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Especialistas veem erros e dificuldade de volta do PT

Agência PT/Divulgação  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Para cientistas políticos, sigla se afastou de movimentos populares nos governos Lula e Dilma


Vitória Rocha
Especial para o Diário

02/11/2016 | 07:00


Em forte crise institucional, o PT, pela primeira vez, ficará sem comandar prefeituras no Grande ABC – seu berço político –, além de ter perdido centenas de administrações pelo País. Para cientistas políticos, a sigla cometeu erros graves na gestão do partido, mesmo nos governos dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Dilma Rousseff (PT), e agora tem poucas possibilidades de recuperar credibilidade e força político a curto prazo.

Neste pleito, a legenda ganhou em 254 municípios do País, sem nenhuma vitória no segundo turno – 384 prefeituras a menos do que há quatro anos. No Grande ABC, o partido comanda três das sete cidades, mas não haverá representantes nos Executivos a partir de 2017.

Para o cientista político e escritor Rudá Ricci, Dilma e Lula cometeram muitos erros em seus 13 anos de governo, como a desarticulação de entidades que dialogavam diretamente com a população, e se afastaram dos movimentos sociais de base. “No meio sindical, ocorreu o mesmo fenômeno. Dirigentes sindicais passaram a fazer parte dos conselhos de empresas estatais, recebendo jetons significativos (gratificação pela participação em reuniões de governos). O fato é que se gerou uma ‘aristocracia sindical’ que também afastou os dirigentes de suas bases, inclusive no estilo de vida. E com a nacionalização das políticas sociais e de infraestrutura em função da queda de recursos de investimentos nas prefeituras, deputados federais passaram a ser os príncipes da nossa República, já que eles carregavam os recursos federais para os municípios. Essa dinâmica apartou, cada vez mais, toda representação social das suas bases sociais de origem”, avaliou.

Segundo estudioso, em vez de fazer política como Lula havia proposto quando era metalúrgico e sindicalista, o PT se rendeu à forma como o País sempre foi conduzido politicamente. “Os partidos começaram a se aproximar no formato e na lógica política e o PT foi tragado por ela. Se tornou o que na literatura especializada se denomina de ‘partido cartel’, ou seja, um partido que depende totalmente do Estado para financiar seus quadros e alimentar sua base eleitoral. O que diminui sua relação com as bases territoriais e aumenta a relação dos parlamentares e ministros com prefeitos, mas não com eleitores.”

Cientista político e professor da FGV (Fundação Getulio Vargas), Paulo Barsotti corroborou do pensamento de Ricci. “O PT já vem num processo de decadência desde o Mensalão. É um sangramento contínuo, atingindo ainda suas maiores lideranças. O partido não se renovou, não teve a preocupação em formar novos quadros. Hoje são raros os quadros bons, a maior é formada por homens com mais de 50 anos – você não vê lideranças de 30 anos, por exemplo. O PT não vai morrer do dia para noite, mas não sei se voltará a ter a expressividade política que tinha no passado”, avaliou.
 



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Especialistas veem erros e dificuldade de volta do PT

Para cientistas políticos, sigla se afastou de movimentos populares nos governos Lula e Dilma

Vitória Rocha
Especial para o Diário

02/11/2016 | 07:00


Em forte crise institucional, o PT, pela primeira vez, ficará sem comandar prefeituras no Grande ABC – seu berço político –, além de ter perdido centenas de administrações pelo País. Para cientistas políticos, a sigla cometeu erros graves na gestão do partido, mesmo nos governos dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Dilma Rousseff (PT), e agora tem poucas possibilidades de recuperar credibilidade e força político a curto prazo.

Neste pleito, a legenda ganhou em 254 municípios do País, sem nenhuma vitória no segundo turno – 384 prefeituras a menos do que há quatro anos. No Grande ABC, o partido comanda três das sete cidades, mas não haverá representantes nos Executivos a partir de 2017.

Para o cientista político e escritor Rudá Ricci, Dilma e Lula cometeram muitos erros em seus 13 anos de governo, como a desarticulação de entidades que dialogavam diretamente com a população, e se afastaram dos movimentos sociais de base. “No meio sindical, ocorreu o mesmo fenômeno. Dirigentes sindicais passaram a fazer parte dos conselhos de empresas estatais, recebendo jetons significativos (gratificação pela participação em reuniões de governos). O fato é que se gerou uma ‘aristocracia sindical’ que também afastou os dirigentes de suas bases, inclusive no estilo de vida. E com a nacionalização das políticas sociais e de infraestrutura em função da queda de recursos de investimentos nas prefeituras, deputados federais passaram a ser os príncipes da nossa República, já que eles carregavam os recursos federais para os municípios. Essa dinâmica apartou, cada vez mais, toda representação social das suas bases sociais de origem”, avaliou.

Segundo estudioso, em vez de fazer política como Lula havia proposto quando era metalúrgico e sindicalista, o PT se rendeu à forma como o País sempre foi conduzido politicamente. “Os partidos começaram a se aproximar no formato e na lógica política e o PT foi tragado por ela. Se tornou o que na literatura especializada se denomina de ‘partido cartel’, ou seja, um partido que depende totalmente do Estado para financiar seus quadros e alimentar sua base eleitoral. O que diminui sua relação com as bases territoriais e aumenta a relação dos parlamentares e ministros com prefeitos, mas não com eleitores.”

Cientista político e professor da FGV (Fundação Getulio Vargas), Paulo Barsotti corroborou do pensamento de Ricci. “O PT já vem num processo de decadência desde o Mensalão. É um sangramento contínuo, atingindo ainda suas maiores lideranças. O partido não se renovou, não teve a preocupação em formar novos quadros. Hoje são raros os quadros bons, a maior é formada por homens com mais de 50 anos – você não vê lideranças de 30 anos, por exemplo. O PT não vai morrer do dia para noite, mas não sei se voltará a ter a expressividade política que tinha no passado”, avaliou.
 

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