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Faltam fruta e verdura na merenda


Bruno Ribeiro
Do Diário do Grande ABC

03/04/2006 | 08:03


Os alunos que estudam em período integral passaram a receber almoço, inexistente nas escolas que ainda funcionam nos horários antigos. Durante as nove horas que passam dentro da unidade, os estudantes recebem merenda, antes das 9h, almoço, às 11h30 e um lanche da tarde, pouco antes de saírem, às 16h. Porém, os pais reclamam da falta de variedade do cardápio e ausência legumes, verduras e frutas.

Na EE Celso Gama, na Vila Assunção, os alunos dizem que jamais comem frutas ou bebem suco. Também não há sobremesa. Além disso, como a escola tem muitos alunos, os de 5ª e 6ª séries sentam nas mesas no refeitório, e os mais velhos, de 7ª e 8ª séries sentam no chão do pátio para almoçar.

Na EE Esther Medina, na Vila Lucinda, em Santo André, os pratos servidos seriam sopa, macarrão com almôndegas ou arroz, feijão, hambúrger e purê de batata. “Eles tomam sopa de manhã e de tarde”, diz o pai Orlando Francisco da Silva. No almoço, os alunos não recebem nada para beber. “Não há suco. Comem a seco. Se quiserem, bebem água”, diz uma professora.

O governo do Estado nega a repetição dos pratos e diz que os vegetais estão presentes na merenda. A Secretaria Estadual da Educação apresentou o cardápio planejado para duas semanas (veja quadro ao lado). Há arroz, feijão, risoto, macarrão, sopa, sardinha e batata em flocos de refeição principal. Frutas, legumes e verduras (não-especificadas) entram como complementos – em quatro dos cinco dias da semana.

A professora de Nutrição da Universidade Metodista de São Paulo Marisa Lipi comparou o cardápio apresentado pelo Estado às exigências do Pnae (Programa Nacional de Alimentação Escolar). Concluiu que é deficiente na questão da variação. “Esta monotonia do cardápio resulta em queixas e baixa aceitação dos alunos.” Ela observa o fato de o complemento com frutas, legumes e verduras aparecer em só três dias na semana. “Esse consumo deveria ser estimulado diariamente, especialmente entre crianças e adolescentes, que estão formando seus hábitos alimentares.”

O Pnae recomenda que a escolha de alimentos energéticos (massas e cereais) não seja excessiva, e salienta que sejam priorizados alimentos com fonte de calorias e proteínas, de acordo com a professora. “Considerando que várias escolas passam a adotar o regime de horário integral, deve-se atentar cada vez mais à questão da alimentação que será oferecida”, alerta a nutricionista Marisa.

Verba – A merenda das escolas estaduais é administrada pelas Prefeituras, que recebem R$ 0,18 do governo federal e R$ 0,12 do governo do Estado. Com o período integral, o repasse estadual aumentou para R$ 0,24. “O Estado assumiu a responsabilidade pelo almoço”, afirmou a supervisora de alimentação escolar de Santo André, Joelma Felipe. Para a Secretaria de Estado da Educação, o repasse maior de verba permite às Prefeituras cobrirem “tranqüilamente” as refeições a mais. Já o município lembra que, embora a verba tenha dobrado, o número de refeições foi multiplicado por três. Em tese, falta dinheiro.


Colaborou Cláudia Fernandes


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Faltam fruta e verdura na merenda

Bruno Ribeiro
Do Diário do Grande ABC

03/04/2006 | 08:03


Os alunos que estudam em período integral passaram a receber almoço, inexistente nas escolas que ainda funcionam nos horários antigos. Durante as nove horas que passam dentro da unidade, os estudantes recebem merenda, antes das 9h, almoço, às 11h30 e um lanche da tarde, pouco antes de saírem, às 16h. Porém, os pais reclamam da falta de variedade do cardápio e ausência legumes, verduras e frutas.

Na EE Celso Gama, na Vila Assunção, os alunos dizem que jamais comem frutas ou bebem suco. Também não há sobremesa. Além disso, como a escola tem muitos alunos, os de 5ª e 6ª séries sentam nas mesas no refeitório, e os mais velhos, de 7ª e 8ª séries sentam no chão do pátio para almoçar.

Na EE Esther Medina, na Vila Lucinda, em Santo André, os pratos servidos seriam sopa, macarrão com almôndegas ou arroz, feijão, hambúrger e purê de batata. “Eles tomam sopa de manhã e de tarde”, diz o pai Orlando Francisco da Silva. No almoço, os alunos não recebem nada para beber. “Não há suco. Comem a seco. Se quiserem, bebem água”, diz uma professora.

O governo do Estado nega a repetição dos pratos e diz que os vegetais estão presentes na merenda. A Secretaria Estadual da Educação apresentou o cardápio planejado para duas semanas (veja quadro ao lado). Há arroz, feijão, risoto, macarrão, sopa, sardinha e batata em flocos de refeição principal. Frutas, legumes e verduras (não-especificadas) entram como complementos – em quatro dos cinco dias da semana.

A professora de Nutrição da Universidade Metodista de São Paulo Marisa Lipi comparou o cardápio apresentado pelo Estado às exigências do Pnae (Programa Nacional de Alimentação Escolar). Concluiu que é deficiente na questão da variação. “Esta monotonia do cardápio resulta em queixas e baixa aceitação dos alunos.” Ela observa o fato de o complemento com frutas, legumes e verduras aparecer em só três dias na semana. “Esse consumo deveria ser estimulado diariamente, especialmente entre crianças e adolescentes, que estão formando seus hábitos alimentares.”

O Pnae recomenda que a escolha de alimentos energéticos (massas e cereais) não seja excessiva, e salienta que sejam priorizados alimentos com fonte de calorias e proteínas, de acordo com a professora. “Considerando que várias escolas passam a adotar o regime de horário integral, deve-se atentar cada vez mais à questão da alimentação que será oferecida”, alerta a nutricionista Marisa.

Verba – A merenda das escolas estaduais é administrada pelas Prefeituras, que recebem R$ 0,18 do governo federal e R$ 0,12 do governo do Estado. Com o período integral, o repasse estadual aumentou para R$ 0,24. “O Estado assumiu a responsabilidade pelo almoço”, afirmou a supervisora de alimentação escolar de Santo André, Joelma Felipe. Para a Secretaria de Estado da Educação, o repasse maior de verba permite às Prefeituras cobrirem “tranqüilamente” as refeições a mais. Já o município lembra que, embora a verba tenha dobrado, o número de refeições foi multiplicado por três. Em tese, falta dinheiro.


Colaborou Cláudia Fernandes

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