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Índice de estudantes atrasados chega a quase 10% na região

André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Percentual de alunos que não estão na série ideal conforme idade se mantém desde 2008 no Grande ABC


Flavia Kurotori
Do Diário do Grande ABC

27/10/2019 | 07:00


No Grande ABC, 31.293 dos 319.560 alunos matriculados na rede pública estão defasados, segundo o Censo da Educação Básica de 2018. Isso significa que quase 10% deles estão pelo menos dois anos atrasados em relação à série escolar recomendada. O percentual, chamado de distorção idade-série, se mantém desde 2008, quando 9,29% dos alunos estavam nesta situação.

O cenário mais grave é no ensino médio, onde a distorção chega a 17,7% – 13.395 dos 75.481 jovens. Em seguida, no ensino fundamental 2 (6º ao 9º ano), os defasados são 11,45%. Já no ensino fundamental 1 (1º ao 5º ano), 4,26% dos alunos não estão na série apropriada.

Segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (9.394/1996), as crianças devem ingressar no 1º ano do ensino fundamental aos 6 anos, cujo objetivo é a formação básica. Entre os 15 e 17 anos, o jovem deve cursar o ensino médio, visando a consolidação e aprofundamento de conhecimentos já adquiridos.

Na avaliação de especialistas, a defasagem é reflexo do modelo de ensino adotado pelas instituições de ensino públicas. “Este percentual não pode ser considerado normal e nem é possível aceitar, pois uma escola justa e eficaz é quando o aluno aprende e avança no desenvolvimento da aprendizagem”, afirma Paulo Sérgio Garcia, coordenador do Observatório de Educação do Grande ABC e professor da USCS (Universidade Municipal de São Caetano).

“Esta é apenas parte do chamado fracasso escolar, muito observado no Nordeste e, mesmo em uma das regiões mais ricas do Brasil (o Sudeste), quase 10% das crianças não podem aprender como deveriam”, assinala o docente. Outro aspecto observado é que o modelo de ensino defende que quando o aluno repete de série, ele irá aprender melhor. Contudo, o especialista aponta que os resultados de repetentes em exames de avaliação costumam ser menores.

Ítalo Curcio, coordenador do curso de pedagogia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, concorda e adiciona que um dos principais fatores que levam aos “péssimos resultados” é a falta de estrutura de ensino individualizada. “Os estudantes carecem de dedicação às necessidades específicas e o professor precisa ter tempo para perceber as diferenças durante o aprendizado de cada um”, explica. Assim, além de salas de aula enxutas – com até 25 alunos no ensino fundamental e, no ensino médio, no máximo 35 –, sistema de avaliação contínua, sem provas, deve ser adotado.

Considerando que a educação é um fenômeno social, Garcia afirma que a solução para o indicador é investimento multidisciplinar. Principal ação é a crianção de políticas públicas para aprimorar a infraestrutura das escolas, melhorar as condições de trabalho e formação de professores, além de formatar conteúdos de maneira que os jovens se sintam atraídos. “As principais justificativas (das gestões públicas) culpabilizam o aluno, que não teria interesse, e a família, que não teria estrutura, mas a verdade é que as escolas estão fechadas nelas mesmas e não se preocupam em criar projetos para melhorar a educação dos estudantes”, assegura Garcia.

Defasagem pode causar prejuízos psicológicos e sociais em jovens
Além dos problemas na formação, a distorção idade-série também pode causar prejuízos psicológicos e sociais nos estudantes. Segundo Ítalo Curcio, coordenador do curso de pedagogia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, faltam ações de inclusão destes alunos. “O jovem pode se sentir excluído e ter rendimento diferente porque não entende a linguagem usada pelo professor ou, ainda, porque os colegas não o chamam para grupos de estudo e lazer”, explica.

Solução para esta questão, de acordo com o especialista, é integrar esforços entre orientador educacional, psicólogo e família para entender o que está ocasionando a dificuldade de avançar do aluno.

JUSTIFICATIVAS
Em nota, a Secretaria da Educação estadual destacou que o percentual teve redução significativa, passando de 30,9% em 1998 para 9,6% em 2018 no Estado. A rede assegura que reúne esforços para reduzir o índice e estuda projeto para correção do problema, sem detalhar.

As prefeituras de Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá e Ribeirão Pires informam que dispõem de programas para acompanhar o desenvolvimento dos alunos de maneira individualizada, como orientadores educacionais e psicólogos.

 



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Índice de estudantes atrasados chega a quase 10% na região

Percentual de alunos que não estão na série ideal conforme idade se mantém desde 2008 no Grande ABC

Flavia Kurotori
Do Diário do Grande ABC

27/10/2019 | 07:00


No Grande ABC, 31.293 dos 319.560 alunos matriculados na rede pública estão defasados, segundo o Censo da Educação Básica de 2018. Isso significa que quase 10% deles estão pelo menos dois anos atrasados em relação à série escolar recomendada. O percentual, chamado de distorção idade-série, se mantém desde 2008, quando 9,29% dos alunos estavam nesta situação.

O cenário mais grave é no ensino médio, onde a distorção chega a 17,7% – 13.395 dos 75.481 jovens. Em seguida, no ensino fundamental 2 (6º ao 9º ano), os defasados são 11,45%. Já no ensino fundamental 1 (1º ao 5º ano), 4,26% dos alunos não estão na série apropriada.

Segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (9.394/1996), as crianças devem ingressar no 1º ano do ensino fundamental aos 6 anos, cujo objetivo é a formação básica. Entre os 15 e 17 anos, o jovem deve cursar o ensino médio, visando a consolidação e aprofundamento de conhecimentos já adquiridos.

Na avaliação de especialistas, a defasagem é reflexo do modelo de ensino adotado pelas instituições de ensino públicas. “Este percentual não pode ser considerado normal e nem é possível aceitar, pois uma escola justa e eficaz é quando o aluno aprende e avança no desenvolvimento da aprendizagem”, afirma Paulo Sérgio Garcia, coordenador do Observatório de Educação do Grande ABC e professor da USCS (Universidade Municipal de São Caetano).

“Esta é apenas parte do chamado fracasso escolar, muito observado no Nordeste e, mesmo em uma das regiões mais ricas do Brasil (o Sudeste), quase 10% das crianças não podem aprender como deveriam”, assinala o docente. Outro aspecto observado é que o modelo de ensino defende que quando o aluno repete de série, ele irá aprender melhor. Contudo, o especialista aponta que os resultados de repetentes em exames de avaliação costumam ser menores.

Ítalo Curcio, coordenador do curso de pedagogia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, concorda e adiciona que um dos principais fatores que levam aos “péssimos resultados” é a falta de estrutura de ensino individualizada. “Os estudantes carecem de dedicação às necessidades específicas e o professor precisa ter tempo para perceber as diferenças durante o aprendizado de cada um”, explica. Assim, além de salas de aula enxutas – com até 25 alunos no ensino fundamental e, no ensino médio, no máximo 35 –, sistema de avaliação contínua, sem provas, deve ser adotado.

Considerando que a educação é um fenômeno social, Garcia afirma que a solução para o indicador é investimento multidisciplinar. Principal ação é a crianção de políticas públicas para aprimorar a infraestrutura das escolas, melhorar as condições de trabalho e formação de professores, além de formatar conteúdos de maneira que os jovens se sintam atraídos. “As principais justificativas (das gestões públicas) culpabilizam o aluno, que não teria interesse, e a família, que não teria estrutura, mas a verdade é que as escolas estão fechadas nelas mesmas e não se preocupam em criar projetos para melhorar a educação dos estudantes”, assegura Garcia.

Defasagem pode causar prejuízos psicológicos e sociais em jovens
Além dos problemas na formação, a distorção idade-série também pode causar prejuízos psicológicos e sociais nos estudantes. Segundo Ítalo Curcio, coordenador do curso de pedagogia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, faltam ações de inclusão destes alunos. “O jovem pode se sentir excluído e ter rendimento diferente porque não entende a linguagem usada pelo professor ou, ainda, porque os colegas não o chamam para grupos de estudo e lazer”, explica.

Solução para esta questão, de acordo com o especialista, é integrar esforços entre orientador educacional, psicólogo e família para entender o que está ocasionando a dificuldade de avançar do aluno.

JUSTIFICATIVAS
Em nota, a Secretaria da Educação estadual destacou que o percentual teve redução significativa, passando de 30,9% em 1998 para 9,6% em 2018 no Estado. A rede assegura que reúne esforços para reduzir o índice e estuda projeto para correção do problema, sem detalhar.

As prefeituras de Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá e Ribeirão Pires informam que dispõem de programas para acompanhar o desenvolvimento dos alunos de maneira individualizada, como orientadores educacionais e psicólogos.

 

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