, fica lá lanterna da fila. A única forma, segundo ele, de se garantir o futuro deste País é por meio dela. Claro que os resultados só viriam a longo prazo.

Concordo, pois, com o ministro, uma vez que não há desenvolvimento quando a população é destituída de informação e conhecimento, estado que a torna facilmente manipulável e seu destino constantemente entregue à pauta de decisões de uns poucos homens que estão no comando por gerações e gerações. Sim, já que passam o poder de pai para filho e para neto, tal qual ocorre em países absolutistas.

E, para agravar a situação, as medidas necessárias para se promover Educação de gente grande neste imenso território Tupinambá só essa meia dúzia tem o poder de tomar. E, se depender de sua vontade, logicamente que tais providências permanecerão guardadas nos corações dos idealistas que ainda sonham com uma Pátria melhor, e para quem é negado colocar em prática suas ideias que jogariam para a lona esta mediocridade tatuada na gente desta terra.

Todavia, ideias que podem dar certo e frutificar, levando o povo a deixar o bolor da ignorância para finalmente descobrir uma vida cheia de possibilidades, seguem na contramão do conservadorismo que, como diz o próprio nome, deseja que tudo permaneça como está. Assim o bolo não é dividido e a parte que lhe cabe o povo nunca vê.

Percebe, amigo leitor, porque Educação não faz parte da cartilha do poder? Povo esperto sabe cobrar, questiona, contesta e esse ventilador por certo que haveria de espalhar a farofa de quem sempre almeja manter cravadas no poder e na vida fácil suas unhas sujas.


Rodolfo de Souza nasceu e mora em Santo André. É professor e autor do blog cafeecronicas.wordpress.com
E-mail para esta coluna: souza.rodolfo@hotmail.com. 



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Tatuado com a mediocridade

Do Diário do Grande ABC

17/11/2016 | 07:00


Estava aqui diante deste papel virtual, sem muita inspiração para uma crônica, quando o barulho do mar, mais presente hoje do que noutros dias, me convidou a escrever uma aventura. É mania de mar sugerir aventura, afinal.

Entretanto, o bom sentimento marítimo, que já me trazia no peito a grata imagem de veleiro a distância, me foi abruptamente arrebatado pelo ruído estridente de um insuportável ritmo musical que aspira desvanecer qualquer sensação boa que vai no coração. Até o canto do mar com suas gaivotas ficou abafado pelo mau gosto que partia de potentes alto-falantes para se propagar pelos quatro cantos do lugar. Restou-me somente buscar concentração e continuar a leitura do jornal que vinha lendo e que trazia a entrevista de um ministro, parte integrante do governo desta terra de meu Deus. Atraiu-me sua fala justamente porque destacava a mediocridade do seu povo. Concluía, inclusive, dizendo que a considera pior do que a corrupção, cultura do ganho fácil que vem subtraindo este chão desde que o europeu dele tomou posse.

E aquele mal-estar auditivo viera, pois, só para ilustrar a fala do ministro, uma vez que retrata fielmente a mediocridade que impele essa gente a manter os pés fincados no atoleiro da ignorância crônica, condição que garante a continuidade do processo que cuida da permanência deste rico País no submundo terceiromundista.

O ministro ainda ressaltou que, para governantes de todo os tempos, prioridade é a economia da Pátria, enquanto Educação, que deveria vir em primeiro plano, fica lá lanterna da fila. A única forma, segundo ele, de se garantir o futuro deste País é por meio dela. Claro que os resultados só viriam a longo prazo.

Concordo, pois, com o ministro, uma vez que não há desenvolvimento quando a população é destituída de informação e conhecimento, estado que a torna facilmente manipulável e seu destino constantemente entregue à pauta de decisões de uns poucos homens que estão no comando por gerações e gerações. Sim, já que passam o poder de pai para filho e para neto, tal qual ocorre em países absolutistas.

E, para agravar a situação, as medidas necessárias para se promover Educação de gente grande neste imenso território Tupinambá só essa meia dúzia tem o poder de tomar. E, se depender de sua vontade, logicamente que tais providências permanecerão guardadas nos corações dos idealistas que ainda sonham com uma Pátria melhor, e para quem é negado colocar em prática suas ideias que jogariam para a lona esta mediocridade tatuada na gente desta terra.

Todavia, ideias que podem dar certo e frutificar, levando o povo a deixar o bolor da ignorância para finalmente descobrir uma vida cheia de possibilidades, seguem na contramão do conservadorismo que, como diz o próprio nome, deseja que tudo permaneça como está. Assim o bolo não é dividido e a parte que lhe cabe o povo nunca vê.

Percebe, amigo leitor, porque Educação não faz parte da cartilha do poder? Povo esperto sabe cobrar, questiona, contesta e esse ventilador por certo que haveria de espalhar a farofa de quem sempre almeja manter cravadas no poder e na vida fácil suas unhas sujas.


Rodolfo de Souza nasceu e mora em Santo André. É professor e autor do blog cafeecronicas.wordpress.com
E-mail para esta coluna: souza.rodolfo@hotmail.com. 

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