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No Dia de Finados, um pedido a Orlando Morando


Ademir Medici

02/11/2016 | 07:00


 “No meio das discordâncias da vida, há um momento em que a natureza humana se torna ideal: é quando ela se aparta das suas paixões ardentes e vai, como hoje, através dos túmulos, alimentar a ilusão de um diálogo com as criaturas que viu declinar e tombar nas sombras da morte.”

Cf. O Estado de S. Paulo, Dia de Finados, 1916.

 

“Foi uma visita diferente, realizada ao mais antigo dos cemitérios em atividade do Grande ABC, o de Vila Euclides, em São Bernardo, criado na segunda metade do século passado (19) e que, no começo de sua história, era o único disponível para o sepultamento dos nossos mortos.”

Cf. Diário, Memória, 28-11-1999.

 

Zóio que tanto vê...

Na primeira metade do século 19, o sepultamento de defuntos nas igrejas e nos cemitérios anexos era feito por escravos. O historiador Antonio Egydio Martins (autor do livro São Paulo Antigo, 1554-1910) conta que os coveiros atiravam a terra sobre o cadáver com pesada mão de pilão, ao ritmo de uma melodia.

“Zoio que tanto vê; zi boca que tanto fala...”

Quase todas as irmandades só possuíam um caixão para defunto. O morto era sepultado envolto na mortalha e o caixão, vazio, voltava a ocupar seu posto na sacristia.

Provavelmente era assim também no Grande ABC. Lembramos de vários cemitérios – hoje desativados – que ficavam junto a igrejas: na Matriz da Boa Viagem, na antiga igreja jesuítica de Diadema, na Capela do Pilar Velho – este removido nos anos 1970.

Resiste, hoje, um cemitério anexo à igreja, o Bom Jesus, de Paranapiacaba, de raros, mas ainda presentes sepultamentos.

 

CEMITÉRIOS PÚBLICOS

Historiador Antonio Egydio Martins enumera ordens de Portugal para a construção de cemitérios separados. A primeira recomendação data de 1798, endereçada ao bispo de São Paulo. Outra ordem, agora direta para a construção de cemitérios públicos, é de 1801.

Apenas em 1855 a Câmara paulistana delibera mandar edificar um cemitério na Capital. No ano seguinte começa a ser construído o Cemitério Público da Consolação, que foi inaugurado em 1858, por força da epidemia de varíola – ou bexiga.

É por esta época que a então Freguesia de São Bernardo constrói o que foi chamado de Cemitério dos Bexiguentos, no Caminho do Pilar, no ponto em que está a Casa da Esperança, na Vila Assunção.

Como cemitério público, chamado Municipal, São Bernardo, sede, inaugura o seu em 1892. O Cemitério de Vila Euclides é hoje um verdadeiro cemitério-museu, motivo desta solicitação ao prefeito Orlando Morando.

 

UM CEMITÉRIO-MUSEU

Riquíssimo é o Cemitério de Vila Euclides, que possui em anexo o Cemitério das Irmandades.

No século 19 e início do século 20, o cemitério-museu era regional. Recebeu corpos de Santo André, São Caetano, do hoje Diadema. Técnicos que construíram a Represa Billings estão sepultados em Vila Euclides.

O Cemitério de Vila Euclides é um dos raros espaços a manter um jazigo em lembrança aos mortos da Revolução Paulista de 1924. Prefeitos estão sepultados no Vila Euclides, de Armando Mazzo (comunista) a Lauro Gomes (liberal).

Maria Myrths Setti Braga está sepultada na entrada do Cemitério de Vila Euclides. A dama Dona Myrths. Há 17 anos ela conduziu uma comissão de moradores e estudiosos ao Vila Euclides. Uma aula a céu aberto, no esforço derradeiro para que o cemitério fosse considerado patrimônio histórico, com o tombamento de vários e vários jazigos. O desejo de Dona Myrths tornou-se lei via projeto do então vereador Edinho Montemor.

Memória, já à época, deu total apoio à iniciativa, publicando e denunciando a descaracterização crescente do nosso mais antigo cemitério.

Ultimamente, e sistematicamente, o Cemitério de Vila Euclides foi invadido e furtado. Qual família não teve a sua propriedade ali dilapidada?

 

LÁ VAI O PEDIDO

O ano de 2016 será o primeiro sem a querida dona Myrths. É o ano da eleição de Orlando Morando. Quantos e quantos pedidos tem o novo e jovem prefeito recebido!

Fazemos mais um, neste dia de reflexão e olhar aos nossos entes que partiram: prefeito Morando, oficialize o Vila Euclides como cemitério-museu.

O Cemitério de Vila Euclides é o espaço mais democrático da nossa história. Reúne subsídios fundamentais para o entendimento da formação e transformação não só da sua cidade, prefeito Morando, como de todo o Grande ABC.

O que fazer? É muito simples – e a custo zero: é preciso simplesmente zelar para que este cemitério-museu seja preservado, mais bem mantido, com segurança. São-bernardenses de hoje e de ontem, de pelo menos dez gerações, agradecem.

 

Em 2 de novembro de...
1916 – Paschoal Ferretti vence a segunda prova de ciclismo do campeonato interno do Brasil EC. Os ciclistas partiram da Rua da Mooca, na Capital. Cortaram o bairro Rudge Ramos e o Centro de São Bernardo até Rio Grande, hoje Riacho Grande. Retornaram do bar-restaurante de João Cavinato, o João da Ponte. O vencedor cumpriu a prova de ida e volta em duas horas e dois segundos; o segundo colocado, Antonio Rufino, chegou com a diferença de uma roda.

Nota – O bar do João da Ponte ficava às margens do Rio Grande, hoje represado como parte básica da Represa Billings.

A guerra. Do noticiário do Estadão: a ocupação do Palácio Veneza pela Itália.

 

Diário há 30 anos
Domingo, 2 de novembro de 1986 – ano 29, edição 6280

Manchete – Renda familiar aumenta 24% no ABC

Mauá – Festa política na inauguração do Hospital Nardini. Presenças do governador Franco Montoro e do vice-governador Orestes Quercia. E o hospital está inacabado: só o pronto-socorro funciona.

 

Santos do Dia
Tobias

Pápias

Tomás de Walen

 



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No Dia de Finados, um pedido a Orlando Morando

Ademir Medici

02/11/2016 | 07:00


 “No meio das discordâncias da vida, há um momento em que a natureza humana se torna ideal: é quando ela se aparta das suas paixões ardentes e vai, como hoje, através dos túmulos, alimentar a ilusão de um diálogo com as criaturas que viu declinar e tombar nas sombras da morte.”

Cf. O Estado de S. Paulo, Dia de Finados, 1916.

 

“Foi uma visita diferente, realizada ao mais antigo dos cemitérios em atividade do Grande ABC, o de Vila Euclides, em São Bernardo, criado na segunda metade do século passado (19) e que, no começo de sua história, era o único disponível para o sepultamento dos nossos mortos.”

Cf. Diário, Memória, 28-11-1999.

 

Zóio que tanto vê...

Na primeira metade do século 19, o sepultamento de defuntos nas igrejas e nos cemitérios anexos era feito por escravos. O historiador Antonio Egydio Martins (autor do livro São Paulo Antigo, 1554-1910) conta que os coveiros atiravam a terra sobre o cadáver com pesada mão de pilão, ao ritmo de uma melodia.

“Zoio que tanto vê; zi boca que tanto fala...”

Quase todas as irmandades só possuíam um caixão para defunto. O morto era sepultado envolto na mortalha e o caixão, vazio, voltava a ocupar seu posto na sacristia.

Provavelmente era assim também no Grande ABC. Lembramos de vários cemitérios – hoje desativados – que ficavam junto a igrejas: na Matriz da Boa Viagem, na antiga igreja jesuítica de Diadema, na Capela do Pilar Velho – este removido nos anos 1970.

Resiste, hoje, um cemitério anexo à igreja, o Bom Jesus, de Paranapiacaba, de raros, mas ainda presentes sepultamentos.

 

CEMITÉRIOS PÚBLICOS

Historiador Antonio Egydio Martins enumera ordens de Portugal para a construção de cemitérios separados. A primeira recomendação data de 1798, endereçada ao bispo de São Paulo. Outra ordem, agora direta para a construção de cemitérios públicos, é de 1801.

Apenas em 1855 a Câmara paulistana delibera mandar edificar um cemitério na Capital. No ano seguinte começa a ser construído o Cemitério Público da Consolação, que foi inaugurado em 1858, por força da epidemia de varíola – ou bexiga.

É por esta época que a então Freguesia de São Bernardo constrói o que foi chamado de Cemitério dos Bexiguentos, no Caminho do Pilar, no ponto em que está a Casa da Esperança, na Vila Assunção.

Como cemitério público, chamado Municipal, São Bernardo, sede, inaugura o seu em 1892. O Cemitério de Vila Euclides é hoje um verdadeiro cemitério-museu, motivo desta solicitação ao prefeito Orlando Morando.

 

UM CEMITÉRIO-MUSEU

Riquíssimo é o Cemitério de Vila Euclides, que possui em anexo o Cemitério das Irmandades.

No século 19 e início do século 20, o cemitério-museu era regional. Recebeu corpos de Santo André, São Caetano, do hoje Diadema. Técnicos que construíram a Represa Billings estão sepultados em Vila Euclides.

O Cemitério de Vila Euclides é um dos raros espaços a manter um jazigo em lembrança aos mortos da Revolução Paulista de 1924. Prefeitos estão sepultados no Vila Euclides, de Armando Mazzo (comunista) a Lauro Gomes (liberal).

Maria Myrths Setti Braga está sepultada na entrada do Cemitério de Vila Euclides. A dama Dona Myrths. Há 17 anos ela conduziu uma comissão de moradores e estudiosos ao Vila Euclides. Uma aula a céu aberto, no esforço derradeiro para que o cemitério fosse considerado patrimônio histórico, com o tombamento de vários e vários jazigos. O desejo de Dona Myrths tornou-se lei via projeto do então vereador Edinho Montemor.

Memória, já à época, deu total apoio à iniciativa, publicando e denunciando a descaracterização crescente do nosso mais antigo cemitério.

Ultimamente, e sistematicamente, o Cemitério de Vila Euclides foi invadido e furtado. Qual família não teve a sua propriedade ali dilapidada?

 

LÁ VAI O PEDIDO

O ano de 2016 será o primeiro sem a querida dona Myrths. É o ano da eleição de Orlando Morando. Quantos e quantos pedidos tem o novo e jovem prefeito recebido!

Fazemos mais um, neste dia de reflexão e olhar aos nossos entes que partiram: prefeito Morando, oficialize o Vila Euclides como cemitério-museu.

O Cemitério de Vila Euclides é o espaço mais democrático da nossa história. Reúne subsídios fundamentais para o entendimento da formação e transformação não só da sua cidade, prefeito Morando, como de todo o Grande ABC.

O que fazer? É muito simples – e a custo zero: é preciso simplesmente zelar para que este cemitério-museu seja preservado, mais bem mantido, com segurança. São-bernardenses de hoje e de ontem, de pelo menos dez gerações, agradecem.

 

Em 2 de novembro de...
1916 – Paschoal Ferretti vence a segunda prova de ciclismo do campeonato interno do Brasil EC. Os ciclistas partiram da Rua da Mooca, na Capital. Cortaram o bairro Rudge Ramos e o Centro de São Bernardo até Rio Grande, hoje Riacho Grande. Retornaram do bar-restaurante de João Cavinato, o João da Ponte. O vencedor cumpriu a prova de ida e volta em duas horas e dois segundos; o segundo colocado, Antonio Rufino, chegou com a diferença de uma roda.

Nota – O bar do João da Ponte ficava às margens do Rio Grande, hoje represado como parte básica da Represa Billings.

A guerra. Do noticiário do Estadão: a ocupação do Palácio Veneza pela Itália.

 

Diário há 30 anos
Domingo, 2 de novembro de 1986 – ano 29, edição 6280

Manchete – Renda familiar aumenta 24% no ABC

Mauá – Festa política na inauguração do Hospital Nardini. Presenças do governador Franco Montoro e do vice-governador Orestes Quercia. E o hospital está inacabado: só o pronto-socorro funciona.

 

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