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Apesar de crescimento nas eleições deste ano, PCdoB não é visto como alternativa ao PT

Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Vitória Rocha
Especial para o Diário

14/11/2016 | 07:00


Mesmo sendo um dos partidos de esquerda que aumentaram sua representação em âmbito nacional, o PCdoB, para especialistas políticos, não é visto como uma alternativa à fragilidade política deixada pelo PT nesta eleição.

Há quatro anos o partido, que conquistou 56 cidades em todo território nacional, fechou as urnas no dia 30 com 81 prefeituras, uma delas a capital do Sergipe, Aracaju. Só no Estado do Maranhão, atualmente governado por Flávio Dino (PCdoB), a sigla conseguiu chegar a 46 ao comando de Executivos no primeiro turno.

“O PCdoB conseguiu ter uma estrutura política muito mais disciplinada do que o PT. Quando o PT chegou ao poder, grande parte de sua militância foi para o funcionalismo público. No caso do PCdoB, parece algo muito específico. Pode até significar (que estão pegando uma brecha do PT), mas muito pouco. Ainda é mais do mesmo. Os partidos que se colocam como novos, como a Rede e o Partido Novo, não têm nada de novo, por exemplo. Com essa rejeição que se tem à política institucional, esses movimentos sociais tendem a ser isolados”, avaliou o cientista político e professor da FGV (Fundação Getulio Vargas) Paulo Barsotti.

Um dos ícones de esquerda no País, o PT foi o maior derrotado nestas eleições, perdendo 384 prefeituras em relação a 2012. Além da Capital de São Paulo, derrotado no primeiro turno por João Doria (PSDB), o petismo registrou marca negativa também em seu berço político, o Grande ABC, sem conquistar nenhuma das sete prefeituras. Na região, aliás, o PCdoB não cresceu; elegeu apenas Gordo da Adega como vereador de São Bernardo.

Apesar do declínio do petismo no Brasil, o cientista político e escritor Rudá Ricci avalia que o crescimento do PCdoB é algo pontual. “Não há nenhum sinal concreto de substituição do PT. Na Bahia, Estado onde o PCdoB sempre elegeu muitos prefeitos, em 2016 elegeu menos prefeitos que na eleição anterior. Perdeu cidades importantes nesta eleição, como Contagem, cidade industrial da Região Metropolitana de Belo Horizonte. O partido que parece ter se projetado nacionalmente com maior vigor e que adota, de certa maneira, a lógica inicial do PT foi o Psol, a despeito de não ter conseguido eleger prefeitos. O Psol elegeu vereadores, em especial, mulheres, em muitas capitais, em diversos como campeãs de votos. Contudo, a força das esquerdas, neste momento, não está nos partidos ou no campo institucional. Está nos coletivos e mobilizações atuais e nas ocupações de escolas e universidades.”

Deputado federal e presidente estadual do PCdoB em São Paulo, Orlando Silva se mostrou confiante sobre o progresso da sigla nos próximos anos. “O PCdoB passou a disputar para valer eleições municipais a partir do ano 2000 e então continuamos crescendo. Considero um crescimento expressivo e o nosso desafio é fazer boas gestões. Eu não diria que há uma conexão direta entre a decadência do PT e o fortalecimento de um dos partidos de esquerda, até porque boa parte do eleitorado que não votou no PT em 2016 votou em partidos conservadores. Temos que refletir o porquê desse movimento, reconstruir as pontes da esquerda com a sociedade para o futuro.”



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Apesar de crescimento nas eleições deste ano, PCdoB não é visto como alternativa ao PT

Vitória Rocha
Especial para o Diário

14/11/2016 | 07:00


Mesmo sendo um dos partidos de esquerda que aumentaram sua representação em âmbito nacional, o PCdoB, para especialistas políticos, não é visto como uma alternativa à fragilidade política deixada pelo PT nesta eleição.

Há quatro anos o partido, que conquistou 56 cidades em todo território nacional, fechou as urnas no dia 30 com 81 prefeituras, uma delas a capital do Sergipe, Aracaju. Só no Estado do Maranhão, atualmente governado por Flávio Dino (PCdoB), a sigla conseguiu chegar a 46 ao comando de Executivos no primeiro turno.

“O PCdoB conseguiu ter uma estrutura política muito mais disciplinada do que o PT. Quando o PT chegou ao poder, grande parte de sua militância foi para o funcionalismo público. No caso do PCdoB, parece algo muito específico. Pode até significar (que estão pegando uma brecha do PT), mas muito pouco. Ainda é mais do mesmo. Os partidos que se colocam como novos, como a Rede e o Partido Novo, não têm nada de novo, por exemplo. Com essa rejeição que se tem à política institucional, esses movimentos sociais tendem a ser isolados”, avaliou o cientista político e professor da FGV (Fundação Getulio Vargas) Paulo Barsotti.

Um dos ícones de esquerda no País, o PT foi o maior derrotado nestas eleições, perdendo 384 prefeituras em relação a 2012. Além da Capital de São Paulo, derrotado no primeiro turno por João Doria (PSDB), o petismo registrou marca negativa também em seu berço político, o Grande ABC, sem conquistar nenhuma das sete prefeituras. Na região, aliás, o PCdoB não cresceu; elegeu apenas Gordo da Adega como vereador de São Bernardo.

Apesar do declínio do petismo no Brasil, o cientista político e escritor Rudá Ricci avalia que o crescimento do PCdoB é algo pontual. “Não há nenhum sinal concreto de substituição do PT. Na Bahia, Estado onde o PCdoB sempre elegeu muitos prefeitos, em 2016 elegeu menos prefeitos que na eleição anterior. Perdeu cidades importantes nesta eleição, como Contagem, cidade industrial da Região Metropolitana de Belo Horizonte. O partido que parece ter se projetado nacionalmente com maior vigor e que adota, de certa maneira, a lógica inicial do PT foi o Psol, a despeito de não ter conseguido eleger prefeitos. O Psol elegeu vereadores, em especial, mulheres, em muitas capitais, em diversos como campeãs de votos. Contudo, a força das esquerdas, neste momento, não está nos partidos ou no campo institucional. Está nos coletivos e mobilizações atuais e nas ocupações de escolas e universidades.”

Deputado federal e presidente estadual do PCdoB em São Paulo, Orlando Silva se mostrou confiante sobre o progresso da sigla nos próximos anos. “O PCdoB passou a disputar para valer eleições municipais a partir do ano 2000 e então continuamos crescendo. Considero um crescimento expressivo e o nosso desafio é fazer boas gestões. Eu não diria que há uma conexão direta entre a decadência do PT e o fortalecimento de um dos partidos de esquerda, até porque boa parte do eleitorado que não votou no PT em 2016 votou em partidos conservadores. Temos que refletir o porquê desse movimento, reconstruir as pontes da esquerda com a sociedade para o futuro.”

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