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Uma cidade sem garrafas

Se é verdade que as tecnologias ajudam as condições de vida no nosso dia a dia, também é verdade que os impactos ambientais podem ser danosos


Ademir Medici
Do Diário do Grande ABC

23/04/2011 | 00:00


Se é verdade que as tecnologias ajudam as condições de vida no nosso dia a dia, também é verdade que os impactos ambientais destas tecnologias podem tornar a vida no planeta fora dos limites do suportável. As garrafas plásticas são um exemplo disso. Facilitam bastante a nossa vida, mas ficam anos e anos como resíduos no meio ambiente.

A pequena cidade de Bundanoon, na Austrália, vem dando um exemplo para o mundo. Em 2009, os habitantes da cidade votaram, em assembleia, a proibição da venda de água engarrafada.

Tudo começou quando uma grande empresa de bebidas solicitou autorização para explorar água em uma fonte local. Os moradores da cidade ficaram preocupados com os impactos que a cidade sofreria com o trânsito dos caminhões. A partir disso, surgiram discussões sobre as outras faces do comércio da água engarrafada. Discutiu-se, por exemplo, que a água que sairia dali iria para a fábrica e depois retornaria para a venda também na cidade. Os moradores não viram muita lógica nisso.

Como não concordavam com a exploração de água na cidade, também não viram muito sentido em comprar água retirada de outros locais. De forma voluntária, convenceram os comércios locais a não vender água engarrafada.

Para que a medida fosse viável, a cidade implantou, em vários pontos, bebedouros de alta tecnologia. O comércio local passou a vender garrafas plásticas reutilizáveis. A discussão sobre a qualidade da água e sobre seu uso racional invadiu toda a sociedade, inclusive as salas de aula. A pegada ecológica de cada habitante diminuiu. Agora, cada cidadão de Bundanoon produz menos lixo e as políticas ambientais fazem parte das conversas em bares e esquinas da cidade.

LIMPEZA DO AR

A qualidade do ar influencia diretamente a qualidade de vida das populações. Na Região Metropolitana de São Paulo, por exemplo, a poluição diminui em 1,5 ano a expectativa de vida da sua população. Nas cidades portuárias, nas produtoras de bem de consumo e nas que são atravessadas por grandes rodovias o problema da poluição do ar é ainda maior. O vai e vem de caminhões e a queima de diesel deixam no céu uma massa de nuvens cinzentas. Os portos de Los Angeles e Long Beach, nos Estados Unidos, em parceria com a prefeitura, resolveram enfrentar o desafio de melhorar a qualidade do ar. Implantaram então, a partir de 2007, plano de ações para a limpeza do ar. Entre outras medidas, resolveram mudar, ou adaptar, toda a frota de caminhões. Foi criado um plano de incentivo para que caminhões antigos fossem substituídos por novos nos serviços de carga e descarga. O proprietário de caminhão que opta por aderir à proposta, paga somente 20% do preço de um caminhão novo e ecologicamente sustentável. O resto é financiando pelo programa. Uma das formas encontradas para financiar essas ações foi implantar uma taxa de US$ 35 para cada container que passa pelos portos.

É claro que a medida causou reações. O lobby das empresas de transporte fez de tudo para que o programa não decolasse. A ex-candidata a vice-presidente dos Estados Unidos pelo Partido Republicano Sarah Palin entrou na briga para impedir o novo imposto, mesmo sendo ele ecológico e capaz de melhorar, e muito, a qualidade de vida da população. O governador da Califórnia naquele momento, Arnold Schwarzenegger, a despeito de hoje rodar o mundo dizendo que fez, em seu Estado, um governo comprometido com um planeta sustentável, vetou a possibilidade de cobrar taxas sobre os contêineres em todo o Estado da Califórnia.

Quem defende o projeto diz que tornar o porto economicamente sustentável é a única forma de fazê-lo crescer. A região de Los Angeles não suportaria mais poluição nem mais dos outros impactos resultantes da atividade portuária. Dizem que os impactos nos preços seriam mínimos, irrelevantes, infinitamente menores, por exemplo, do que os milhares de empregos que as novas tecnologias poderiam criar.

Com a movimentação, surgiram outras boas soluções. Uma empresa desenvolveu caminhão totalmente elétrico, que os portos do Estado da Califórnia começaram a utilizar para a distribuição de contêineres a pequenas distâncias.



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Uma cidade sem garrafas

Se é verdade que as tecnologias ajudam as condições de vida no nosso dia a dia, também é verdade que os impactos ambientais podem ser danosos

Ademir Medici
Do Diário do Grande ABC

23/04/2011 | 00:00


Se é verdade que as tecnologias ajudam as condições de vida no nosso dia a dia, também é verdade que os impactos ambientais destas tecnologias podem tornar a vida no planeta fora dos limites do suportável. As garrafas plásticas são um exemplo disso. Facilitam bastante a nossa vida, mas ficam anos e anos como resíduos no meio ambiente.

A pequena cidade de Bundanoon, na Austrália, vem dando um exemplo para o mundo. Em 2009, os habitantes da cidade votaram, em assembleia, a proibição da venda de água engarrafada.

Tudo começou quando uma grande empresa de bebidas solicitou autorização para explorar água em uma fonte local. Os moradores da cidade ficaram preocupados com os impactos que a cidade sofreria com o trânsito dos caminhões. A partir disso, surgiram discussões sobre as outras faces do comércio da água engarrafada. Discutiu-se, por exemplo, que a água que sairia dali iria para a fábrica e depois retornaria para a venda também na cidade. Os moradores não viram muita lógica nisso.

Como não concordavam com a exploração de água na cidade, também não viram muito sentido em comprar água retirada de outros locais. De forma voluntária, convenceram os comércios locais a não vender água engarrafada.

Para que a medida fosse viável, a cidade implantou, em vários pontos, bebedouros de alta tecnologia. O comércio local passou a vender garrafas plásticas reutilizáveis. A discussão sobre a qualidade da água e sobre seu uso racional invadiu toda a sociedade, inclusive as salas de aula. A pegada ecológica de cada habitante diminuiu. Agora, cada cidadão de Bundanoon produz menos lixo e as políticas ambientais fazem parte das conversas em bares e esquinas da cidade.

LIMPEZA DO AR

A qualidade do ar influencia diretamente a qualidade de vida das populações. Na Região Metropolitana de São Paulo, por exemplo, a poluição diminui em 1,5 ano a expectativa de vida da sua população. Nas cidades portuárias, nas produtoras de bem de consumo e nas que são atravessadas por grandes rodovias o problema da poluição do ar é ainda maior. O vai e vem de caminhões e a queima de diesel deixam no céu uma massa de nuvens cinzentas. Os portos de Los Angeles e Long Beach, nos Estados Unidos, em parceria com a prefeitura, resolveram enfrentar o desafio de melhorar a qualidade do ar. Implantaram então, a partir de 2007, plano de ações para a limpeza do ar. Entre outras medidas, resolveram mudar, ou adaptar, toda a frota de caminhões. Foi criado um plano de incentivo para que caminhões antigos fossem substituídos por novos nos serviços de carga e descarga. O proprietário de caminhão que opta por aderir à proposta, paga somente 20% do preço de um caminhão novo e ecologicamente sustentável. O resto é financiando pelo programa. Uma das formas encontradas para financiar essas ações foi implantar uma taxa de US$ 35 para cada container que passa pelos portos.

É claro que a medida causou reações. O lobby das empresas de transporte fez de tudo para que o programa não decolasse. A ex-candidata a vice-presidente dos Estados Unidos pelo Partido Republicano Sarah Palin entrou na briga para impedir o novo imposto, mesmo sendo ele ecológico e capaz de melhorar, e muito, a qualidade de vida da população. O governador da Califórnia naquele momento, Arnold Schwarzenegger, a despeito de hoje rodar o mundo dizendo que fez, em seu Estado, um governo comprometido com um planeta sustentável, vetou a possibilidade de cobrar taxas sobre os contêineres em todo o Estado da Califórnia.

Quem defende o projeto diz que tornar o porto economicamente sustentável é a única forma de fazê-lo crescer. A região de Los Angeles não suportaria mais poluição nem mais dos outros impactos resultantes da atividade portuária. Dizem que os impactos nos preços seriam mínimos, irrelevantes, infinitamente menores, por exemplo, do que os milhares de empregos que as novas tecnologias poderiam criar.

Com a movimentação, surgiram outras boas soluções. Uma empresa desenvolveu caminhão totalmente elétrico, que os portos do Estado da Califórnia começaram a utilizar para a distribuição de contêineres a pequenas distâncias.

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