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Futebol-empresa perde Felício Saad


Divanei Guazzelli
Do Diário do Grande ABC

28/10/2005 | 08:43


  

A morte de Felício Saad será lembrada nesta sexta-feira, às 11h, na missa de sétimo dia, na Igreja São José, que fica no Jardim Europa, zona sul de São Paulo. Ex-presidente do Saad e empresário da indústria e na área imobiliária, Felício morreu no sábado, de parada cardíaca aos 85 anos e foi uma das principais referências do futebol profissional do Grande ABC na segunda metade do século passado.

O controle sobre o Saad, fundado em 1961 em São Caetano, tornou o ex-dirigente um precursor do que, quatro décadas depois, seria denominado clube-empresa. Com austeridade nos métodos de direção e criterioso planejamento econômico, Felício fez do Saad o primeiro time da região a subir, nos gramados, para a primeira divisão paulista desde a adoção, em 1933, do profissionalismo no Brasil. A ascensão da equipe ocorreu em 1973, quando a Lei de Acesso e Descenso estava suspensa em São Paulo e a FPF (Federação Paulista de Futebol) criou o Torneio dos Dez. O Saad, então treinado por Baltazar, o Cabecinha de Ouro, morto em 1997, foi o campeão e promovido ao que se denominava, na época, de Paulistinha, uma espécie de seletivo antes de enfrentar os grandes. No seletivo, nova conquista e a certeza de que o Saad já demarcava o seu espaço.

A estréia do Saad no Paulistão ocorreu em grande estilo. Foi no Parque Antártica, após a Copa do Mundo de 1974, diante de um Palmeiras que contava com seis convocados para a Seleção Brasileira – Leão, Eurico, Alfredo, Luiz Pereira, César e Leivinha. O Saad arrancou um empate por 2 a 2 sob a incredulidade de palmeirenses que lotaram o Parque Antártica.

A equipe terminou a temporada em posição intermediária, chegou a vencer o Santos com Pelé na Vila Belmiro, e repetiu a trajetória no ano seguinte. No final de 1975, a situação começou a se modificar para Felício e seu clube. A criação do Grupo dos 13, formado pelo pequenos do futebol paulista, impôs a derrota ao então presidente da FPF, o empresário José Ermirio de Moraes Filho, sucedido por Alfredo Metidieri. Felício era aliado de José Ermirio e, como não havia Lei do Acesso, a equipe estava "a título precário" na primeira divisão. Por isso, com a volta da Lei, retornou sumariamente à segunda divisão.

Queda – Com o retorno à divisão de acesso, o Saad não conseguiu reproduzir os melhores tempos. O time fez campanhas discretas, e o investimento de contratações fora reduzido. Bem diferente do início da década, quando ex-santistas como Dorval e Coutinho chegaram a vestir a camisa alvi-celeste, além de revelações da época, casos do zagueiro Tecão (que chegou à Seleção Brasileira), do volante Serelepe e do meia Serginho, que se transferiram de uma só vez, em 1975, para o São Paulo, assim como o atacante Arlindo Fazolin, que fez história no clube.

Em 1989, o prefeito Luiz Tortorello, que morreu em dezembro de 2004, voltou as atenções para o profissionalismo da cidade no primeiro de seus três mandatos. Felício não concordou com a proposta de Tortorello de mudar o nome do clube e deixou São Caetano. A sede foi mudada para Águas de Lindóia, mas o Saad não resistiu e fechou as portas ao profissionalismo masculino. Mesmo assim, em 1995 ainda recebeu convite para transferi-lo para Mato Grosso e disputar a primeira divisão. O futebol feminino do Saad, ao contrário, estava, e ainda está, na ativa e hoje se tornou uma das principais equipes do Brasil. O que também teve muito a ver com o pioneirismo de Felício.



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Futebol-empresa perde Felício Saad

Divanei Guazzelli
Do Diário do Grande ABC

28/10/2005 | 08:43


  

A morte de Felício Saad será lembrada nesta sexta-feira, às 11h, na missa de sétimo dia, na Igreja São José, que fica no Jardim Europa, zona sul de São Paulo. Ex-presidente do Saad e empresário da indústria e na área imobiliária, Felício morreu no sábado, de parada cardíaca aos 85 anos e foi uma das principais referências do futebol profissional do Grande ABC na segunda metade do século passado.

O controle sobre o Saad, fundado em 1961 em São Caetano, tornou o ex-dirigente um precursor do que, quatro décadas depois, seria denominado clube-empresa. Com austeridade nos métodos de direção e criterioso planejamento econômico, Felício fez do Saad o primeiro time da região a subir, nos gramados, para a primeira divisão paulista desde a adoção, em 1933, do profissionalismo no Brasil. A ascensão da equipe ocorreu em 1973, quando a Lei de Acesso e Descenso estava suspensa em São Paulo e a FPF (Federação Paulista de Futebol) criou o Torneio dos Dez. O Saad, então treinado por Baltazar, o Cabecinha de Ouro, morto em 1997, foi o campeão e promovido ao que se denominava, na época, de Paulistinha, uma espécie de seletivo antes de enfrentar os grandes. No seletivo, nova conquista e a certeza de que o Saad já demarcava o seu espaço.

A estréia do Saad no Paulistão ocorreu em grande estilo. Foi no Parque Antártica, após a Copa do Mundo de 1974, diante de um Palmeiras que contava com seis convocados para a Seleção Brasileira – Leão, Eurico, Alfredo, Luiz Pereira, César e Leivinha. O Saad arrancou um empate por 2 a 2 sob a incredulidade de palmeirenses que lotaram o Parque Antártica.

A equipe terminou a temporada em posição intermediária, chegou a vencer o Santos com Pelé na Vila Belmiro, e repetiu a trajetória no ano seguinte. No final de 1975, a situação começou a se modificar para Felício e seu clube. A criação do Grupo dos 13, formado pelo pequenos do futebol paulista, impôs a derrota ao então presidente da FPF, o empresário José Ermirio de Moraes Filho, sucedido por Alfredo Metidieri. Felício era aliado de José Ermirio e, como não havia Lei do Acesso, a equipe estava "a título precário" na primeira divisão. Por isso, com a volta da Lei, retornou sumariamente à segunda divisão.

Queda – Com o retorno à divisão de acesso, o Saad não conseguiu reproduzir os melhores tempos. O time fez campanhas discretas, e o investimento de contratações fora reduzido. Bem diferente do início da década, quando ex-santistas como Dorval e Coutinho chegaram a vestir a camisa alvi-celeste, além de revelações da época, casos do zagueiro Tecão (que chegou à Seleção Brasileira), do volante Serelepe e do meia Serginho, que se transferiram de uma só vez, em 1975, para o São Paulo, assim como o atacante Arlindo Fazolin, que fez história no clube.

Em 1989, o prefeito Luiz Tortorello, que morreu em dezembro de 2004, voltou as atenções para o profissionalismo da cidade no primeiro de seus três mandatos. Felício não concordou com a proposta de Tortorello de mudar o nome do clube e deixou São Caetano. A sede foi mudada para Águas de Lindóia, mas o Saad não resistiu e fechou as portas ao profissionalismo masculino. Mesmo assim, em 1995 ainda recebeu convite para transferi-lo para Mato Grosso e disputar a primeira divisão. O futebol feminino do Saad, ao contrário, estava, e ainda está, na ativa e hoje se tornou uma das principais equipes do Brasil. O que também teve muito a ver com o pioneirismo de Felício.

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