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Um sonho de juventude


Ângela Corrêa
Do Diário do Grande ABC

09/11/2010 | 07:00


Milton Nascimento foi um dos responsáveis por colocar a cidade mineira de Três Pontas no mapa musical. Impressionado com o fato de o local onde passou infância e juventude ter merecido citação no livro 'The Brazilian Sound - Samba, Bossa Nova and the Popular Music of Brazil' (O Som Brasileiro - Samba, Bossa Nova e a Musica Popular do Brasil), de Chris McGowan e Ricardo Pessanha, o compositor resolveu que continuaria a ajudar a produção local. O resultado é o álbum '...E a Gente Sonhando' (EMI Music, R$ 35, em média), que acaba de ser lançado.

"Três Pontas é a única cidade que não é capital que foi colocada no livro. O negócio tomou pé mesmo depois que eu e o Wagner Tiso ‘saímos'. Acho que está mais efervescente do que antes. É impressionante. Vejo lá que eles têm um negócio na voz que lembra muito a gente. E tocam, e compõem e fazem arranjos...", admira-se.'Bituca', como é conhecido, partiu do Rio, onde mora, para cooptar pelo cerca de 20 jovens músicos trespontanos. Alguns já havia conhecido anteriormente, quando ainda eram adolescentes. Por isso foi difícil reuni-los: muitos saíram de lá para estudar fora.

Com Tiso e Marco Elízeo, outro trespontano, Milton decidiu criar coletivamente - os meninos, entre os quais alguns da família Tiso, também tinham voz ativa. "Mas ninguém deu trabalho, não. Nem eles, nem eu. Fomos todos profissionais", brinca Nascimento. O cantor deixou o Rio, onde mora, e se instalou na cidade mineira com um técnico de som. A maioria da molecada nunca havia entrado em estúdio e essa convivência foi importante para o compositor, como explica com seu sotaque interiorano. "Alimenta 'a gente'. 'A gente' passa muita coisa para eles e eles passam muita coisa 'pra gente'", simplifica. 

O repertório foi surgindo aos poucos. Canções dos iniciantes nortearam as primeiras escolhas - Nascimento gravou músicas de Heitor Branquinho, Clayton Prosperi, Haroldo Jr., Ismael Tiso Jr. e Miller Rabello de Britto. De sua parceria com Fernando Brant, escolheu rever 'Me Faz Bem', que ficou conhecida na voz de Gal Costa, 'Espelho de Nós', interpretada por Simone, e 'O Ateneu', trilha da montagem teatral que adaptou obra de Raul Pompéia.

Outras músicas suas são 'Amor do Céu, Amor do Mar', que homenageia a amiga Elis Regina, escrita a quatro mãos com o conterrâneo Flavio Henrique; 'Gota de Primavera', com Pedrinho do Cavaco, e Sorriso', que escreveu sozinho inspirado em um garoto desconhecido que ostentava uma bela risada.

Dessa seção do disco, porém, o mais interessante é o resgate de '...E A Gente Sonhando', segunda música que o cantor compôs, pouco antes de completar 20 anos. A canção que batiza o álbum foi gravada em dueto com Bruno Cabral, de apenas 19 anos. Cheia de emoção, a versão é a perfeita síntese do espírito do álbum, que chegou a ser comparado com a fase 'Clube da Esquina' (1972).

Ele também não se intimidou em regravar canções que ficaram famosas na voz de outros intérpretes, caso de 'Adivinha o quê?', de Lulu Santos, e 'Resposta ao Tempo', gravada por Nana Caymmi. Mas é 'O Sol' de Julinho Nastácia, gravada pelo Jota Quest, que também exprime o momento do compositor. "A música é a minha cara. Não me importo se já foi gravada ou não. Não me intimido com isso", desconversa.

Nascimento sabe da importância de sua passagem na vida dos meninos trespontanos. E, embora não fosse necessariamente um iniciante quando conheceu o compositor Agostinho dos Santos, reconhece o compositor paulista como seu padrinho, já que foi ele que o inscreveu no Festival da Canção, mesmo sem Nascimento permitir. "Quando me mudei para São Paulo, conheci o Agostinho, que para mim era um cantor fantástico. Ele me viu cantando numa boate. Chegou, sentou e perguntou: ‘Ô, bicho, quem é você?' Foi a primeira vez que alguém me chamou assim", ri 'Bituca'.

Como à época em que escreveu as primeiras letras, Nascimento não se permite colocar os pés no chão completamente. "Eu ando sonhando em encontrar um monte de outros músicos como esses que trabalham comigo", resume.



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Um sonho de juventude

Ângela Corrêa
Do Diário do Grande ABC

09/11/2010 | 07:00


Milton Nascimento foi um dos responsáveis por colocar a cidade mineira de Três Pontas no mapa musical. Impressionado com o fato de o local onde passou infância e juventude ter merecido citação no livro 'The Brazilian Sound - Samba, Bossa Nova and the Popular Music of Brazil' (O Som Brasileiro - Samba, Bossa Nova e a Musica Popular do Brasil), de Chris McGowan e Ricardo Pessanha, o compositor resolveu que continuaria a ajudar a produção local. O resultado é o álbum '...E a Gente Sonhando' (EMI Music, R$ 35, em média), que acaba de ser lançado.

"Três Pontas é a única cidade que não é capital que foi colocada no livro. O negócio tomou pé mesmo depois que eu e o Wagner Tiso ‘saímos'. Acho que está mais efervescente do que antes. É impressionante. Vejo lá que eles têm um negócio na voz que lembra muito a gente. E tocam, e compõem e fazem arranjos...", admira-se.'Bituca', como é conhecido, partiu do Rio, onde mora, para cooptar pelo cerca de 20 jovens músicos trespontanos. Alguns já havia conhecido anteriormente, quando ainda eram adolescentes. Por isso foi difícil reuni-los: muitos saíram de lá para estudar fora.

Com Tiso e Marco Elízeo, outro trespontano, Milton decidiu criar coletivamente - os meninos, entre os quais alguns da família Tiso, também tinham voz ativa. "Mas ninguém deu trabalho, não. Nem eles, nem eu. Fomos todos profissionais", brinca Nascimento. O cantor deixou o Rio, onde mora, e se instalou na cidade mineira com um técnico de som. A maioria da molecada nunca havia entrado em estúdio e essa convivência foi importante para o compositor, como explica com seu sotaque interiorano. "Alimenta 'a gente'. 'A gente' passa muita coisa para eles e eles passam muita coisa 'pra gente'", simplifica. 

O repertório foi surgindo aos poucos. Canções dos iniciantes nortearam as primeiras escolhas - Nascimento gravou músicas de Heitor Branquinho, Clayton Prosperi, Haroldo Jr., Ismael Tiso Jr. e Miller Rabello de Britto. De sua parceria com Fernando Brant, escolheu rever 'Me Faz Bem', que ficou conhecida na voz de Gal Costa, 'Espelho de Nós', interpretada por Simone, e 'O Ateneu', trilha da montagem teatral que adaptou obra de Raul Pompéia.

Outras músicas suas são 'Amor do Céu, Amor do Mar', que homenageia a amiga Elis Regina, escrita a quatro mãos com o conterrâneo Flavio Henrique; 'Gota de Primavera', com Pedrinho do Cavaco, e Sorriso', que escreveu sozinho inspirado em um garoto desconhecido que ostentava uma bela risada.

Dessa seção do disco, porém, o mais interessante é o resgate de '...E A Gente Sonhando', segunda música que o cantor compôs, pouco antes de completar 20 anos. A canção que batiza o álbum foi gravada em dueto com Bruno Cabral, de apenas 19 anos. Cheia de emoção, a versão é a perfeita síntese do espírito do álbum, que chegou a ser comparado com a fase 'Clube da Esquina' (1972).

Ele também não se intimidou em regravar canções que ficaram famosas na voz de outros intérpretes, caso de 'Adivinha o quê?', de Lulu Santos, e 'Resposta ao Tempo', gravada por Nana Caymmi. Mas é 'O Sol' de Julinho Nastácia, gravada pelo Jota Quest, que também exprime o momento do compositor. "A música é a minha cara. Não me importo se já foi gravada ou não. Não me intimido com isso", desconversa.

Nascimento sabe da importância de sua passagem na vida dos meninos trespontanos. E, embora não fosse necessariamente um iniciante quando conheceu o compositor Agostinho dos Santos, reconhece o compositor paulista como seu padrinho, já que foi ele que o inscreveu no Festival da Canção, mesmo sem Nascimento permitir. "Quando me mudei para São Paulo, conheci o Agostinho, que para mim era um cantor fantástico. Ele me viu cantando numa boate. Chegou, sentou e perguntou: ‘Ô, bicho, quem é você?' Foi a primeira vez que alguém me chamou assim", ri 'Bituca'.

Como à época em que escreveu as primeiras letras, Nascimento não se permite colocar os pés no chão completamente. "Eu ando sonhando em encontrar um monte de outros músicos como esses que trabalham comigo", resume.

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