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Vila Conde é lar de pai e filho jogadores de futebol

Ari Paleta/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Luciano Herculano da Silva, 36 anos, e Gabriel Henrique da Silva, 15, jogam no Guerreiros da Vila, campeão da várzea


Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

01/08/2015 | 07:00


A Vila Conde, em Rio Grande da Serra, é lugar de tranquilidade, onde é possível encontrar casas antigas em meio à natureza. O bairro pacato tem do que se orgulhar quando se trata de futebol: o time de várzea local, o Guerreiros da Vila, tem 11 anos e atualmente é o tricampeão da liga da cidade.

Na seleção principal jogam pai e filho, moradores do bairro. O operador Luciano Herculano da Silva, 36 anos, é o volante, enquanto seu filho Gabriel Henrique da Silva, 15, desempenha a função de meia-esquerda.

Luciano começou a jogar com a idade do filho e já foi profissional, passando por clubes como Paraná e São Caetano. Segundo ele, o sonho era de seu pai, que o incentivou. “Ele era corintiano roxo e queria mesmo era que eu jogasse no Corinthians. Ele me levava para várias peneiras em times grandes, mas sempre foi um meio muito difícil”, disse.

A primeira desilusão de Luciano com o futebol aconteceu quando entrou para a categoria de base no Paraná, em 1998. Teve de morar no Estado para jogar no clube, sendo que os treinos e o regimento dos jogadores eram exaustivos. Foi nesse período em que sua mãe ficou doente. “Lembro que, assim que soube, queria vir visitá-la e não me liberavam. Um dia depois peguei o ônibus e vim, então, fui dispensado”, lembrou.

Quando voltou para o Grande ABC, ele fez um teste no São Caetano e passou. Chegou a jogar no time principal, onde permaneceu por pouco mais de um ano. Saiu antes do time alcançar uma de suas maiores glórias, quando foi campeão da Série A do Campeonato Brasileiro, em 2004.

Foi nessa mesma época que ele descobriu que ia ser pai de Gabriel. A partir daí, com o peso da responsabilidade, Luciano desistiu definitivamente da carreira de jogador profissional. “Cheguei a ter uma última oportunidade, quando fui chamado para jogar no Suzano. Porém, eles só podiam me oferecer uma ajuda de custo e, quando você tem que manter uma família, a importância do salário acaba pesando muito. Hoje sou feliz jogando nas horas vagas. O meu sonho está morto, já passou.”

Enquanto Gabriel ia crescendo, já era perceptível o talento com a bola. Hoje, com 15 anos, ele sempre é elogiado durante os jogos, mas guarda certas reservas em relação à carreira. “Concordo com o que o meu pai diz, que é um meio muito difícil. Gosto muito de jogar bola, mas ainda não tenho certeza se quero fazer isso profissionalmente. Sou muito novo, tenho que pensar bastante”, afirmou.

O adolescente, que é tímido, garante que atuar ao lado do pai é especial. “Como ele já sabe jogar bem, é mais fácil. A gente se comunica bastante”, contou.

O pai, por sua vez, é só elogios. Porém, ainda tem ressalvas sobre o menino se tornar jogador profissional. “Tecnicamente, ele é muito bom, mas hoje é mais difícil ainda porque tem muito jogador que está no time por motivos financeiros, o talento não prevalece. Eu, como pai, torço para que ele se de bem, independentemente de ser no futebol ou não.”

Moradora pinta quadros históricos

A história de Rio Grande da Serra pode ser vista nos quadros de Joana Acácio Bento Rabelo, 52 anos. A artista plástica mora na cidade desde que tinha 8 anos e consegue declarar o seu amor pelo município nas telas.

A vocação para a pintura veio cedo. Ela sempre gostou de artesanato e aprendeu a pintar panos de pratos e toalhas, além de bordar. “Quando tinha uns 20 anos, comecei a ter aulas na casa das Irmãs de Cristo Rei, uma entidade beneficente. Lembro que tínhamos que sempre levar um pedacinho de pano para pintar e eu cortava vários para ter os retalhos”, disse.

Depois do casamento e mais tarde a viuvez, ela entrou em uma escola de pintura em Ribeirão Pires. Pouco a pouco começou a pintar telas, que inicialmente eram riscadas pela professora.

Um dia, quando uma colega fez um comentário sobre o município, ela decidiu mudar o rumo da sua arte. Anteriormente pintava flores, paisagens e naturezas mortas. “Ela disse que a nossa cidade não tinha história e era feia. Discordei na hora, isso era impossível, e disse que Rio Grande tinha uma história muito bonita. Foi quando comecei a procurar em acervos de jornais e da própria cidade como eram os locais antigamente”, contou.

Hoje, Jô, como é conhecida, já pintou 38 quadros que contam a história de Rio Grande da Serra. A maioria deles foi doada para a Prefeitura, onde estão expostos. Ela também participa de todos os festivais do Cambuci, retratando a fruta típica de Rio Grande.

“Foi por meio de todo esse trabalho, que começou só comigo, que vi como a nossa história é realmente bonita. Hoje tenho apoio da historiadora da Prefeitura, que me ajuda com muitas coisas, e a cada pintura acabo descobrindo algo novo”, disse.

Como a maioria das obras são reproduções das fotos dos jornais em preto e branco, as cores são escolhidas por Jô. Ela sempre tem muito cuidado nesse processo e pesquisa bastante antes de fazer isso.

Entre as pinturas estão reproduções da Capela de São Sebastião, que antigamente abrigava cemitério. “O primeiro corpo enterrado lá foi de um tropeiro. Por causa disso acabou se tornando o primeiro cemitério da cidade”, conta Jô.

A Lagoa Santo Conde, que ficava em frente à casa de Jô, hoje é só esgoto. Nas telas, no entanto, ainda é possível ver a beleza do lugar que já foi utilizado pela população para nadar e pescar.

Também há reproduções da Pedreira em 1939, da estação de trem na década de 1940 e a reprodução de uma das construções mais antigas, o Casarão Castelucci, em 1914.

Chef nas horas vagas tem lan house

A lan house da Vila Conde é ponto de encontro para as crianças que gostam de jogar games on-line. O proprietário é Leopoldo Massaki Sanada, 41 anos, que, além de gostar de mexer com tecnologia, também é cozinheiro nas horas vagas.

Nascido em Santo Amaro, ele veio há 20 anos para Rio Grande. Na Vila Conde, viu uma oportunidade de ter um lugar tranquilo para morar e, além disso, montar um novo negócio. “Criei a lan house há 11 anos, na época em que havia uma a cada esquina, mas aqui não tinha. Hoje a maioria está fechando, por isso a gente teve que se reinventar. Ninguém mais sobrevive só vendendo as horas no computador”, afirmou.

Por isso, o local oferece serviços para tirar documentos, como atestado de antecedentes criminais, declaração de imposto de renda e até plastificação. Tudo isso com a ajuda de sua mulher.

Porém, foi com o seu talento nas horas vagas que Sanada acabou ficando conhecido em todo o País. Ele foi selecionado entre 10 mil inscritos para participar da segunda temporada do programa Masterchef, da Band. “Sempre cozinhei nas horas vagas e é algo que gosto muito de fazer, principalmente na culinária japonesa. Resolvi me arriscar. São duas etapas em que você faz um prato sendo filmado e só depois, se for selecionado, pode cozinhar para os chefs”, explicou.

Ele chegou a aparecer no primeiro e segundo episódios da temporada, porém, não foi selecionado para seguir no programa. Para impressionar os jurados, fez um prato típico brasileiro: bucho com carne seca, linguiça, azeitona e cuscuz.

Mesmo com a curta participação, ele pensa em seguir com o hobby. Atualmente, mantém o blog Leopoldo Comer ou Fazer (https://leopoldocomeroufazer.wordpress.com), onde reúne receitas de seus pratos. “Gosto de comer, então também gosto de cozinhar. Lá dou dicas sobre tudo o que cozinho.” 



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Vila Conde é lar de pai e filho jogadores de futebol

Luciano Herculano da Silva, 36 anos, e Gabriel Henrique da Silva, 15, jogam no Guerreiros da Vila, campeão da várzea

Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

01/08/2015 | 07:00


A Vila Conde, em Rio Grande da Serra, é lugar de tranquilidade, onde é possível encontrar casas antigas em meio à natureza. O bairro pacato tem do que se orgulhar quando se trata de futebol: o time de várzea local, o Guerreiros da Vila, tem 11 anos e atualmente é o tricampeão da liga da cidade.

Na seleção principal jogam pai e filho, moradores do bairro. O operador Luciano Herculano da Silva, 36 anos, é o volante, enquanto seu filho Gabriel Henrique da Silva, 15, desempenha a função de meia-esquerda.

Luciano começou a jogar com a idade do filho e já foi profissional, passando por clubes como Paraná e São Caetano. Segundo ele, o sonho era de seu pai, que o incentivou. “Ele era corintiano roxo e queria mesmo era que eu jogasse no Corinthians. Ele me levava para várias peneiras em times grandes, mas sempre foi um meio muito difícil”, disse.

A primeira desilusão de Luciano com o futebol aconteceu quando entrou para a categoria de base no Paraná, em 1998. Teve de morar no Estado para jogar no clube, sendo que os treinos e o regimento dos jogadores eram exaustivos. Foi nesse período em que sua mãe ficou doente. “Lembro que, assim que soube, queria vir visitá-la e não me liberavam. Um dia depois peguei o ônibus e vim, então, fui dispensado”, lembrou.

Quando voltou para o Grande ABC, ele fez um teste no São Caetano e passou. Chegou a jogar no time principal, onde permaneceu por pouco mais de um ano. Saiu antes do time alcançar uma de suas maiores glórias, quando foi campeão da Série A do Campeonato Brasileiro, em 2004.

Foi nessa mesma época que ele descobriu que ia ser pai de Gabriel. A partir daí, com o peso da responsabilidade, Luciano desistiu definitivamente da carreira de jogador profissional. “Cheguei a ter uma última oportunidade, quando fui chamado para jogar no Suzano. Porém, eles só podiam me oferecer uma ajuda de custo e, quando você tem que manter uma família, a importância do salário acaba pesando muito. Hoje sou feliz jogando nas horas vagas. O meu sonho está morto, já passou.”

Enquanto Gabriel ia crescendo, já era perceptível o talento com a bola. Hoje, com 15 anos, ele sempre é elogiado durante os jogos, mas guarda certas reservas em relação à carreira. “Concordo com o que o meu pai diz, que é um meio muito difícil. Gosto muito de jogar bola, mas ainda não tenho certeza se quero fazer isso profissionalmente. Sou muito novo, tenho que pensar bastante”, afirmou.

O adolescente, que é tímido, garante que atuar ao lado do pai é especial. “Como ele já sabe jogar bem, é mais fácil. A gente se comunica bastante”, contou.

O pai, por sua vez, é só elogios. Porém, ainda tem ressalvas sobre o menino se tornar jogador profissional. “Tecnicamente, ele é muito bom, mas hoje é mais difícil ainda porque tem muito jogador que está no time por motivos financeiros, o talento não prevalece. Eu, como pai, torço para que ele se de bem, independentemente de ser no futebol ou não.”

Moradora pinta quadros históricos

A história de Rio Grande da Serra pode ser vista nos quadros de Joana Acácio Bento Rabelo, 52 anos. A artista plástica mora na cidade desde que tinha 8 anos e consegue declarar o seu amor pelo município nas telas.

A vocação para a pintura veio cedo. Ela sempre gostou de artesanato e aprendeu a pintar panos de pratos e toalhas, além de bordar. “Quando tinha uns 20 anos, comecei a ter aulas na casa das Irmãs de Cristo Rei, uma entidade beneficente. Lembro que tínhamos que sempre levar um pedacinho de pano para pintar e eu cortava vários para ter os retalhos”, disse.

Depois do casamento e mais tarde a viuvez, ela entrou em uma escola de pintura em Ribeirão Pires. Pouco a pouco começou a pintar telas, que inicialmente eram riscadas pela professora.

Um dia, quando uma colega fez um comentário sobre o município, ela decidiu mudar o rumo da sua arte. Anteriormente pintava flores, paisagens e naturezas mortas. “Ela disse que a nossa cidade não tinha história e era feia. Discordei na hora, isso era impossível, e disse que Rio Grande tinha uma história muito bonita. Foi quando comecei a procurar em acervos de jornais e da própria cidade como eram os locais antigamente”, contou.

Hoje, Jô, como é conhecida, já pintou 38 quadros que contam a história de Rio Grande da Serra. A maioria deles foi doada para a Prefeitura, onde estão expostos. Ela também participa de todos os festivais do Cambuci, retratando a fruta típica de Rio Grande.

“Foi por meio de todo esse trabalho, que começou só comigo, que vi como a nossa história é realmente bonita. Hoje tenho apoio da historiadora da Prefeitura, que me ajuda com muitas coisas, e a cada pintura acabo descobrindo algo novo”, disse.

Como a maioria das obras são reproduções das fotos dos jornais em preto e branco, as cores são escolhidas por Jô. Ela sempre tem muito cuidado nesse processo e pesquisa bastante antes de fazer isso.

Entre as pinturas estão reproduções da Capela de São Sebastião, que antigamente abrigava cemitério. “O primeiro corpo enterrado lá foi de um tropeiro. Por causa disso acabou se tornando o primeiro cemitério da cidade”, conta Jô.

A Lagoa Santo Conde, que ficava em frente à casa de Jô, hoje é só esgoto. Nas telas, no entanto, ainda é possível ver a beleza do lugar que já foi utilizado pela população para nadar e pescar.

Também há reproduções da Pedreira em 1939, da estação de trem na década de 1940 e a reprodução de uma das construções mais antigas, o Casarão Castelucci, em 1914.

Chef nas horas vagas tem lan house

A lan house da Vila Conde é ponto de encontro para as crianças que gostam de jogar games on-line. O proprietário é Leopoldo Massaki Sanada, 41 anos, que, além de gostar de mexer com tecnologia, também é cozinheiro nas horas vagas.

Nascido em Santo Amaro, ele veio há 20 anos para Rio Grande. Na Vila Conde, viu uma oportunidade de ter um lugar tranquilo para morar e, além disso, montar um novo negócio. “Criei a lan house há 11 anos, na época em que havia uma a cada esquina, mas aqui não tinha. Hoje a maioria está fechando, por isso a gente teve que se reinventar. Ninguém mais sobrevive só vendendo as horas no computador”, afirmou.

Por isso, o local oferece serviços para tirar documentos, como atestado de antecedentes criminais, declaração de imposto de renda e até plastificação. Tudo isso com a ajuda de sua mulher.

Porém, foi com o seu talento nas horas vagas que Sanada acabou ficando conhecido em todo o País. Ele foi selecionado entre 10 mil inscritos para participar da segunda temporada do programa Masterchef, da Band. “Sempre cozinhei nas horas vagas e é algo que gosto muito de fazer, principalmente na culinária japonesa. Resolvi me arriscar. São duas etapas em que você faz um prato sendo filmado e só depois, se for selecionado, pode cozinhar para os chefs”, explicou.

Ele chegou a aparecer no primeiro e segundo episódios da temporada, porém, não foi selecionado para seguir no programa. Para impressionar os jurados, fez um prato típico brasileiro: bucho com carne seca, linguiça, azeitona e cuscuz.

Mesmo com a curta participação, ele pensa em seguir com o hobby. Atualmente, mantém o blog Leopoldo Comer ou Fazer (https://leopoldocomeroufazer.wordpress.com), onde reúne receitas de seus pratos. “Gosto de comer, então também gosto de cozinhar. Lá dou dicas sobre tudo o que cozinho.” 

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