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Visitas pastorais missionárias


Do Diário do Grande ABC

14/11/2016 | 07:00


Caro leitor e leitora, neste texto gostaria de apresentar-lhes um trabalho desenvolvido na Diocese de Santo André neste ano de 2016. Tratou-se do fruto de um esforço de diversas áreas de nosso Grande ABC, de diversos credos e condições sociais, integrantes dos setores público e privado, mas, sobretudo, de integrantes de nossas comunidades católicas, leigos, padres, freiras e deste que escreve.

Refiro-me às visitas pastorais missionárias, um projeto de conhecimento da realidade local com todas suas alegrias e angústias. Julguei necessário, tendo ouvido a muitos, iniciar este processo junto à Igreja Católica no Grande ABC, sobretudo, por dois motivos: a Igreja é por sua natureza missionária, todos os católicos, por força de sua adesão à fé, são missionários de Deus onde quer que estejam. O segundo motivo foi porque havia chegado há poucos meses nesta já tão querida região. Precisava ouvir, dialogar e conhecer para bem desempenhar minha missão como bispo católico.

Dividimos a visita em oito fases, de acordo com nossa orientação de trabalho diocesano, as chamadas regiões pastorais. Cada uma das fases durou nove dias. Fomos eu, os padres das regiões e, em cada visita, uns 80 voluntários missionários, todos acompanhavam incansavelmente, nos dias intensos de chuva e sol, frio e calor. A cada dia era visitada a área de uma paróquia com todo seu território, suas comunidades, seus enfermos, suas casas, comércios, empresas e lugares relevantes para o conjunto da população. Destes lugares de interesse coletivo posso citar alguns como exemplo: hospitais, faculdades, escolas, estações de tratamento de água e esgoto, departamentos de Seguranças, Câmaras municipais, prefeituras, fóruns, imprensa, assistências sociais, sinagoga e outros tantos. Fomos muito bem recebido em todos locais e não posso deixar de agradecer aos que nos receberam. Nas noites, celebrava a missa nas comunidades e fazia um momento de diálogo com segmentos de nossa Igreja, refletindo sobre temas como a Palavra de Deus, a caridade, a liturgia, a pastoral e outros.

Nas casas convivi com muitos dramas, a falta de emprego e sua sucessiva pobreza, as enfermidades que impedem muitas pessoas de sair de suas casas, a solidão, o drama da drogadição e tantos outros conflitos familiares.

O povo em geral sofre. Sofre por não ter suficiente assistência médica, educacional, de segurança e por faltas da ordem pública. E, em algumas vezes, também lhes falta a assistência religiosa. Muitos que trabalham no setor público não conseguem desenvolver bem seu ofício por falta de estrutura. Precisamos unir forças, cada qual respeitando sua área de atuação; e, na medida do possível, abrindo-se à mútua colaboração. Juntos somos mais fortes. Essas visitas foram grande sinal disto.

O mesmo povo que sofre é também o que carrega a esperança, tem histórias lindas de superação e luta bravamente a cada dia. Creio que esta esperança nunca deve deixar de ser anunciada. Ouvi muitos testemunhos da beleza de se ter esperança. Há muitas pessoas trabalhando pelo bem do próximo, no silêncio, em obras assistenciais e de muitas outras formas. Nosso povo é forte e solidário, mais do que ele próprio acredita ser. A esperança forte para os cristãos tem um rosto, é uma palavra de esperança, é Jesus, Palavra do Pai.

Neste fim de semana encerramos o Ano Santo da Misericórdia no Grande ABC, a misericórdia refletida e vivida continuará a iluminar nossos passos. A cada missão nos tornamos mais experientes em ler os sinais de Deus no mundo de hoje. E o que Deus nos diz neste tempo através de seus sinais: ‘Coragem, entre as alegrias e sofrimentos podemos e devemos avançar!’

Dom Pedro Carlos Cipollini é bispo diocesano de Santo André. 



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Visitas pastorais missionárias

Do Diário do Grande ABC

14/11/2016 | 07:00


Caro leitor e leitora, neste texto gostaria de apresentar-lhes um trabalho desenvolvido na Diocese de Santo André neste ano de 2016. Tratou-se do fruto de um esforço de diversas áreas de nosso Grande ABC, de diversos credos e condições sociais, integrantes dos setores público e privado, mas, sobretudo, de integrantes de nossas comunidades católicas, leigos, padres, freiras e deste que escreve.

Refiro-me às visitas pastorais missionárias, um projeto de conhecimento da realidade local com todas suas alegrias e angústias. Julguei necessário, tendo ouvido a muitos, iniciar este processo junto à Igreja Católica no Grande ABC, sobretudo, por dois motivos: a Igreja é por sua natureza missionária, todos os católicos, por força de sua adesão à fé, são missionários de Deus onde quer que estejam. O segundo motivo foi porque havia chegado há poucos meses nesta já tão querida região. Precisava ouvir, dialogar e conhecer para bem desempenhar minha missão como bispo católico.

Dividimos a visita em oito fases, de acordo com nossa orientação de trabalho diocesano, as chamadas regiões pastorais. Cada uma das fases durou nove dias. Fomos eu, os padres das regiões e, em cada visita, uns 80 voluntários missionários, todos acompanhavam incansavelmente, nos dias intensos de chuva e sol, frio e calor. A cada dia era visitada a área de uma paróquia com todo seu território, suas comunidades, seus enfermos, suas casas, comércios, empresas e lugares relevantes para o conjunto da população. Destes lugares de interesse coletivo posso citar alguns como exemplo: hospitais, faculdades, escolas, estações de tratamento de água e esgoto, departamentos de Seguranças, Câmaras municipais, prefeituras, fóruns, imprensa, assistências sociais, sinagoga e outros tantos. Fomos muito bem recebido em todos locais e não posso deixar de agradecer aos que nos receberam. Nas noites, celebrava a missa nas comunidades e fazia um momento de diálogo com segmentos de nossa Igreja, refletindo sobre temas como a Palavra de Deus, a caridade, a liturgia, a pastoral e outros.

Nas casas convivi com muitos dramas, a falta de emprego e sua sucessiva pobreza, as enfermidades que impedem muitas pessoas de sair de suas casas, a solidão, o drama da drogadição e tantos outros conflitos familiares.

O povo em geral sofre. Sofre por não ter suficiente assistência médica, educacional, de segurança e por faltas da ordem pública. E, em algumas vezes, também lhes falta a assistência religiosa. Muitos que trabalham no setor público não conseguem desenvolver bem seu ofício por falta de estrutura. Precisamos unir forças, cada qual respeitando sua área de atuação; e, na medida do possível, abrindo-se à mútua colaboração. Juntos somos mais fortes. Essas visitas foram grande sinal disto.

O mesmo povo que sofre é também o que carrega a esperança, tem histórias lindas de superação e luta bravamente a cada dia. Creio que esta esperança nunca deve deixar de ser anunciada. Ouvi muitos testemunhos da beleza de se ter esperança. Há muitas pessoas trabalhando pelo bem do próximo, no silêncio, em obras assistenciais e de muitas outras formas. Nosso povo é forte e solidário, mais do que ele próprio acredita ser. A esperança forte para os cristãos tem um rosto, é uma palavra de esperança, é Jesus, Palavra do Pai.

Neste fim de semana encerramos o Ano Santo da Misericórdia no Grande ABC, a misericórdia refletida e vivida continuará a iluminar nossos passos. A cada missão nos tornamos mais experientes em ler os sinais de Deus no mundo de hoje. E o que Deus nos diz neste tempo através de seus sinais: ‘Coragem, entre as alegrias e sofrimentos podemos e devemos avançar!’

Dom Pedro Carlos Cipollini é bispo diocesano de Santo André. 

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